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OS AUTOS DE ANCHIETA

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OS DEMAIS AUTOS

 

Auto da Pregação Universal

Desse auto, existem apenas alguns fragmentos, o que torna difícil a sua comprovação, até mesmo o significado do título é conjectura.

Segundo alguns historiadores, esse foi o primeiro auto escrito por Anchieta, por encomenda de seu superior Manuel da Nóbrega, por ocasião do Natal de 1561, e representado pela primeira vez no colégio da vila de São Paulo de Piratininga. O Padre Serafim Leite data-o entre 1567 e 1570. Ainda, segundo os historiadores, o auto é uma primazia de composição e foi à peça mais encenada por toda a costa brasileira nos anos seguintes

Quanto ao título três hipóteses explicariam o nome: foi escrito em tupi e português, podendo alcançar todo o público da época, justificando, assim, a universalidade da pregação. Lendas misturam-se à notícia de sua representação, contribuindo para a áurea de santidade que envolve o autor. Durante a encenação, feita ao ar livre, no terreno da capela, uma tempestade ameaçava desabar sobre o local. Mas nada consegue perturbar aquele grupo de meninos índios, em volta da batina negra de José de Anchieta. No ar há cheiro de tempestade, mas os garotos estão com os olhos pregados a um tablado enfeitado de folhas de bananeiras. Lá três de seus companheiros representam uma cena de conversão: um de blusa branca é o bem; o outro de blusa vermelha é o mal; e o terceiro de blusa azul, puxado ora por um, ora por outro é o jovem a dar os primeiros passos no caminho da conversão.

Nem os relâmpagos que riscam os céus os intimidam, nem os trovões com seus estrondos os assustam, nem a ameaça da chuva grossa os amedronta. Eles estão todos muito interessados, fazendo teatro, e o espetáculo não podem parar.

Somente após o fim do espetáculo, que durou aproximadamente três horas, caíram as águas.

 

Na Festa de Natal

É o auto Na Festa de São Lourenço resumido. Anchieta reduziu as cenas e os personagens, da seguinte maneira:

Foram retirados do elenco os santos e imperadores romanos. Os textos concentram-se em Guaixará, Aimberê e Anjo. O debate fica, então, entre os representantes das forças infernais e o emissário de Deus, pólos antagônicos em que oscilam as vidas humanas. Os demônios dificultam os Reis Magos a encontrarem a manjedoura onde se encontra o Salvador. Este auto é em sua maioria escrito em Tupi,

Os três Reis Magos, que acompanham sempre a cena do presépio, são conduzidos pelo Anjo. Todos os diálogos são em tupi, por razões óbvias de catequese, até a Dança Final dos Reis, que é trilingüe.

Na Literatura Medieval, não se fazia juízo de valor um texto ser original ou não. Autores plagiavam uns aos outros, e a repetição de temas, processos, não invalidava a obra.

 

Na Vila de Vitória ou de Auto de São Maurício (1595)

Foi representado, como de hábito, no adro da Igreja de São Tiago por ocasião da chegada de um grupo de missionários europeus com destino ao Paraguai. Por esse motivo, a peça parece estar dirigida a um público feito exclusivamente de colonos, uma vez que faz muitas referências a acontecimentos  recentes das sociedades portuguesa e espanhola, além de mencionar os conflitos envolvendo colonos e índios. A apresentação tinha, em seus três atos, ações bastante complicadas decorrentes do fato de ser crivada de personagens alegóricas: o Mundo e a Carne (os dois demônios), a Cidade de Vitória (uma nobre dama), o Governo (um senhor muito digno), a Ingratidão (uma bruxa), o Amor a Deus, o Temor a Deus, São Vitor e o Embaixador do Prata (cujo objetivo era levar as relíquias de São Maurício, cujo martírio é narrado na encenação).

 

Em Dia de Assunção (1590) - O Teatro como Forma de Oração

Anchieta usou, também, o teatro, para servir como uma forma de oração. Veja esta fala indígena: “Estamos aflitos com a moléstia do Padre. / Vem, mãe de Deus, / saná-la depressa”.

 

Na Visitação de Santa Isabel (1597?)

Considerada última obra do jesuíta, é um diálogo em espanhol que narra o encontro da Virgem Maria com sua prima, Isabel (mãe de São João Batista). Santa Isabel esta sentada numa cadeira, na capela, antes de começar a missa, quando um romeiro castelhano entra para visitá-la. Os demônios já foram expulsos, e prevalece o lado piedoso e sereno de quem está preste a se despedir das lutas humanas.

Finalizada por uma procissão solene, a encenação era para celebrar a construção de uma Santa Casa de Misericórdia, com data e local de representação obscuros.

 

Concluindo

O caráter festivo das representações, realizadas em datas especiais, mobilizava todos os habitantes das aldeias e recebia total colaboração de todo o burgo. Havia sempre um registro surpreendente de espectadores. Mulheres não figuravam no elenco, supõe-se que quem as representava eram homens caracterizados. Ensaiados pelos padres, os índios incumbiam-se da representação dos mais diversos papéis. A natureza, onde quer que estivesse, seria plano de fundo à representação. ®

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Ajudaram na elaboração do texto:

Carlos Mendonça, História do Teatro Brasileiro.

Múcio da Paixão, O Teatro no Brasil.

Sábato Magaldi, Panorama do Teatro Brasileiro.

Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquer comentário.

Se você encontrar erros (inclusive de português), por favor, me informe.

Ricardo Sérgio
Enviado por Ricardo Sérgio em 23/07/2006
Reeditado em 30/01/2008
Código do texto: T200184

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Sobre o autor
Ricardo Sérgio
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 69 anos
1281 textos (21189156 leituras)
7 e-livros (8549 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 18:50)
Ricardo Sérgio