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Livro "As Meninas" - Lígia Fagundes Telles

A Pirâmide
Lígia Fagundes Telles, nasceu em São Paulo, mas passou a maior parte de sua infância no interior do Estado.Teve uma infância muito selvagem, sempre rodeada de animais e muito verde. Seus pais queriam que fosse declamadora, mas ficaram felizes por saberem que gostava de escrever.Para Lígia a função do escritor é “ser testemunha do seu tempo e da sua sociedade. Escrever por aqueles que não podem escrever. Falar por aqueles que muitas vezes esperam ouvir da nossa boca a palavra que gostariam de dizer. Comunicar-se com o próximo e se possível, mesmo por meio de soluções ambíguas, ajudá-lo no seu sofrimento e na sua esperança”.
   
O livro as meninas conta à história, de três jovens diferentes que vivem em um pensionato de freiras. É uma história narrada em flashback, pois toda ela é relembrada pelas meninas, desde namoros a conflito com os pais: “Ana Clara contou que tinha um namorado que endoidava quando ela tirava os cílios postiços, a cena do biquíni não tinha a menor importância, mas assim que começava a tirar os cílios era a glória (TELLES, 1983, p.10). Ana Clara, Lia e Lorena são os protagonistas da história e todas três possuem um drama, que é narrado por cada uma, por capítulos com uma linguagem jovial e esclarecedora e algumas vezes vulgar como veremos neste fragmento: “Então porque está assim gelada? Ahn? Parece que estou trepando num pingüim,você já viu um pingüim?” (TELLES,1983,P.29). É uma narrativa muito longa e exaustiva, pois suas histórias são muito entrelaçadas umas na outra, muitas vezes não permitindo identificar quem está narrando. Ana Clara é uma bela jovem, muito vaidosa, mais sem nenhum juízo, tem como o único objetivo de vida se casar com alguém milionário, e ter tudo o que quiser, compraria o que bem entender, mais nisso ela mergulha em uma vida de noivados desfeitos e amantes, onde se envolve com bebidas, drogas e abortos: “Você tinha que ficar assim duro? Tinha? Agora preciso casar com outro, seu besta. Quero oriehnid, sabe o que é oriehnid?... (TELLES, 1983, p.44).
Lia é a mais diferente das três, é uma militante política, não tem nenhuma vaidade, e a pouca que tem é dada por Lorena. Tem um amor, mas este está preso, e por este amor ela é capaz de viajar o mundo. Lorena é a que tem melhor situação financeira, muito vaidosa com seu corpo, sonhadora, esperançosa e apaixonada por um médico, e vive a espera de seu telefonema: “Lião, Lião, ando tão apaixonada. Se M.N não telefonar, me mato”(TELLES,1983,p.13).
Deixando agora de falar dos personagens, gostaria de dizer que gostamos muito do capítulo 2, onde Ana Clara descreve uma de suas lembranças de infância, do dentista, ou melhor, Dr. Algodãozinho. Ela descreve tudo com uma imensidão de detalhes, principalmente quando ela põe a barata dentro do caldeirão de sopa borbulhante e serve para o dentista. Ela faz isso por ter uma grande repulsa por este homem. O livro deixa confusa esta parte, pois o Dr. Algodãozinho a estuprou ou não? Tendo feito isso ou não ela concentra uma grande raiva dele e se vinga desta forma, mais rapidamente ela volta para a sua realidade.
Os capítulos que deixaram a desejar foram os da menina Lia, pois não tem nenhum tipo ação, o capítulo 6 ainda tem alguns traços de romance, mas não tem vida é algo sem graça e até um pouco monótono, tirando o trecho de que Lia trai seu namorado com Pedro, o resto do capítulo é a descrição do ambiente em que eles estão e sobre como anda o engajamento político do grupo.
Tivemos uma enorme afeição por Lorena, uma menina amiga para todas as duas, emprestava dinheiro, ou melhor, oriehnid tanto para Ana Clara como para Lia, sabendo que este oriehnid não iria jamais voltar, mas sempre estendendo a mão amiga para ajudá-las. Mas há uma parte do livro muito confusa e que não nos deu uma compreensão total do texto. Lorena diz sofrer muito com a morte do irmão Remo, que descreve desta forma: “Ah, Rômulo, Rômulo. O sangue escorrendo do furo que mãezinha procurava tapar com a palma da mão, a camisa vermelha empalidecendo, recuando diante do sangue tão mais forte. Que foi isso, meu filho! ela perguntou e o som da sua voz era branco. Respondi por ele e minha voz também saiu de uma paisagem de neve sem sol. Fiquei me ouvindo repartida em duas: o Remo deu um tiro nele mas foi sem querer, aquela brincadeira de xerife, estavam perto do paiol e Rômulo corria para o rio, acho que ia mergulhar quando Remo fez pontaria e gritou pára! E nessa hora ouvi o tiro. Rômulo parou segurando o peito e veio vindo, foi sem querer; estavam só brincando, foi sem querer” (TELLES,1983,P.58).
Lorena fala de um modo real, fala do que sentiu e de como o acidente aconteceu e diz sofrer muito com a falta do irmão Rômulo. Mais quando Lia vai visitar a mãe de Lorena, ouve uma história completamente diferente: “- Aquela arvorezinha de retratos, o menino é Rômulo ou Remo?
- Remo. Rômulo não podia estar ali.
- Não?
- Morreu nenenzinho, querida.
- Nenenzinho?
- Não tinha nem um mês, não chegou nem a isso. O médico disse que ele não tinha viabilidade. Um sopro no coração” (TELLES,1983,p.207).
O livro não deixa implícito se quem está mentindo é Lorena com sua imaginação fértil, ou sua mãe com suas loucuras mentais.
Mas nenhum capítulo do livro se compara com o último, totalmente surpreendente, jamais pensamos que Ana Clara morreria, imaginamos um final feliz para cada uma delas com seus respectivos amores. Poderia dizer que o final foi perfeito, há não ser pelo fato de Lorena ter posto a mão várias vezes em Ana Clara para arrumá-la e quando a largou na praça, a polícia iria fazer uma investigação, assim achando as digitais de Lorena e de Lia que seria acusada.
         A autora utiliza uma técnica muito interessante, pois ao reservar os três primeiros capítulos a história particular de cada personagem, nos possibilitou um maior entendimento da personalidade de cada uma. Porém é um livro que se torna chato por ser muito longo e suas histórias serem confusas não nos permitindo identificar o narrador e com qual das meninas está se passando ocorrido e por retornarem ao mesmo assunto várias vezes, assuntos esses que muita das vezes não tem tanta importância para a história, causando um desinteresse e desânimo no leitor.
 
Bibliografia:
Livro: As meninas Círculo do livro. Editora Lygia Fagundes Telles













Mayna Nabuco
Enviado por Mayna Nabuco em 31/01/2008
Código do texto: T841487

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Sobre a autora
Mayna Nabuco
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 28 anos
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