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A BARRAGEM


Tantos anos à margem deste rio
arfei de sol a sol, desesperado!
Plantei... Colhi... O solo, bem cuidado,
jamais deu fruto que alcançasse o estio...

Como o guerreiro que não perde o brio,
ou como o arauto que apregoa o fado,
meu pai nasceu, morreu no seu roçado,
andei os passos que meu pai seguiu.

Vem agora a barragem, tudo inunda,
e eu perco tudo — o chão, a casa oriunda
da herança honrada que deixou meu pai.

E vou... E vou... Aonde irei, meu Deus,
sepultar o meu fim, os dias meus,
e a dor enorme que o meu peito esvai.
 
João Justiniano
Enviado por João Justiniano em 04/03/2006
Código do texto: T118675

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Sobre o autor
João Justiniano
Salvador - Bahia - Brasil, 96 anos
619 textos (19607 leituras)
13 e-livros (1027 leituras)
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João Justiniano