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A Correlação da Boêmia com a Literatura

 


           O dicionário Aurélio explica que boêmia significa vadiagem, pandega, ociosidade. Contudo essa afirmação esta evidentemente incompleta, pois algumas vezes esta atitude tem uma razão, um objetivo concreto. A vida social noturna, promíscua e regada a àlcool serve como inspiração criativa para muitos artistas. Neste caso, a penumbra e as luzes coloridas, a fumaça dos cigarros, os bafos de cervejas, a conversa descompromissada e as mulheres são instrumentos propulsores para a elabaração de um livro, de tal forma que se forem suprimidos tais intelectuais não conseguiriam escrever nenhuma página. O universo criticado por grande parte da sociedade até nos dias de hoje é a paixão desses homens. E por conseguinte a censura e a dissolução deste cenário condena todos esses parasitas da noite à morte, pois assemelham-se à animais de hábitos noturnos que precisam da noite para as suas subsistências.

            Tal costume existe há vários séculos mas ficou mais evidente no séc. XIX com o advento do Romantismo, escola literária que invadiu todo o mundo ocidental. O ápice da boêmia ocorreu justamente com o grupo de escritores românticos adeptos do pensamento "Spleen", aqui no Brasil mais conhecido como "Mal do Século", os quais foram influenciados profundamente pelos textos de Lord Byron e Musset. É uma Literatura impregnada de egocentrismo, negativismo, pessimismo, dúvida, desilusão adolescente e tédio constante. Cujo tema principal foi a fuga da realidade.

             Atualmente ainda existe uma corrente que apóia a boêmia intelectual como artificio criativo. No entanto, ela não é tão relevante quanto antes. Mesmo porque abraçar a boêmia é renunciar a vida familiar, ao trabalho, a boa imagem e consequentemente ser descrimanado como se fosse apenas um vagabundo, como o próprio Aurélio severamente rotulou no início desta resenha. Portanto, eu pessoalmente prefiro ficar com afirmação um pouco radical mas de fato fundamentada e eficaz do escritor pernambucano Raimundo Carrero colocada no seu livro " Os Segredos da Ficção ": " Você não deve beber, não deve fumar, não deve se drogar, pois para escrever você vai precisar de todo o seu cérebro. "

 
Fábio Pacheco
Enviado por Fábio Pacheco em 29/03/2006
Código do texto: T130279
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Sobre o autor
Fábio Pacheco
Recife - Pernambuco - Brasil
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Fábio Pacheco