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Analise de texto romântico

Aquela casa triste...  (Camilo Castelo Branco)
                               Lena Leal

O momento histórico em que vive Portugal influencia nos escritos do autor, que faz parte da 2a geração romântica, inspirado em Lord Byron, da Inglaterra. Percebemos nesta obra a presença do “mal do século”, que era idéia pela morte, doenças românticas, morrer de desgosto, esse mal se espalhou por entre os jovens da época.
O romance inicia-se pela observação do narrador  a um castelo em ruínas e é  quando o narrador vê também uma casa construída no monte, encomendada por um Africano, o qual dizem ser Duque. Nesse momento podemos perceber a ironia do narrador ao nos falar  da origem da riqueza  de ambas as construções, pois o castelo tem mão escrava, isso é claro pela época histórica da construção, já a casa no alto do monte ele deixa implícito que a origem da fortuna que a construiu pode ter sido o trafico de negros. No parágrafo 18 lemos: “...a industria da lança que atirou da índia para ali, na ponta ensangüentada, a pedraria dos reis de Chaul, de Calecut e Mombaça. Ergue-se o novo palácio para assinalar à posterioridade  que o peito moderno lusitano é ainda ilustre empreendedor...”
A narração inicia-se pelo desfecho, que é o funeral do  pai e da filha. Só após  esse final triste, o narrador faz  a exposição detalhando o ambiente, desde a construção que se ergueu do alicerce, bem cimentado, encomendado pelo Africano, que veio como mercador bem sucedido para construir uma bela casa, sonho de sua filha, que viajou pela Europa, e viu casa semelhante. O pai deseja também descansar da dura . No parágrafo 21: "Irei fazer a casa no alto do monte... E eu descansarei desta labutação em que pude granjear mais que preciso ao teu passadio..."
O Africano, deixa a casa  em fase de acabamento e volta à África para vender seus bens e trazer sua filha. Na viagem de volta acontece um naufrágio e todas as suas riquezas perdem-se no mar.  No parágrafo 44 o Africano vê-se perdendo todos os seus bens: "...o meu suor  de quarenta anos, os meus duzentos contos de réis não se salvam?..."
Antes do naufrágio, porém, por deslize do pai, Deolinda conhece um jovem e enamora-se por ele, este morre no acidente ao mar. Os detalhes do jovem aparecem no parágrafo 55 "Era um homem de trinta anos... não lhe sei o nome...". No parágrafo 58 vê-se que Deolinda fica fascinada pelo homem: "Desde essa hora da noite estrelada em que ela ouvira palavras nunca ouvidas, ascendeu-se no coração combustível da mulata o fogo que costuma purificar as culpas do homem amado...".
Em Portugal, tudo pronto para a chegada do duque e sua filha, mas eles como estão pobres atracam em outra praia, fugindo da grandiosa festa, para eles, preparada.
Nesse momento do conto, o narrador faz um flash-back, com uma história falando da burguesia e tem como personagem uma jovem de vida fácil que após receber a fortuna de um pai, que a ignorou durante toda a vida. E agora é aceita pela sociedade. Fica claro que o narrador quer nos passar a falsidade da burocracia portuguesa.
Assim o Africano fez bem em  não desembarcar  com a filha no locar onde eram esperados com uma bela recepção, pois poderia até mesmo ser ignorados pelos anfitriões, quando soubessem que perdeu tudo  no naufrágio.
Sua filha Deolinda  cai doente com aneurisma, desenganada pelos médicos de Coimbra, tem pouco tempo de vida. O Africano não acredita que Deus o houvesse castigado e  ora no leito da filha moribunda.
Vão à casa apalaçada de Ruivãs.  Os vizinhos quando percebem fazem uma recepção, mas  o Africano sai com a filha à janela, agradece, entra, os vizinhos ficam chateados. O feitor diz que ao amo  que deveria  recebe-los, mas o Africano enfim diz estar pobre. Os  vizinhos, ao ouvir do feitor que o Africano está pobre, saem com raiva.
Vivem ali por algum tempo até que, findando as economias, o Africano  resolve oferecem a  casa a um brasileiro que ali chegou e quer construir uma casa, pela metade do preço, desde que o deixe morar com a filha  seis meses e se não morrerem ele e a filha neste prazo dar-lhe-ia a casa. O brasileiro pediu explicações, o Africano explicou da doença da filha  e disse que também morreria. Então o brasileiro aceita a proposta.
O pai  piedoso  padece com a filha.
Por fim do quinto mês do contrato com o brasileiro Deolinda piora seu estado de saúde o pai chama o pároco, que lhe dá a extrema unção.  O pai está desesperado pois deseja morrer junto com a filha.
Deolinda confessa que estava apaixonada pelo homem na viagem, pede ao pai que dê como esmola, o que ficar ainda como bem, à mãe daquele rapaz. O pai fica desolado ao saber que a filha morre por um outro homem que não seja ele, que morre por ela. Neste momento percebemos que a  não aceitação do pai para com o amor da filha deixa bem claro que havia uma relação incestuosa pelo menos por parte dele.
O Africano desespera-se lamenta os  vinte anos que cuidou da filha, este um ano agonizando ao pé de sua cama, e morre.
Deolinda do leito de morte ouve o murmúrio do pai, pede ajuda a criada, deita-se sobre o pai morto. Vê todo o velório, o enterro, e por fim pede à Virgem compaixão  e morre.
O narrador encerra o conto observando a cena com a casa triste , e dizendo que  o brasileiro que a  comprou nunca lhe abriu  as janelas. Aquela casa triste permanece lá de janelas fechadas e o vestido que despiu o cadáver de Deolinda ainda pende da espalda do canapé em que ela morreu.

Lena Leal
Enviado por Lena Leal em 09/08/2006
Código do texto: T212769

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Sobre a autora
Lena Leal
Goianésia - Goiás - Brasil
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Lena Leal