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Lembrança remida


Matei a prima lagartixa em Teresina.
Andava, coitada, no muro do quartel.
A pedra mais certeira que a levou pro céu;
impregnou seu sangue na minha retina.

Era uma fêmea lagartixa, inda menina,
talvez a esperar seu doce namorado.
E eu, que era um bom menino sem pecado,
não pude compreender a alma feminina.

Matei mais uma lagartixa em Olinda.
Andava, a pobre coitada, entrevinda,
a rastejar-se nos recifes de corais.

Creiam-me! Eu também morri junto com elas;
e hoje sobrevivo de acender as velas
para lagartixas que não existem mais.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 07/10/2005
Código do texto: T57724
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Herculano Alencar
São Paulo - São Paulo - Brasil, 62 anos
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Herculano Alencar

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