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Verissimo Centenário

Nadir Silveira Dias

Esta é a Edição de n° 6 da Coletânea do Partenon, VERISSIMO CENTENÁRIO, aquela que antes era nominada de revista, em evocação à Revista Mensal do Partenon de 1868, embora de livro se tratasse, desde a sua re-fundação, em 1997.

Por isso mesmo, em sua página inicial, a Sociedade Partenon Literário, fase Século XXI, tem a honra de apresentar a sua Coletânea – Edição n° 6, grifando a importância de suas duas datas magnas:

1997 - 19 de julho – 2005, esta de sua recente re-fundação; fase Século XXI, e de
1868 - 18 de junho – 2005, sua fundação originária, o que repercute significativamente nesta Edição Comemorativa de 137 Anos.

Nesse contexto e mister, com a Coletânea VERISSIMO CENTENÁRIO, a Sociedade Partenon Literário saúda e se congratula com o Centenário do Nascimento de Erico Verissimo, a quem homenageia singelamente dedicando-lhe o título da obra e reproduzindo na capa o selo “O Contador de Histórias”, recentemente lançado, como bem se pode verificar na informação sobre a criação de sua capa:

Criação de Nadir Silveira Dias sobre o selo “O Contador de Histórias” – Emissão Mercosul: Erico Verissimo – Edital n° 9. Arte: Tina Velho. Foto: Leonid Stheliav. Processo de Impressão: ofsete. Folha: 25 selos. Papel: cuchê gomado. Valor facial: 1,25. Tiragem: 1.000.000 selos. Picotagem: 11,5 x 11. Área de desenho: 21mm x 29mm. Dimensões do selo: 26mm x 44mm. Data de emissão: 9/7/2005. Locais de lançamento: Parati/RJ, Cruz Alta/RS e Porto Alegre/RS. Impressão: Casa da Moeda do Brasil. Versão: Assessoria de Relações Internacionais/ECT. Sobre o selo: Na parte inferior do selo, em segundo plano, tendo como paisagem de fundo o pampa gaúcho, a artista apresenta personagens heróicos da trilogia épica “O tempo e o vento”, como Ana Terra e o Capitão Rodrigo. O casal passeando de mãos dadas representa Erico Verissimo e sua esposa, marcando a união do casal durante a vida literária do escritor. Em primeiro plano, na parte superior do selo, é apresentado o escritor trabalhando e a folha que cai da máquina de escrever traz impressa a frase final da trilogia “O tempo e o vento”. Foi utilizada técnica mista: desenho, fotografia e computação gráfica.” Correios

Ainda foi solicitado ao consagrado Luiz Fernando Verissimo um texto de abertura para a obra, à guisa de prefácio, que ainda não chegou, certamente por outros compromissos, acumulados em razão da sua recente viagem à França.

Por causa disso, desviou-se a homenagem, no ponto, ou acresceu-se, com a citação dos seguintes tópicos:

De: Nadir Silveira Dias
Data: quarta-feira, 5 de outubro de 2005 15:53
Para: Luiz Fernando V
Assunto: Prefácio para livro Verissimo Centenário - do Partenon Literário
Prezado Luiz Fernando
Obséquio confirmar se envias o texto de abertura - prefácio para a Coletânea n° 6 do Partenon Literário que - com o título VERISSIMO CENTENÁRIO - presta uma singela homenagem ao querido Erico. Abaixo ficha catalográfica e data lançamento e sessão autógrafos. Está indo para a Gráfica!
(...)
Sociedade Partenon Literário
Nadir Silveira Dias - Presidente
Fone 51 3266 4523
www.partenonliterario.fhp.com.br

“(...)
Dona Quitéria ergue-se, depois de dar duas palmadinhas consoladoras no ombro do suicida, e diz em voz alta, como quem se dirige a uma assembléia:
- Precisamos fazer alguma coisa!
Cícero Branco congrega os outros seis cadáveres:
- Companheiros, não é por estar morto que vou deixar de ser o que fui em vida: um advogado. Estive arquitetando um plano...
- Fale! - ordena Dona Quitéria.
- Qual é o nosso objetivo? O de sermos sepultados dignamente, como é de nosso direito e de hábito, numa sociedade cristã.
- O doutor falou pouco mas bem! - exclamou Pudim de Cachaça.
- Escutem com a maior atenção. Você aí, Joãozinho, aproxime-se e escute também. A idéia é simples. Amanhã pela manhã marcharemos todos sobre a cidade para protestar...
- Uma greve contra os grevistas! - entusiasma-se Dona Quitéria.
- Se o fim da marcha é esse - intervém Barcelona -, não contem com este defunto.
- Espere - diz o advogado, tocando o braço do sapateiro. – Usemos de todas as nossas armas. Primeiro, a nossa condição de mortos. Sejamos mais vivos que os vivos.
- Como?
- Impondo à população de Antares a nossa presença macabra. Se não nos enterrarem dentro do prazo que vamos impor, empestaremos com a nossa podridão o ar da cidade.
- Que coisa horrorosa, doutor! - diz Erotildes, ajeitando os cabelos num gesto faceiro.
- Por que não se põe em votação a proposta do Dr. Cícero? - pergunta o sapateiro.
- Bom - faz o advogado. - Não direi que aqui em cima estejamos numa democracia. Imaginemos que isto é uma... uma tanatocracia. (E os sociólogos do futuro terão de forçosamente reconhecer este novo tipo de regime.) Preciso saber se todos vocês me aceitam como advogado, caso em que terão de me passar uma procuração verbal para eu agir em nome do grupo.
Dona Quitéria sacode a cabeça num movimento afirmativo. Erotildes, Pudim e Menandro a imitam. Barcelona, porém, hesita:
- Primeiro quero conhecer melhor o plano.
- Simples. Descemos juntos pela Rua Voluntários da Pátria ruma da Praça da República. Lá nos dispersaremos, cada qual poderá voltar à sua casa... Para isso teremos algumas horas. O essencial (prestem a maior atenção!) é que quando o sino da matriz começar a dar as doze badaladas do meio-dia, haja o que houver, todos devem encaminhar-se para o coreto da praça, sentar-se nos bancos em silêncio e ficar à minha espera.
- E que é que você vai fazer? - quer saber João Paz.
- Vou primeiro à minha casa buscar uns papéis importantes...
Depois me dirigirei à residência do prefeito para lhe entregar um ultimato verbal... ou nos enterram dentro do prazo máximo de vinte e quatro horas ou nós ficaremos apodrecendo no coreto, o que será para Antares um enorme inconveniente do ponto de vista higiênico, estético... e moral, naturalmente."

O excerto acima é ponto nodal da obra INCIDENTE EM ANTARES, último romance de Erico Verissimo, sobre a qual, em homenagem ao Centenário de seu Nascimento, reproduzimos a síntese extraída do saite http://globolivros.globo.com:

"Dessa vez, abri a veia da sátira e deixei seu sangue escorrer livre e abundantemente", confessou o autor.

O livro: A ação de Incidente em Antares inicia-se na pré-história, no período pleistoceno, com seus gliptodontes e megatérios. Depois, dando um salto de um milhão de anos, a narrativa alcança 1831, data de fundação da imaginária cidade de Antares, situada ao norte de São Borja, às margens do rio Uruguai. Em toda a primeira parte de Incidente em Antares, o autor narra a história dessa localidade, bem como a das duas oligarquias rivais que a dominam política e economicamente por mais de cem anos, até chegar ao dramático "incidente" de sexta-feira, 13 de dezembro de 1963: a greve dos coveiros. A segunda parte, de muito menor duração cronológica, mostra o incidente propriamente dito e suas conseqüências. Os mortos insepultos adquirem "vida" e passam a vasculhar a vida dos parentes e amigos, descobrindo a extrema podridão moral da sociedade. Além do tom irônico e do caráter panorâmico, Incidente em Antares também inclui o elemento fantástico, aproximando a obra do realismo mágico latino-americano.

A sua história: Lançado em 1971, no apogeu da ditadura militar e do "milagre", Incidente em Antares reduz à sua verdadeira tacanhice a pseudograndeza de alguns "heróis" oficiais brasileiros. Erico Verissimo considera Incidente em Antares uma espécie de estuário em que deságuam várias de suas tendências e características como escritor. "Desta vez, abri a veia da sátira e deixei seu sangue escorrer livre e abundantemente", confessa ele. Essa edição tem o texto estabelecido pelo Acervo Literário Erico Verissimo da PUC-RS, sendo, dessa forma, o mais fiel possível ao texto escrito por Verissimo.

O que se diz: A professora Maria da Glória Bordini, coordenadora da reedição da obra completa de Erico Verissimo pela Editora Globo, afirma no seu prefácio à obra: "É assim que Incidente em Antares potencializa seu efeito chocante e seu esforço crítico ao Establishment brasileiro: põe a morte a ensinar a vida, mas mostra-a como inócua, pois os vivos não mudam... Antares, como microcosmo do Brasil, não remete a nada senão imobilidade, estagnação e cegueira: morte em vida para as elites e o povo."

Pela leitura da coletânea “VERISSIMO CENTENÁRIO” e pelo que consta na própria ficha catalográfica, tem-se que o livro não aborda apenas a poesia sul-rio-grandense, mas também e com maestria, igualmente a matéria prima de suas coleções, os escritores rio-grandenses, a própria história da literatura e do Rio Grande através das obras de seus associados, objetivando retratar, modo coletivo, o Rio Grande e a Pátria que o grande Erico Verissimo viu com tanta acuidade e esmero, e na própria projeção que imprimiu ao País com a sua atividade literária e com as suas conferências no exterior.

A obra tem a organização de Nadir Silveira Dias, e a elaboração da ficha catalográfica sob a responsabilidade de Ginamara Lima Jacques Pinto - CRB 10/1204.

Como corolário, significativo assinalar que hoje nos seus 137 anos, a Sociedade Partenon Literário apresenta a impar, a curiosa, a marcante e significativa condição de dispor de propriedades que ninguém mais desfruta, quais sejam, a saber:

1. Foi fundada antes mesmo da nossa atual e portentosa ABL;

2. Nos seus 137 anos completados em 18.06.2005 vivenciou e vivencia – na verdade – três séculos! O Século XIX, o Século XX, e o Século XXI! E agora ainda mais rejuvenescida pelo empuxo, pela impulsão que vêm imprimindo em suas atividades que se alargam Brasil afora, extravasando as fronteiras do Rio Grande, pelo conteúdo das obras que produz;

3. Mais significativo ainda é notar que – apesar de sua extinção, não formal, mas por falta de exercício de suas atividades a partir de 1885 – o Partenon Literário nunca deixou de produzir obras literárias, apesar dos seus 112 anos de interrupção das atividades; e

4. A sua atuação foi tão forte e marcante que desde então livros e mais livros, estudos, ensaios e trabalhos acadêmicos de graduação, especialização e mestrado vem sendo realizados com o objetivo de bem compreender a envergadura da atuação daqueles próceres de 1868.

Aos novos compete bem compreender que muito ainda é preciso fazer, e conquanto sob momentos sociais, políticos e vivenciais diversos, a atualidade sempre comporta avanços na melhoria de visualizações e comportamentos.

O lançamento da obra, Coletânea Literária "Verissimo Centenário", de autoria coletiva, Edição SPL n° 6, ocorrerá às 18 horas de 28.10.2005 no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo – O Tempo e o Vento Café – Mezanino, na Rua dos Andradas, n° 1.223, Porto Alegre, RS.

A Sessão de Autógrafos da obra, Coletânea Literária "Verissimo Centenário", de autoria coletiva, Edição SPL n° 6, ocorrerá às 15h30min - sexta-feira - 04.11.2005 no Memorial do Rio Grande do Sul – na 51ª Feira do Livro de Porto Alegre (http://www.feiradolivro-poa.com.br).

http://www.cpovo.net/jornal/a111/n46/html/15parten.htm

VERISSIMO CENTENÁRIO - livro coletivo de poesia, prosa, e , Coletânea n° 6  da Sociedade Partenon Literário, de 1868, re-fundada em 1997. Organizador Nadir Silveira Dias, encadernação termocosturada, 152 pp., 14x21, sem abas, ISBN 85-89401-37-5, 1ª Edição, 2005, Nadir Silveira Dias Editor, Porto Alegre, RS, Brasil.

Nadir Silveira Dias
Enviado por Nadir Silveira Dias em 06/10/2005
Reeditado em 06/02/2006
Código do texto: T57395
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Sobre o autor
Nadir Silveira Dias
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Nadir Silveira Dias