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O CORAÇÃO DO VELHO


O coração do velho é a mansidão do lago,
a angústia do passado, a lembrança do sonho.
Roído pelo tempo, é uma raiz, suponho,
exposta, ressequida, à procura de afago.

O amor que se lhe dê, pesa tanto em conforto,
que sendo uma migalha, é por milhões que vale.
Se quer vê-lo feliz, do futuro lhe fale,
se quer vê-lo sofrer, lembre o passado morto.

Consente em rir e é sol, tão só porque lhe apontem
a gota de ilusão que a velha angústia acalma,
chora o belo perdido, as mágoas que se contem.

O coração do velho é a sensitiva da alma,
que marca desolada e triste, o riso do ontem,
tem lembrança e não fé, já não espera a palma.

                          São Paulo, 11.04.90.

João Justiniano
Enviado por João Justiniano em 26/10/2006
Código do texto: T274408

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Sobre o autor
João Justiniano
Salvador - Bahia - Brasil, 96 anos
619 textos (19611 leituras)
13 e-livros (1027 leituras)
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João Justiniano