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A comitiva

                      I
Irrompe a aurora em rústica oferenda
e a divina canção sai do berrante
cortando pelo brando e azul distante,
para espertar a todos na vivenda.

Aos pinchos, um a um, em careta horrenda,
peões encilham com ação vibrante,
bravos corcéis para o marchar pujante
na condução do gado da fazenda.

Há nos currais inquietações e empurros...
Excita-se o rebanho em berros e urros,
numa algazarra assídua e coletiva.

Lá na cozinha o aroma prazenteiro
do café e do arroz-de-carreteiro,
“quebra o torto” e prepara a comitiva...

                    II

Sinuelos vão à frente da boiada,
em direção do pantanal extenso
agitando o capim e a água parada,
ao longe avistando o áureo astro suspenso.

E assim, vivo tapete, branco e imenso,
lastra-se e alveja a matinal jornada
entre os cerrados recendendo a incenso,
onde gorjeia em festa a passarada...

Nunca aos sentidos um singelo ruído
de cascos e mugidos sobre a terra,
foi tão doce ou sublime, ou mais querido.

E um fresco e penetrante odor descerra
do pó lançado pelo chão batido
e percorre todo o ar, do vale à serra...
Reginaldo Costa de Albuquerque
Enviado por Reginaldo Costa de Albuquerque em 11/10/2005
Reeditado em 04/04/2010
Código do texto: T58607
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Sobre o autor
Reginaldo Costa de Albuquerque
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 53 anos
114 textos (11133 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 20:51)
Reginaldo Costa de Albuquerque