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CONFISSÃO


Sou poeta, desses que se escondem,
cercado de porções, provetas, alfarrábios;
a todo instante o tempo vai tecendo
cada um dos sulcos dos meus lábios.

Eis que trago em cada movimento
um cântaro enchido de ofertório.
Sou poeta, amigo, sou poeta,
desses poetas de laboratório.

Porém, meu supercílio esquerdo
é testemunha dessas inventices;
as fórmulas estão engavetadas

não acreditem em nada do que eu disse...
meu verso recém-feito se espreguiça
nas minhas longas mãos ensangüentadas.
Enzo Carlo Barrocco
Enviado por Enzo Carlo Barrocco em 30/06/2005
Código do texto: T29542
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Enzo Carlo Barrocco
Belém - Pará - Brasil, 56 anos
733 textos (134416 leituras)
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Enzo Carlo Barrocco