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Pesquisa na Escola - Bagno, Marcos.

     O livro Pesquisa na Escola, de Marcos Bagno, como ele mesmo diz, nasce da indignação sobre a falta de direcionamento aos alunos, quanto aos trabalhos de pesquisa nas escolas. Segundo ele, muitos professores ainda nem sabem a fundo o que significa a pesquisa, atrelados que estão aos métodos convencionais de transmissão de conteúdos prontos, que só confundem a cabeça dos alunos e não os libertam para a criatividade dos tempos modernos.
     O autor enfatiza que todos nós fazemos pesquisas, o tempo todo, sem darmos conta disto: uma lista de compras, uma receita, uma viagem etc. A pesquisa ocorre no dia a dia das pessoas, que planejam algo em busca de um objetivo específico.”a investigação feita com o objetivo expresso de obter conhecimento específico e estruturado sobre um assunto preciso”.
     É uma ciência de suma importância em todos os ramos de atividades, seja na medicina, nos avanços tecnológicos, na vida das empresas.
     Na primeira parte do livro, o autor define o que é projeto, passo inicial de qualquer pesquisa. Este projeto, como exemplo do ensino de pesquisa nas escolas, dever assegurar a participação e a decisão de todos os alunos, para que eles possam contribuir com suas experiências de vida, sua criatividade ou mesmo aprender aquilo que não conheciam.
     Sugere o autor, que se comece pedindo pesquisas que chamem a atenção dos alunos, e que de algum modo, desperte o seu interesse e faça parte do seu mundo.
     O autor explica, nesta primeira parte do livro, todos os caminhos para o desenvolvimento do título, objetivo, justificativa, metodologia, produto final, fontes de consulta e cronograma, sempre enfatizando a necessidade do direcionamento correto dado pelo professor ao aluno.
     Como o autor desta obra é um linguista, o ensino da pesquisa na escola orientado por ele deixa evidente a sua preocupação com as questões da língua falada. Para o autor, as regras gramaticais arcaicas da língua emperram o crescimento e a evolução dos alunos no campo da descoberta, porque impedem uma ação crítica e uma reflexão mais profunda sobre o porquê das coisas.
     A meu ver, algumas proposições podem ser trabalhadas facilmente, seja na rede particular ou pública, no entanto, esta parametrização dos currículos enfatizando o ensino da gramática de forma linear, precisa ocorrer num âmbito geral. A utilização de novos métodos de trabalho, adequados às necessidades específicas de alguns alunos e comunidades, é que faz parte da atribuição do professor. No entanto, as realidades escolares são diversas, e em muitos casos, não há realmente saída para o professor que quer fazer a diferença.
     As questões relativas às comunidades inseridas em contextos de extrema degradação psicológica, por causa da pobreza excessiva, da criminalidade, da falta de motivação pelos órgãos públicos, ignorância absoluta dos pais, despreparo e falta de perspectivas de valorização para os professores não foram devidamente ressaltadas, e, afirmo que, algumas dessas posturas aqui descritas pelo autor são inatingíveis por completo nesses lugares, salvo alguns avanços, que infelizmente não serão suficientes para a democratização do ensino no país.
     Na segunda parte do livro, o autor fala sobre o ensino da língua Portuguesa nas escolas, que sempre atende a um padrão de manutenção do domínio dos ricos sobre os pobres, descaracterizando a criatividade sob a pretensa ideia de que eles, os ricos, são e sempre serão os detentores do saber.
     Esta prerrogativa existe sim, mas aos poucos caminhamos para um desvencilhar-se das amarras, já que a Educação no país passa por reformas que não tem mais volta. Os PCNs são de grande valia nesta trajetória, mas cabe ainda aos educadores uma reflexão mais ferrenha e questionadora dos objetivos reais de tal construção. Mais uma vez, cabe ao professor o papel de crítico primeiro da educação Nacional, e de indicação certeira dos caminhos que ele quer percorrer levando consigo sua maior jóia que são seus alunos.
     É possível ensinar-se a língua Portuguesa nas escolas considerando que ela não é estática, mas devemos ter cuidado com o excesso de liberdade para quem não está preparado para tal: valorizar a cultura falada em função de uma mobilidade da língua é uma coisa, mas permitir o caminhar sem rumo para o “tudo pode”, torna-se um tanto arriscado para pessoas que já não tem regras a serem seguidas. Quando falo em “regras”, remeto-me à questão da disciplina, da determinação, que são imprescindíveis para o alcance do sucesso em qualquer sociedade.
     Saber o que é certo, o que rege a norma culta da língua, permite ao detentor desse saber, moldar seu comportamento nos vários ambientes que estão à sua volta, e não o deixará a mercê da sorte, quando precisar competir com os mesmos que acham que se acham donos de todo o saber. (A gramática normativa é importante ). Conhecer as diferenças e poder flutuar pelo seu universo sabendo reconhecê-las, compreendê-las e aceitá-las no falar do outro, contribuindo para uma verdadeira interação social e distribuição do saber também é importante. ( Papel dos linguistas, ou cientistas da língua).
     As considerações são satisfatórias em relação ao livro. Ele, como tanto outros de teor linguístico, tentam evitar o preconceito social que existe contra um universo de falantes distinto como é o do Brasil. Contribui para refletirmos sobre novos caminhos de inserção dos menos favorecidos no universo da educação e das oportunidades.
Antonio Marques de O Santos
Enviado por Antonio Marques de O Santos em 21/11/2011
Código do texto: T3347532
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Marques de O Santos
Guarulhos - São Paulo - Brasil
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