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CALAM-SE TODOS



Calam-se as vozes em orações, calam-se as vozes.
Caladas as dores atrozes em secos soluços, mudos.
Calados os gritos dilacerantes, sob jugo dos algozes.
Na calada da noite emudecem os cruéis, os escusos.

Calaram-se os senhores depois de libertos os escravos.
Calam-se os vencidos ante o conchavo dos vencedores.
Calados jazem os oprimidos sob o látego dos agravos.
Na surdina agem os torpes, calando todos os clamores.

Calou-se a voz do defensor, perante a lei mais injusta.
Calaram-se os anjos, meu Deus, entre os estertores
dos homens cujo calar consentido até os assusta.

Calados presenciam o embate, terra e céus, sabedores
do calar sacrílego em omissão e o quanto isso custa.
Calaram-se todos, fez-se o silêncio então prenhe de dores.
Liane Furiatti
Enviado por Liane Furiatti em 05/10/2007
Reeditado em 19/01/2009
Código do texto: T682315
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Liane Furiatti
Curitiba - Paraná - Brasil
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Liane Furiatti