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APENAS UM POEMA - soneto

APENAS UM POEMA
Lilian Maial



Enquanto a noite em mim cavava
crateras, nos olhos submersos,
nenhuma vã gota rolava
nas linhas do dia que eu meço.


Na cama do tempo, eu deitada,
em dúbias linguagens, tu imerso;
sou fera, que em mudez urrava,
és poeta, nas rimas disperso.


Pois amo-te assim, como amava,
por este amor-luz me entregava.
Embora esquecendo o que peço,

Tu fazes amor com as palavras,
te deitas com as letras molhadas,
enquanto te enxugo, eu, teu verso.


***************
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 06/11/2005
Reeditado em 14/04/2006
Código do texto: T68064

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Sobre a autora
Lílian Maial
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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