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GÊNESE


31.07.79
O espaço indefinido, o caos, o nada,
Deus somente pairando no vazio.
O seu poder supremo, como em cio,
pede fecundação, quer escalada.

Pressente coisas, mundos incontáveis
do ainda em ser, do imaginado apenas,
como se a mente abrisse-lhe as antenas
de todos os possíveis, realizáveis...

Deus, quem é? A energia? A força bruta?
O grito, a mão, o pensamento em luta?
Ou nada e o tudo, a eterna evolução?

A síntese da luz, talvez semente,
natureza talvez - ou Deus somente,
Poder Supremo de Fecundação.

II
31.07.79

Primeiro cria a terra e o mar, estrelas,
rios e lagos, tempo - a noite e o dia.
As tempestades, só por não contê-las,
aves e feras - o que mais queria.

Pairando no alto a vê-las e revê-las,
coisa por coisa - o Criador sorria
à beleza da lua e das estrelas,
da terra verde, quando sol nascia.

- Quem há de comandar tanta beleza,
ter o conforto e a paz da natureza,
ser o peão da forma estrutural?

Pensa em Adão e Eva, e, de repente,
a idéia de futuro. Na serpente
abre os caminhos para o Bem e o Mal.

III
31.07.79

Agora é o Paraíso - ócio e lazer,
toda a fartura em alimento e água.
Nem tristeza nem dor, nenhuma mágoa,
nenhum cuidado e nada que fazer.

Eva sorri, Adão passeia, explode
toda em deslumbramento a terra vasta.
Não há nos animais espécie ou casta
que não se irmane quando o mar sacode.

Chega a serpente a Eva, chora e ri-se,
pedindo-lhe a atenção. Esta lhe disse:
- que me quer a irmãzinha, em riso e dó?

- Sentiste, acaso, o gosto da maça?
- Não, que o Senhor proibi. - Ora, irmã,
é que o Senhor a quer para Si só!...

IV

Sabedoria humana. Abel. Caim.
Suor amassando pão. Dura labuta.
População crescendo. Homens em luta.
Tempo multiplicado. Bom e ruim.

Vida rural primeiro. O manso boi.
Cabrito. Cabra. A galinha d' angola.
O aglomerado humano. A igreja e a escola.
O invento do dinheiro que assim foi.

A exploração do homem pelo homem
que um ao outro em ódio se consomem.
A vida flui e reflui. Luxúria e jogo.

Fervilha gente. Em pouco vem a guerra.
Canhão e bomba atômica. Não erra
quem diz que o mundo há de acabar-se em fogo.
 
João Justiniano
Enviado por João Justiniano em 24/11/2006
Código do texto: T299779

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Sobre o autor
João Justiniano
Salvador - Bahia - Brasil, 96 anos
619 textos (19607 leituras)
13 e-livros (1027 leituras)
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João Justiniano