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Ah, Poesia...

Espevitada, porque fazes assim? Elevo envaidecido
pelo seu melódico falhar, trazido pra mim na brisa
soprando-me meigos versos dum poeta combalido
pela paixão inflamada na alma, e assim ele me alisa!

Ah, poesia, incita a vaidade no cântico sentido 
pervertendo a noite, persuadindo estrela acinesia
Vertendo orvalho a apaziguar crispando em rido
A aragem aluindo a sugar sapiente esta poetisa...

Ah, poesia tenha pena mim! Não cobiço aleivosia,
Flutuando neste céu faiscado luzindo em delírio
O que ofertas, mascando a paixão que atem abasia.

Ah, poesia quem ama perdoa! Regozija em lírio
Inebriado . E sonha o amor nobre, sem hipocrisia,
oprimindo a existência, corroendo em cicio martírio...

“A Poetisa dos Ventos”
Deth Haak
21/ 72006



Obs: Aleivosia = perfídia;traição;aleive.
Acinesia = imobilidade; paralisia; intervalo entre a sístole e a diástole. Abasia = incapacidade para a marcha por incoordenação dos movimentos próprios. Cicio = rumor brando, semelhante ao que produz a aragem nos ramos das árvores; sussurro, murmúrio de palavras pronunciadas em voz baixa; defeito de pronúncia em que se troca o z em ss.


Deth Haak
Enviado por Deth Haak em 21/07/2006
Código do texto: T198916
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Sobre a autora
Deth Haak
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 57 anos
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Deth Haak