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Crítica neomarxista de Michael Aplle

NASCEM OS "ESTUDOS SOBRE CURRÍCULO": AS TEORIAS TRADICIONAIS.

A palavra currículo está associada a preocupações de organização e método. A literatura americana influenciou que o termo currículo surgiu para direcionar um campo especializado de estudos. Bobbitt escreveu em 1918, o livro The Curriculum, esse livro surgiu num momento crucial em que diversas forças econômicas, políticas e culturais, procuravam modificar os objetivos e as maneiras da educação de acordo com a sua forma de ver. E nesse período surgem vários questionamentos sobre o sistema educacional e Bobbitt respondeu a essas interrogações com a sua maneira conservadora, ele sugeria que as escolas funcionassem do mesmo jeito que as empresas, comerciais e industriais, então as escolas deveriam ter a iniciativa de estabelecer suas metas. Esse novo modelo estava voltado para a economia e enfatizava a eficiência, essa proposta assemelhava autorizar que a educação tornava-se científica e quais eram as habilidades necessárias para as várias atividades.
Para Bobbit o currículo era algo mecânico, já que se consistia numa questão de organização de uma atividade burocrática, algo técnico. Mas não se pode deixar de considerar o currículo como algo que vá além da técnica por que deve ser levado em conta as praticas educacionais que vão ser elaboradas.
Para Tyler é uma questão de organização e desenvolvimento, esse trabalho deve ser intermediado por habilidades a serem desenvolvidas, o currículo deve ser baseado também nesse paradigma, já que lê é feito no propósito daquele que o realiza que seja alcançado o conhecimento através de habilidades.

ONDE A CRÍTICA COMEÇA: IDEOLOGIA, REPRODUÇÃO, RESISTÊNCIA.

Período onde começam a surgir críticos do currículo, o responsabilizando pelas desigualdades sociais e a reprodução da sociedade da época, considerando esse meramente técnico, são mencionados autores como Althusser, que fala a respeito dos aparelhos ideológicos do Estado, e como a escola o meio pelo qual deveria existir uma oportunidade de ascensão social apenas reproduz uma sociedade, tornando-a inerte.
Seguidamente o capítulo dois vai dando continuidade a explanações relacionadas entre currículo e escola, de modo que explicita baseado nos escritos de Bowles e Gintis como esses influenciaram a sociedade capitalista da época dentro das escolas, a maneira como introduziam as tendências capitalistas de mercados dentro da instituição de modo tão natural e espontâneo, por intermédio até de ações meramente funcionais que existiam dentro das escolas. O que segundo o autor tornava essas escolas também reprodutoras da economia capitalista existente na sociedade da época. Ainda nessa perspectiva o autor menciona Bourdieu e Parsons quando esses falam a respeito da reprodução cultural; que para o autor em conformidade que faz dos escritos desses autores é de certa forma imposta pela classe dominante, lembrando que de maneira sutil, o que conseqüentemente gera nos currículos escolares adaptação a cultura dominante, e assim sendo, direciona-se mais a uma determinada classe, o que vai gerando a predominância dessa classe em níveis mais avançado de estudo. Então o que nos propõe os autores mencionados por Tomaz Tadeu é que o currículo se adeque a ambas as classes ou mesmo a toda sociedade de modo que não venha priorizar nenhum grupo, mas sim a sociedade em geral.
Acreditamos que por um longo período na história da educação brasileira houve a predominância de favorecimento em questões curriculares a determinada classe, no entanto, presenciamos essa mudança acontecer ao longo dessa mesma história, sabe-se que não é de muito tempo essa mudança, consideramos essa até recente, mas o mais importante é percebermos a luta pela igualdade de oportunidades, partindo da educação, temos como exemplo de educadores que lutaram para isso acontecer, Paulo Freire, o que prezou por uma pedagogia e uma escola autônoma, onde houvesse igualdades de direitos e oportunidades, é interessante que se siga nessa perspectiva para que se enxergue na educação escolar um meio oportunista de crescimento não apenas cultural, social, de conhecimentos, mas de perspectiva de vida, de mobilização social e acima de tudo satisfação pessoal, pois tudo isso pode gerar também a busca pelo conhecimento e sua valorização.

CONTRA A CONCEPÇÃO TÉCNICA: OS RECONCEPTUALISTAS

Este capitulo mostra que a concepção técnica que se tinha de currículo estaria perdendo seu lugar, formava-se nesse momento movimentos de reação contra esse modelo de currículo burocrático e administrativo. O currículo passaria a ser mais abrangente, deixando de ser centrado apenas nas questões sociais e econômicas, adotando assim campos como sociologia critica e a filosofia marxista.
No movimento de reconceptualização as pessoas começavam a perceber que aquele modelo ou currículo técnico e administrativo não se enquadrava nos padrões de teorias sociais européias, pois estes tenham um outro nível de informação, como a fenomenologia, a hermenêutica e o marxismo onde a ênfase não estava no papel das estruturas ou em categorias teóricas abstratas, mas sim no significado subjetivos que é dado as experiências pedagógicas e curriculares.
Currículo na perspectiva fenomenológica trata a questão da experiência, na qual os docentes e aprendizes possam aprender com as suas próprias experiências de vida. E fazer dessas experiências um objeto de investigação. Sendo muito enriquecedor poder se basear nas próprias experiências, e usar de temas que fazem parte do cotidiano, usar isso como atributo, um fator interessante é a combinação de da autobiografia com a orientação fenomenológica que é o que caracteriza todo esse questionamento.

A CRÍTICA NEOMARXISTA DE MICHAEL APLLE

Tendo como ponto de partida os elementos centrais da crítica marxista da sociedade, Apple acredita que a dinâmica da sociedade capitalista gira em torno da dominação de classes. Baseando-se em Louis Althesser que foi muito influenciado por idéias marxistas, chegou a argumentar que a continuidade da sociedade capitalista depende da reprodução de seus componentes econômicos e ideológicos, cuja sustentação se dá através de mecanismos e instituições encarregadas de garantir o status sem contestação. A produção e disseminação da ideologia são feitas pelos aparelhos ideológicos do Estado, entre muitos se cita a Escola, constituindo um dos mais importantes aparelhos, pois aborda toda a população, tanto a classe dominante quanto a classe dominada.
A escola atua ideologicamente através do seu currículo, que divulgam crenças explícitas sobre a desejabilidade das estruturas sociais. Acaba que por vedar os olhos da sociedade com uma idéia errônea a respeito de algo ou fato existente na sociedade, em prol de manter o poder das classes dominantes. As escolas dirigidas aos trabalhadores subordinados tendem privilegiar relações nas quais os estudantes aprendem a receber ordens e obedecer; esse fato entra em contraste com as instituições dirigidas àqueles dos mais altos níveis sociais, que tendem favorecer relações em que os alunos tenham atitudes de autonomia, comando e domínio.
Para Apple a escola torna-se um aparelho ideológico pelo fato de seu currículo não ser questionado e nem tão pouco observado pela sociedade a esse grosso modo crítico, ao ponto de notar que a escola apenas transmite ou reproduz conhecimentos que são produzidos em algum outro lugar.
Com isso, o autor acredita que o currículo não pode ser compreendido e nem transformado se não for feito um questionamento sobre suas conexões com o poder. O currículo escolar existe praticamente para manter a reprodução de uma linha de conhecimentos que alienem a sociedade em tal forma desta acreditar que estar por seguir um ideal, quanto na verdade estão apenas garantindo a hegemonia dominante sobre as demais classes sociais.

O CURRÍCULO COMO POLÍTICA CULTURAL: HENRY GIROUX

A critica de Giroux estava centrada, numa reação às perspectivas empíricas e técnicas sobre o currículo então dominantes. Nesta análise, as perspectivas dominantes ao se concentrarem em critérios de eficiência e racionalidade burocrática, deixavam de levar em consideração o caráter histórico, ético e político das ações humanas e sociais e principalmente o currículo do conhecimento. Giroux se inclinava para uma posição que era claramente tributaria do marxismo, mas ele queria evitar uma identificação com a rigidez econômica de certos enfoques marxistas. Seu trabalho inicial iria se concentrar boa parte no desenvolvimento de uma cuidadosa critica sobre as teorizações a teoria educacional, bem como no esboço de alternativas que pudessem superar aquilo que ele via como falhas e omissões dessas teorias.
O autor critica essas análises por não darem suficientes ou nenhuma atenção as conexões entre as formas como essas construções se desenvolvem no espaço restrito da escola e do currículo e as relações sociais mais amplas de controle e poder.
É no conceito de resistência que Giroux vai buscar as bases para desenvolver uma teorização critica, sobre a pedagogia e o currículo. Ele já fala aqui numa “Pedagogia de Possibilidades” – a vida social em geral e a pedagogia e o currículo em particular não são feitos apenas de dominações e, contudo, deve haver um lugar para oposição e resistência, para a rebelião e a subversão.
Giroux é amplamente influenciado, nesse aspecto, pela pesquisa do sociólogo inglês Paul Willis, de que a cultura é um momento e um espaço de criação autônoma e ativa que poderia ser explorado para uma resistência mais politicamente informada.
Três conceitos são centrais à concepção emancipadora ou libertadora do currículo e da pedagogia: Esfera pública, intelectual, transformador, voz. Giroux argumenta que a escola e o currículo devem funcionar como “esfera pública democrática”. Os professores e professoras como intelectuais transformadores. A voz como necessidade de construção de um espaço onde os anseios, os desejos e os pensamentos dos estudantes possam ser ouvidos e atentamente considerados. Giroux vê a pedagogia e o currículo através da noção de “política cultural”. O currículo é um local onde, ativamente se produzem e se criam significados sociais.

O CURRÍCULO COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL: A “NOVA SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO”

A nova sociologia da educação explicitava sua preocupação com o processo de pessoas, deixando de lado o processo que envolvia o conhecimento. Por isso vários autores começaram a se preocupar com a NSE estudando idéias nas quais se poderiam melhorar os conceitos tradicionais nela existentes.
Segundo o autor, a tarefa de uma sociologia do conhecimento em ponto de desenvolvimento consistiria em destacar o caráter socialmente construído das formas de consciência e de conhecimento, estreitando relações sociais e econômicas.
É importante mostrar que a tarefa de uma sociologia do currículo é sair da neutralidade enfatizando assim seu caráter histórico, social, contingente e arbitrário, conforme explicita o texto.
O autor frisa que, o conhecimento escolar e o currículo existente como invenções sócias, como o resultado de um processo envolvendo conflitos e disputas em torno de quais conhecimentos deviam fazer parte do currículo. Segundo Esland, o currículo não pode ser separado do ensino e da avaliação, pois o mesmo concentra-se na forma como o conhecimento é construído intersubjetivamente na interação entre professor e alunos na sala de aula.
O autor afirma que, qualquer mudança curricular “objetiva” deve passar por esse processo de interpretação e negociação em torno dos significados em que estão envolvidos professores e aluno na sala de aula. A importância da relação professor e aluno em sala de aula são muito importantes porque é através da mesma o ensino aprendizagem se desenvolverá.
O texto lido nos mostra fatos importantes no qual ensina o professor a não fazer acepção entre alunos, pois isso faz com que o aluno se sinta excluído e ao mesmo tempo incapaz, o professor tem que mostrar interesse pela educação de todos, sabendo incluí-los e não excluí-los. A NSE, (nova sociologia da educação) segundo o autor representa uma noção de “construção social”, ela encontra continuidade, por exemplo, nas análises do currículo que hoje são feitas com inspiração nos Estados Culturais e no Pós-estruturalismo.

CÓDIGOS E REPRODUÇÃO CULTURAL: BASIL BERNSTEIN

Para Bernstein as áreas do conhecimento que constituem o currículo possuem um grau de isolamento e separação que podem ser maior ou menor, usando o termo classificação que corresponde ao que pode ficar junto. Um currículo do tipo tradicional é fortemente classificado já um currículo interdisciplinar é fragilmente classificado, porém para o autor independentemente de como o conhecimento é organizado – classificado sua ênfase maior está relacionado a  questão da pedagogia, ou seja, como o conhecimento é transmitido ,pois segundo o autor há variações no modo da transmissão ocasionando no estudante um  maior ou menor domínio sobre o ritmo de transmissão( a divisão do espaço pode ser mais ou menos rígida, os objetivos podem ser mais ou menos explícitos ,  os critérios de avaliação podem ser mais ou menos explícitos).
Bernstein faz uso de uma linguagem complexa e emprega vários conceitos em sua teoria. Ele coloca em dúvida o papel das pedagogias centradas na criança, ou seja, pedagogias progressistas sendo a favor da pedagogia tradicional, pois, segundo o autor a sala de aula tradicional possui um forte “enquadramento” e já uma sala de aula construtiva possui um fraco “enquadramento”, de acordo com o autor quanto maior o controle que o professor tiver no processo transmissão do conhecimento maior é o enquadramento.
Essa posição tomada pelo autor vai contra o pensamento educacional, pois como sabemos um professor da sala de aula tradicional é responsável apenas em repassar os conteúdos tornando seus alunos um ser passivo e receptivo e já um professor da tendência progressista passa a ser um facilitador da aprendizagem e os alunos são as figuras centrais do processo ensino aprendizagem.

QUEM ESCONDEU O CURRÍCULO OCULTO?

O currículo oculto é formado por características do ambiente escolar que esta dentro do currículo oficial, explícito e colabora implicitamente para aprendizagens sociais importantes. Na visão crítica, o que é aprendido no currículo oculto são atitudes, comportamentos, valores e orientações onde aceitam que crianças e jovens se ajustem à sociedade capitalista. O currículo oculto ensina o conformismo, obediência, individualismo e aprende atitudes e valores próprios de outras classes sociais, como ser homem ou mulher, como ser heterossexual ou homossexual.
O currículo oculto é formado pelas relações sociais da escola: as relações entre professores e alunos, entre a administração e os alunos e entre os alunos e alunos, a organização, estrutura da escola contribui para o comportamento social da criança e do jovem. O currículo oculto ensina através de rituais, regras, regulamentos, normas, também por meio das várias divisões como a escolar, separar os mais inteligentes e os menos capazes, entre garotos e garotas.
Parte da importância do currículo oculto está em sua natureza oculta, se desocultá-lo ficará menos eficaz, vai perder os efeitos por ser oculto. Ter a consciência do currículo oculto vai torná-lo menos importante. O ato de ocultação do currículo é decorrência de uma ação impessoal, abstrata, estrutural. Na era neoliberal de declaração explícita da subjetividade e dos valores capitalistas, não havia muito ocultismo no currículo, com a elevação neoliberal, o currículo tornou-se capitalista.
Daniel Feitosa Barros
Enviado por Daniel Feitosa Barros em 29/03/2011
Código do texto: T2878331
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Sobre o autor
Daniel Feitosa Barros
Teresina - Piauí - Brasil
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