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Jogos Teatrais (de Ingrid Dormien Koudela)

1. AUTOR E OBRA

KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos Teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2001, pp. 39-49.

Ingrid Dormien Koudela é  professora livre-docente de Didática e Prática de Ensino em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Dedica-se ao desenvolvimento de projetos educacionais, ligados ao teatro, junto à Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e Faculdade de Educação da USP. Koudela também é escreveu “Jogos Teatrais e Brecht: Um Jogo de Aprendizagem”, além de ter traduzido importantes obras no campo teatral e ter introduzido, no Brasil, os métodos de Viola Spolin. (PERSPECTIVA, 2001, Online)

Atualmente, no desenvolvimento de pesquisa que envolvem teatro e educação, destaca-se o trabalho de Koudela, relativos aos jogos teatrais. Em Jogos Teatrais, trabalho publicado pela editora Perspectiva, baseando-se nos pesquisadores Spolin, Piaget e Languer, a autora apresenta uma sistemática de trabalho de importante aplicabilidade no processo didático, pois visa servir de orientação aos professores que desejam reinventar os seus meios de ensino a partir de bases estruturais. (PERSPECTIVA, 2001, Online)


2. SÍNTESE DA OBRA

Segundo informações de KOUDELA (2001), a década de 1960 marca o início da reinvenção do teatro. Diversos grupos se colocaram a desenvolver novas técnicas de comunicação a partir de workshops. Deste processo experimental surgiu as técnicas de “Jogos Teatrais”, de Viola Spolin.

O sistema de Spolin é apresentado em Improvisation for the Theater (1963)  e Theater Game Files (1975), este último escrito em forma de fichário cujas partes podem ser estudadas de forma independe e em diferentes seqüências. Enquanto Improvisation ainda traz muito do teatro formal (preparações para montagens), Theater Game é totalmente voltado ao jogo da improvisação, sendo que o objetivo é transmitir um sistema de atuação que pode ser desenvolvido por todos aqueles que desejem se expressar através do teatro.

Em Improvisation, a organização de cada jogo é apresentada de forma sistemática e a explicação classificada em: preparação; descrição do exercício; instrução; avaliação; notas; áreas de experiência. Já o corpo dos Theater Game está dividido em: seleção de jogos teatrais e jogos tradicionais; seleção de jogos teatrais acrescido de estrutura dramática; seleção adicional de jogos teatrais.

KOUDELA (2001) informa que Spolin tinha por intenção atingir professores e leigos em teatro, com o objetivo de promover a utilização do jogo em qualquer situação de aprendizagem. A nova didática, desenvolvida por Spolin, pode oferecer uma contribuição importante, pois permite libertar-se da preocupação de organizar as exposições somente com base na seqüência de informações a serem transmitidas dentro de uma ordem sucessiva.

Para Spolin, com base no conceito de Foco, voltado para os pontos essenciais a serem comunicados aos alunos, é possível alterar a própria organização da matéria, pois por meio do envolvimento criado pela relação com o jogo, desenvolve-se liberdade pessoal dentro do limite de regras estabelecidas e cria-se técnicas e habilidades pessoais. “À medida que interioriza essas habilidades e essa liberdade ou espontaneidade”, o indivíduo “se transforma em um jogador criativo”. (KOUDELA, 2001, p.  43)

A autora ressalta ainda que os jogos possuem caráter social e baseiam-se em problemas a serem solucionados, ou seja,  é o próprio objeto do jogo. “As regras do jogo incluem a estrutura (onde, quem, o que) e o objeto (foco) mais o acordo de grupo”. (KOUDELA, 2001, p.  43)

Destacando as palavras de Spolin, a autora esclarece a diferença entre jogo dramático e jogo teatral:

"Como o adulto, a criança gasta muitas horas do dia fazendo jogo dramático subjetivo. Ao passo que a versão adulta consiste usualmente em contar estórias, devaneios, tecer considerações, identificar-se com os personagens da TV etc., a criança tem, além destes, o faz-de-conta onde dramatiza personagens e fatos de sua experiência, desde cowboys até pais e professores. Ao separar o jogo dramático da realidade teatral e, num segundo momento, fundindo o jogo com a realidade do teatro, o jovem ator aprende a diferença entre fingimento (ilusão) e realidade, no reino do seu próprio mundo. Contudo, essa separação não está implícita no jogo dramático. O jogo dramático e o mundo real freqüentemente são confusos para o jovem e - ai de nós – para muitos adultos também". (SPOLIN APUD KOUDELA,  2001, p. 43-44)

Já nas palavras de KOUDELA (2001, p. 44), “o processo de jogos teatrais visa efetivar a passagem do jogo dramático (subjetivo) para a realidade objetiva do palco”. Entende-se, portanto, que o jogo teatral é um processo que tem por objetivo gerar uma nova realidade. A autora conta que para Spolin a criança, dos sete/oito anos de idade em diante, já conta com capacidades que lhes permitem expressar-se através da linguagem artística do teatro. Desta forma, a transição entre o jogo dramático infantil (ou jogo de faz-de-conta) para o jogo teatral é comparável à “transformação do jogo simbólico (subjetivo) no jogo de regras (socializado)”.

No jogo teatral, se busca pela solução do problema de atuação, ou seja, é realizado um esforço para se atingir o estado de acomodação. Assim, “a improvisação de uma situação no palco tem uma organização própria, como no jogo, pois se trabalha com o problema de dar realidade ao objeto”. (KOUDELA, 2001, p. 44)

KOUDELA (2001) destaca as palavras de Hans Furth para explicar a passagem do jogo dramático para o jogo teatral:

"A principal diferença entre o jogo simbólico da primeira infância e a representação improvisada está na aplicação controlada de esquemas cognitivos no exercício de todas as partes do corpo, em cada movimento e em cada seqüência de comportamento. As próprias crianças são as primeiras a perceber a diferença entre a brincadeira fantasista e a representação intencional. Da mesma forma como nos exercícios de pensamento as crianças não brincavam de pensar, mas estavam seriamente empenhadas na tarefa de pensar, também na representação não simulam mas dão vida aos objetos".  (FURTH APUD KOUDELA, 2001, p. 45)

No sistema de jogos teatrais, através do Foco, ou ponto de concentração do ator, nota-se a possibilidade de se trabalhar com o significado do gesto, uma vez que a delimitação do campo de jogo leva ao nível de concentração que, por sua vez,  garante o envolvimento do participante.  Desta forma, a função que o jogo cumpre pode ser entendida como uma estratégia para se atingir objetivos específicos.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As informações de KOUDELA (2001) podem ser complementadas pelos estudos de SLADE (1987) e de BRUHNS (1993).  O primeiro, em sua obra, apresenta as conclusões de seus estudos relativos ao teatro infantil e trata justamente da transição entre o jogo dramático infantil e o jogo teatral entendido pelos adultos. Já BRUHNS (1993) dispõe-se a analisar as relações entre o jogo e os fatores de ordem social e cultural.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRUHNS, H. T. O corpo parceiro e o corpo adversário. Campinas: Papirus, 1993.

EDITORA PERSPECTIVA. Disponível na Internet em <http://www.editoraperspectiva.com.br>  Acessado em 16.06.2007.

KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos Teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2001, pp. 39-49.

SLADE, Peter. O Jogo Dramático Infantil. São Paulo: Summus, 1987, pp. 17-24
Angela Floriano
Enviado por Angela Floriano em 25/07/2007
Código do texto: T579253

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Sobre a autora
Angela Floriano
São Paulo - São Paulo - Brasil, 42 anos
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Angela Floriano



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