CapaCadastroTextosÁudiosAutoresMuralEscrivaninhaAjuda



Texto

"CASAMENTO MATUTO PARA QUADRILHAS DE FESTAS JUNINAS (1)" Texto de: Flávio Cavalcante



1º Casamento matuto do ano de 1990



Arraiá “Oi eu aqui de novo”
Texto
De
Flávio Cavalcante



Direção:

Vicente da quadrilha






Roll dos personagens

Noivo - (Severino)
Noiva – (Zefa)
Mãe do noivo – (Maria Atabacada).
 Pai da Noiva – (Abrilho Rego Cabeludo).
Padre – (Cornoelho).
















O início da história, o padre está rezando, quando entra a cambada aos berros por dentro da igreja e o padre, delicadamente, toma o maior susto.

MARIA ATABACADA
(Aos berros). Meu nome é Maria Atabacada e comigo é curto e grosso...
PADRE CORNOELHO
(Delicadamente). Aiiii... Vocês querem me matar de susto, danados... Mundiça!
MARIA ATABACADA
(Debochada). Ih! Sei não, visse? Esse padre...
SEVERINO
(Com expressão de doente mental). O qui tem o padre, hein, mãe?
ZEFA
Oh home de Deus! Tu ouvi e faz qui não vê... Tua mãe tá falando tudo isso é proquê o padre tem jeito de bicha!
SEVERINO
Bicha é a mulé do bicho, é?
PADRE CORNOELHO
(Dá um gritinho histérico). Ihhhh! Aiii! Pára! Vocês querem parar com essa história, cambada? Já tá até me dando gastura, oh!
MARIA ATABACADA
(Com raiva). Arrepita pra ver se eu entendo... E deixa de cunversa feia pro que eu tô aqui pra arresorvê um pobrema sero e quero vê seu abrilho rego cabeludo, dizer que tá contra eu... Proque o pau vai cantar e num vai parar mais!
ZEFA
(Com raiva). Epa! Peste da gota encaibada! A senhora tá ficando doida, é? Meu pai pode ser tapado, mas... Eu sou é aberta... E quando eu me invoco... Eu me arreganho toda pra quebrar a cara duma sujeita de sua maica...
PADRE CORNOELHO
(Repreendendo). E que conversa é essa na minha santa madre igreja? E também uma santa como eu... Ouvindo uma coisa dessas!
MARIA ATABACADA
(Decidida). Eu tô aqui proque essa quenga tirou a virgindade do meu fio e hoje ela casa, mas, nem que eu arranque os cabelo do meu... (Todos olham pra Mara Atabacada. Transição). Subaco... (O padre suspira forte. Pois pensou que ela ia falar alguma besteira).
PADRE CORNOELHO
Graças a Deus, senhor...
SEVERINO
E se eu num quiser casar, mãe?
MARIA ATABACADA
Tu casa assim mermo pra deixar de ser besta... (Transição). Falando baixinho). Tu num te alembra que véio é rico, Severino? Oxente, home! Severino... A mulé é feia, mas, o dinheiro é bonito... E vamo começar logo essa cerimônia logo, que eu já to cum os peitei batendo palma de tanta raiva dessa cachorra...
ZEFA
Cachorra é senhora mamãezinha...
SEVERINO
Mamãe... A Zefa chamou a vovozinha de cachorra...
PADRE CORNOELHO
(Com raiva). Com essa cachorrada... Eu não vou fazer mais casamento nenhum...
MARIA ATABACADA
(Aos berros). O que? Tu tá com a molesta ruim no coro, febre do rato... Tu vai fazer esse casoro, ou eu pego a peixeira e arranco teus quiba e meto uma espiga de milho na tua...
PADRE CORNOELHO
(Grita). Aiii... Repete...
MARIA ATABACADA
Eu arranco teus quiba...
PADRE CORNOELHO
Não... Isso dói... A outra parte...
MARIA ATABACADA
Eu meto uma espiga de milho na tua... Bunda...
PADRE CORNOELHO
Se é assim... Eu não vou casar... Eu não caso, não caso e não caso e pronto, tá?
MARIA ATABACADA
Então eu só vou cortar os teus quiba mermo...
PADRE CORNOELHO
Desse jeito eu vou ser obrigado a casar... Mas eu posso fazer um pedidinho especial?
MARIA ATABACADA
Fala logo, que nóis já perdeu tempo demais...
PADRE CORNOELHO
Por favor... A senhora faz a outra parte do prometido?
MARIA ATABACADA
Enfiar a espiga de milho?
PADRE CORNOELHO
Isso...
MARIA ATABACADA
Isso toda peste ajuda a fazer... Mas não sabia que o senhor gostava tanto... Eu faço com o maior prazer, sem pobrema... Mas, cumece logo essa foleragem...
PADRE CORNOELHO
(Delicadamente). Meus amantíssimos fiéis... Estamos todos aqui reunidos para oficializar perante Deus e os homens, o casamento, não é mesmo? E que Deus me perdoe... Unindo estes dois jovens representantes da fina flor de duas comunidades, unindo assim os moradores ele um homem do pau fino e ela das bêra larga, pelo santo laço do matrimônio, ajoelhado diante do altar... De um lado... Qual é a sua graça? (Com a noiva).
ZEFA
Zefa do buraco fundo do rego cabeludo...
PADRE CORNOELHO
... E do outro... (Com o noivo).
SEVERINO
Severino José da Purificação Sebo Donzelo da Cuia de mamãe cheirá...
PADRE CORNOELHO
Valei-me meu Deus! Parece nome de ladrão de cavalo...
MARIA ATABACADA
Cavalo é o seu pai, padre Cornoelho...
PADRE CORNOELHO
Tenha prega na língua e respeite o meu velho, dona Maria das tabacas...
MARIA ATABACADA
... Atabacada... E não me deixe nervosa... Continue com cerimônia...
PADRE CORNOELHO
E do outro lado... (Pause. Transição). Dona Maria... Fale a sua graça...
MARIA ATACABADA
Oxente, home... E tu num sabe a minha graça?
PADRE CORNOELHO
Mas tem que falar... Faz parte da cerimônia...
MARIA ATABACADA
Frescura! Mas se é assim tudo bem... Minha graça é Maria Atabacada e comigo é curto e grosso...
PADRE CORNOELHO
(Delicado). Senhor tenha piedade de mim... (Transição). E o pai da noiva...
ABRILHO RÊGO
Abrilho rego cabeludo, seu criado...
PADRE CORNOELHO
Então vamos iniciar o casamento... E o senhor aceita esse casamento assim de bom grado?
ABRILHO REGO
(Com a Maria Atabacada). Na mão dessa mulé, quem tá doido dizer que não aceita? Oi, seu pade... Ela diche qui bete neu se eu num aceitar...
PADRE CORNOELHO
Bem empregado... Então ele tem a honra de dar a mão e tudo da filha dele pra este rapaz, que teve a graça de Deus de ser abestalhado e perante todos vocês, eu, o padre Cornoelho, autorizo mesmo sem querer, mas, autorizo assim mesmo e permito que ele enfie o dedo... Na aliança dela... E ela meta o dedo na aliança dele... Não é mesmo? E o senhor Severino José da Purificação Sebo donzelo da Cuia de mamãe cheira... Aceita a senhorita Zefa do buraco fundo do rego cabeludo como a sua legítima mulher?
SEVERINO
Oh mãe... O qui eu digo, hein?
MARIA ATABACADA
Aceito...
SEVERINO
É isso aí, seu pade... Eu aceito...
PADRE CORNOELHO
E a senhorita da beira largas... Aceita o senhor Severino da purificação sebo donzelo da cuia de mamãe cheirar... Como seu marido e promete ser fiel a ele até a morte?
ZEFA
Nem morta, pade... Mas, nem morta eu vou prometer uma coisa dessas... Na primeira noite nem dormir cum ele eu vou... Vou taca-lhe 10 par dechifre na premeira noite... Na segunda eu boto mais 10 pra ele se orientar... E na terceira mais 04... Na quarta ele nunca mais vai querer saber de mulé na vida dele...
MARIA ATABACADA
(Furiosa). Cuma é a história? Zefa do buraco fundo do rego cabeludo... Tu por acaso tá querendo dizer que meu filho é Viado, é?
PADRE CORNOELHO
(Delicado). E o que é que a senhora tem contra os bichinhos?
ABRILHO REGO
(Espantado). Oia... O pade é do mermo time...
MARIA ATABACADA
E tu cala a tua boca pro que boca fechada num entra num entra mosquito e depois, pega a tua língua e bota no... Umbigo, né?
ZEFA
E eu não seio nem proque ainda tá cum essa confusão! Não era isso que a senhor queria que eu casasse com esse abestalhado? E então? Eu já casei... E o que eu dizer já tá dizido e pronto...
MARIA ATABACADA
E o que eu fazer já tá fazido e pronto, também... (Apontando a arma pra o Abrilho rego cabeludo).
PADRE CORNOELHO
Pára com isso, dona Maria Atabacada! Por acaso a senhora quer matar o homem? Mulher de Deus... Deixa disso... Já pensou se o homem morre? Num mais a senhora vai ver a fortuna... Coisa que os dois já estão casados...
MARIA ATABACADA
Quer dizer que ele tem direito as coisas dele, padre?
PADRE CORNOELHO
Sem dúvida nenhuma...
MARIA ATABACADA
Home... Entonse vamos comemorar... Viva os noivos...

-FIM -


CASAMENTO MATUTO

TEXTO: FLÁVIO CAVALCANTE
MÊS: JUNHO
ANO: 1992

Flavio Cavalcante
Enviado por Flavio Cavalcante em 17/06/2009
Código do texto: T1652970

Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Comentários

Sobre o autor
Flavio Cavalcante
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 45 anos
491 textos (285071 leituras)
31 áudios (3697 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/04/14 14:03)