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CONVÍVIO ENTRE AS GERAÇÕES!

“Um rosto sem sulcos é como uma folha de papel sem nada escrito”
A quem for este apresentado e conhecimento dele haja de pertencer:

Duas dúvidas empanam o meu intelecto, ainda em fase de maturação:
A primeira, versa sobre várias Comissões de Notáveis que julgam alguns prêmios ou concursos, constando em seus currículos que são especialistas em várias ciências e cátedras diversificadas ao assunto a ser examinados nas peças a saírem “vencedoras”. Seria isso o suficiente para haurir dos meandros da literatura, já bastantes confusos com os “onde/aonde”, “por que / porque/ porquê”, “jantar, janta”,  1ª, 2ª e 3ª pessoas e muitos outros componentes complexos ?
Notáveis? Sem nenhuma sombra de dúvida!, Principalmente no cuidar dos menos capazes, dos idosos e de outros saberes exemplares, entretanto, o seriam no mister de um discernimento generalizado?
A segunda, é também técnica, se referindo ao tema proposto por mim para um “julgamento”, o que me faz inferir uma possibilidade do “convívio” de quem escreve ser harmônico com as “alternativas” de quem nos queira por à prova, o que na verdade não ocorre didaticamente, sendo o primeiro:  ”convivência no trato constante diário quer seja real ou ficcional”, em contrapartida,  alternativa quer dizer: Escolha, contraditório ou opção entre duas coisas reais, ou não!
Embora saiba que a “Impaciência que nos leva a contradizer os outros é por que não suportamos sentimentos e atitudes diversos dos nossos” o que  apresentarei adiante foge um pouco às regras de um “prêmio” ou concurso,  sem prejudicar o seu conteúdo principal. Tinha resolvido me precaver não mais participando de nenhum concurso neste nosso Brasil "Tupiniquim”, pelo receio das “marmeladas escusas de cartas marcadas”, entrementes, “aposentado” em meu terraço e pouco convivendo com as pessoas alheias à minha família, acreditando, assim, estar praticando um serviço à nossa sociedade que, a cada dia, está ficando mais velha sem conseguir ser idosa.
 Na sucessão de duas coisas inteiramente exclusivas e com opção entre elas, se aplicarmos em ambas o verbo alterar, Ele, fazendo alusão a: “suceder repetida e regularmente; dispor em ordem alternada; suceder; vir uma coisa ou pessoa após a outra”, portanto, no meu medíocre entender, sob censura, haverá antagonismo não dando paralaxe para serem observadas no tocante ao “conviver das gerações numa comunidade que fica idosa junta”, por que, havendo alternativas revezantes não pode haver convívio, esse, é fruto da junção recíproca do aprendizado harmônico em direção a velhice plena de sabedoria mesclando os jovens aos mais idosos sem alternâncias temporais e sem predomínios que venham de uma das gerações, inclusive das vindouras, contudo, convivendo no dia-a-dia sem afastamentos ou lacunas que prejudiquem o aprimoramento de ambas as gerações.
Para entender de velhos e idosos e os seus seqüentes  exemplos de vida, é primordial dar-lhes completa  atenção, carinho familiar e cuidados especiais. Não cabe ao idoso entender o mais jovem, o premente é dar-lhe o exemplo explícito. Não é função de o jovem entender o idoso o que lhe cabe é assimilar os conhecimentos adquiridos, desde que se proponha a escutá-lo e evitar cometer os mesmos erros dele, para isso, os escritores têm que difundir suas vidas e o jovem estar disposto a ler, ou escutar o idoso mais próximo.
Acredito que, com a minha franqueza, para não dizer atrevimento, não ganharei o prêmio ou concurso imaginado por mim, entretanto, o meu” ego “, afirmando que” a  melancolia é a felicidade de estar triste “, considera-se... Premiado!”.
Não!...Decido  não estar apenas interessado em ser premiado ou passar em algum concurso, o meu maior desejo é cooperar com a sociedade em um todo para que a juventude se aproxime da maturidade sem  acotovelamentos ou traumas e a ter mais fé num país, tornado cinza por alguns dos nossos dirigentes, que, ao em vez de limpá-lo das impurezas, preferem alardear que ele é verde e amarelo. Até o nosso futebol e carnaval estão sendo “enferrujados”, todavia, mascaram a situação dizendo que o Brasil é Penta Campeão, ao mesmo tempo em que transformam a data do carnaval em “Micaretas”, “carnaval Belô” e outros eventos temporãos que dividem sem nada somar.
Caminhando para o tema proposto: “CONVÍVIO ENTRE AS GERAÇÕES: Prefiro desnudar parte da cinza que nos cobre apresentando alguns “espanadores verbais” ou “pedras de tropeço” na esperança que atuem como uma espécie de espelho onde possam ver o bem e o mal, ficando a cada um o direito de escolher o seu caminho para chegar a maturidade  possível e quase perfeita.
As diversas gerações estão em convívio permanente, acontece que o coletivo nada mais é do que a união do individual, para o relacionamento chegar próximo do perfeito numa sociedade que envelhece junta, é preciso muito mais do que abrir e seguir caminhos corretos. Necessário se faz mostrar aos neófitos as lixeiras, precipícios e mazelas para que o viandante possa fazer a opção correta.
Um cavalo cairia num lajeado, o mesmo não aconteceria com um burro! Em razão de o cavalo ser mais orgulhoso e julgar-se um mestre, enquanto o burro, por ser humilde, vai, pata a pata, escolhendo o trajeto a ser pisado no escorregadio.
Um rico cobertor não aquece, a sua função é não permitir a fuga do frio corporal, contudo, dois simples e finos lençóis, tendo de entremeio jornais, exercem a mesma função e de forma menos onerosa.
Sempre pensei saber o que era monografia, entretanto, ao ler, certa feita, algo a respeito e... Publicado! Fiquei em dúvidas por encontrar falas na primeira, segunda e terceira pessoas em um só texto, com isso, descobri que há temas por demais complexos que não seriam entendidos pela “massa popular” que é a matéria  prima para as grandes mudanças visando o convívio entre as gerações a caminho do envelhecimento conjunto.
Se o que está para ser aqui apresentado não é uma monografia pelo menos é uma “grafia única” no contexto do pretendido por mim, onde o autor se descobriu quase que por completo tirando junta parte da cinza que o cobria. O que seria das auto-estradas sem as vicinais e as veredas que a abastecem e completam?
Dessa forma, apresento aos senhores a minha “vicinal monografia” onde são mostradas as “pedras de tropeço” e mazelas do cotidiano, porém, em contra partida, veremos os “caminhos”, alguns exemplos, umas opções e os ensinamentos, para a quase perfeita simbiose entre as gerações maduras e jovens a caminho da maturidade coletiva sem traumas, bem como, sem desculpas envolvendo desconhecimento dos acenos irregulares das “margens” à beira dos precipícios, lixeiras, buracos e outros entraves ao bom desenvolvimento humano:
“A maturidade só será perfeita quando fornecer exemplos para os mais jovens seguir no aprendizado ideal, é como uma matrona honrada que tem conta com o marido, filhos e servos, e tudo dispõe a contento em seu lugar e tempo”.
*
A VIAGEM
Pesam-lhe os anos nos ombros arqueados pelo cansaço escrutinador de um futuro indevassável, sente as pernas trôpegas idênticas as de um andarilho sem rumo pelos caminhos da vida, tem a pele seca e curtida pelo uso diuturno dos poros em contato direto com salubres suores formados pela química  externa e poluída da atmosfera.
Vai andando pelas veredas... Passo a passo sem saber aonde vai!
A cada dia tem a sua trilha modificada, obrigando-o a fazer volteios para, novamente, retornar à mesma meta incerta, porém, longitudinal em direção ao ocaso da existência.
Os anos vão passando no incessante coar das datas, os seus cabelos tornaram-se grisalhos pelos resvalos nas encostas ou vertentes da caminhada  estéril e até  insana. A esperança começa a escassear-lhe no espírito, dando lugar a um acelerar de misteres urgentes como se tudo que ele almejara pudesse ser conseguido num átimo de sua já quase falida existência. Vai arquivando seus anseios e declinando-se de cumprir tarefas já não possíveis pelo passar dos anos, apenas um enlevo não lhe abandona: A viagem que sempre quis fazer!
Sonhara a vida quase toda com a fortuna em um campo tranqüilo e longe das vicissitudes da vida moderna, local em que os seus pensamentos  tivessem ressonância com as emanações campestres e a liberdade da fartura e da felicidade, tudo colocado numa proveta fantástica fazendo-o  rejuvenescer  sem mácula num cenário miraculoso onde aguardaria, tranqüilamente, o escoamento  da  passagem  desta  vida  para  a  eterna. Esse sonho fê-lo caminhar desesperado achando que para a sua concretização era preciso a fortuna como suporte inicial do almejado. Ledo e pueril engano!...Quanto tempo perdido! Não ficou rico nem chegou ao porto desejado!  Fora um viajor fracassado e se perdera pelas periferias das metas.
Ao invés de procurar a “dona fortuna” tal e qual um “Dom Quixote”, deveria ter-se quedado à beira do caminho sinuoso sem forçar o retorno a longitudinal  quimérica.
Teria visto ao derredor um novo horizonte, sentiria o perfume das flores preparando-o para a viagem por ele sonhada. Esse descanso nas margens aliviaria o seu cansaço e espírito fazendo-o pensar com mais clareza. O pensamento seria seu transporte único para encontrar a felicidade dentro dele mesmo!.
*
O PENSAMENTO
As ambições e palpitações não lhe permitiram desviar-se da vereda para aprofundar-se nos conhecimentos primários para a viagem, iniciando pelo Pensamento lógico e inteligente, se assim tivesse feito, teria, ao iniciar a jornada, os conhecimentos necessários para chegar ao píer da felicidade e da sabedoria. É conflitante o vagar mental totalmente desagregado da vontade encarcerada nos princípios que norteiam os homens desde a idade da razão. O conflito torna-se mais cruciante quando o discernimento conduz a um resultado enganoso dentro dos conhecimentos e desejos religiosos, ocorrendo, então, uma maratona de imagens geradas pela intenção de sepultar determinados pensamentos, em oposição, outros pensamentos que emergem dos meandros das suas resistências francamente em disputa com regras religiosas, desafiam, destarte, toda a gama de bondade e êxtase do qual o homem é, ou  está  possuído, esse confronto, chega ao  cúmulo do pensamento criar imagens retorcidas dos anseios como se dentro dele existisse uma variedade de usinas, umas condicionadas em escolaridade pelos caminhos do bem resultante dos conhecimentos  que ele entende como puro e bondoso, outras,  infiltrando-se nas pessoas sem didática especifica  misturando  a sua crença e pervertendo as “boas intenções” secretas e ainda não vindas à luz.
Toda máquina tem que ter uma forma de desligar-se, quer seja mecânica ou por desgaste, entretanto, em quaisquer dessas formas, é necessário um esforço interno mesmo que o impulso venha do exterior; só após um peregrino mister de defasagem às peças vão se imobilizando, ou desgastando-se até a inércia e, desta a parada absoluta. Essa parada é alheia a vontade, solidificada e metodificada pela escola da vida que é o resultado da experiência adquirida dependente de inúmeros fatores externos, tais como:
Religião, família, usos e costumes e outros, a força do pensamento é um espectro oriunda de uma miscelânea de computações internas amealhadas desde a mais neófita sapisciência dos fatos chegados ao conhecimento físico do ente gerador das mesmas, Ela está em vantagem em relação a vontade, justamente por não ter uma forma definida e previsível, ser independente, renitente e soberana, sabedora que é do fato de não poder ser desligada apenas pela vontade consciente, podendo vangloriar-se da circunstância  de ser  resultado indomável  do mesmo gerador da vontade, porém, possui uma maneabilidade e mascaramento que lhe permite escapar ao domínio do próprio ser em sua magnitude da razão, não podendo, assim, ser domada apenas pela vontade, embora esteja sujeita ao próprio elemento humano. Dessa forma, o pensamento pertence e não pertence ao indivíduo, é irmão amoroso da vontade e seu inimigo mais ferrenho!
O pensamento é um resíduo de Deus ao dar uma alma a Adão e, por via de conseqüência, aos seus descendentes, deveria ter sido amoldado na alma do primeiro vivente, entretanto, por uma fração infinitesimal de segundo, quando do exílio de Adão lançado fora do Éden , o pensamento quis retornar ao Paraíso desligando-se da alma, no que não lhe foi permitido, contudo, àquela mínima fração, foi o bastante para o pensamento tomar conhecimento de seu poder independente da alma e da razão, a partir de então, ficou orbitando no íntimo de cada ser humano, usufruindo certa liberdade sem   estar elencado  à alma de cada um , o que só ocorrerá quando houver a libertação  da carne/ espírito,  momento em que, juntos, retornarão ao Paraíso e ao Criador.
O raio de ação do pensamento é individual e racional, sem obedecer ao carcereiro quando corpo, nem a sua irmã enquanto alma. As pessoas fortes em espírito quase sempre conseguem suplantar alguns pensamentos, simplesmente os ignorando. Os que têm mente e espíritos desajustados ou pusilânimes, acabam por atenderem aos impulsos de seus pensamentos cumprindo suas diretrizes quais escravos sem código de honra, obedecendo-o depravadamente com orgias e devassidões, ao dar-lhes forma ao seu  bel  prazer sem o poder controlador  da vontade e da alma.
Somente os loucos escapam ao pensamento pela sua falta de sintonia de limites e normas em suas mentes degeneradas, nesse caso, o pensamento não influenciará seu físico, passando a transitar de forma livre transformando-os em crianças angelicais ou num ferocíssimo e hediondo algoz, exatamente pela falta de assimilação de seus “desenhos imaginários” e contornos, onde não há a receptividade nem as traduções da lógica.
A única forma que o humano tem  na estrada da vida  para domar o pensamento sem a ajuda de sua alma, é  ignorá-lo por completo livrando-se de sua influência maligna  e/ou com ele conviver integral e pacificamente... Quando benéfico!
Não podendo fazer a viagem desejada pela falta do pensamento lógico e balizador, o homem, sentado às margens da vereda, num cruzamento imaginário, deve abandonar os esforços físicos, relaxando-se e dando vazão ao pensamento benéfico, a começar pelas causas mais simples. Silente deverá observar tudo à sua volta sem interferir e sem lamentar-se por sua desdita culposa, porque um novo transporte poderá passar e ele o acompanhar em um embarque mais feliz.
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A FLOR E O EXEMPLO
Na aridez das glebas agrestes floresce a sinuosa flor paramentada com requinte pela mãe natureza que, mesmo sendo pobre naquele ermo, dá a filha o seu limite.
A flor não tendo como explorar o caule seco e quebradiço, apoiado em raízes retorcidas e esquálidas, sedentas de líquidos, ameniza às suas formas como a pedir clemência ao ambiente e ao “astro-rei” este, orgulhoso e indiferente pela secura daquele deserto, tornado assim pela sua passagem diária no descampado. Mesmo assim, a flor continua seu círculo de vida embelezando a áspera circunvizinhança satisfazendo-se com as migalhas de orvalho e as inconstantes chuvas. Sua paupérrima existência ensinou-lhe como sobreviver com o mínimo necessário, por isso, nada desperdiça desde o adubo das raízes e folhas mortas até as acumulada e fofas fezes de insetos que peregrinam à sua volta.
A cada amanhecer, a flor prepara-se para a canícula próxima fechando o que pode de suas pétalas e ativando à sua sudação para diminuir a secura dos raios solares. Pacientemente, apronta-se para enfrentar os dissabores do dia radiante não reclamando, não afastando e... Não se entregando!
Com a chegada da tarde ela está quase desfalecendo, sua sudação é pastosa e ressequida desenhando arabescos nas folhas de pontas e pecíolos quebradiços, contudo, está feliz!
Foi mais um dia vitorioso após um embate desigual, se encontra desafiante em sua humildade singeleza e beleza, além disso, vencera o sol!  Com ele desapareceu no ocaso, passou por ela devassador e sugador, entretanto, apenas passou... Não venceu!
Sabe que teve um átimo de ajuda na batalha lhe fornecida pela brisa filtrada dos vapores quentes, pelas ocasionais sombras dos alcantis e pelas raras nuvens passageiras...  Sendo-lhes agradecida! Tem conhecimento de que o sol fora embora despeitado por não vencê-la, ela, tão frágil e mimosa e tão desprotegida em relação às pedreiras e areais domados e sugados por Ele, no entanto, mesmo assim, fora vencedora! Agora, a noite aproxima-se célere e aconchegante, sendo momento de reabilitar-se em suas reservas de forças para a próxima luta, também é hora de meditar. No silêncio da noite e no amainar dos vapores caloríficos fica matutando o porque de sua vida ainda em flor...
Vida? Sim, é isso!
Enquanto se apega a vida ela não sai do corpo, mesmo o de uma singela flor de deserto arenoso. Vida é viver e não depender! É passaporte ao Jardineiro dos Tempos, viajor que conduz quando quer fazer metamorfose, mudanças, enxertos ou, simplesmente... Ceifar! Não importa as intempéries ou os agentes, só a vontade do Arquiteto /Criador. Se ele quiser, coloca a flor no infinito junto aos astros e, o sol, naqueles centímetros quadrados dela. A cada ser animal ou vegetal foi dada a vida, existência essa na condição do presente doado. Ao recebedor?... Cabe apenas viver! Seja em qual condição for, porém, viver para dar valor a vida até o dia da ceifa, mudança, enxerto ou outra forma a critério do Criador.
A flor do campo e do deserto é a mesma do palácio e das vitrinas que, por sua vez, é a mesma dos pântanos e esgotos, não importando a reação que causem aos demais, mesmo que isso passe do embevecimento ao asco, da admiração ao desprezo, o que importa é a existência da vida que cada um tenha para viver e não as emanações e motivações que possam desprender. A flor citadina sofre o mesmo que a flor paupérrima e não mimada do deserto, somente os impulsos negativos e as ações a elas dirigidos são diferentes em extensão e qualidade, a sobrevivência é a mesma necessária desde que o caminho seja para viver! Quando se tem tudo não se dá valor a nada, quando não se tem nada é dado valor a tudo, aproveitando-se das restingas. A flor da árida, pedrejante e areenta gleba, aproveita-se do que pode apenas para viver!
Como o homem seria feliz se, ao em vez de procurar as estrelas para conquistá-las, andasse a cata das plantas para observá-las e imitá-las, procurando como elas lutar pela vida e não pela vida fácil, fazendo com que, a cada dia vencido, lhe fosse somando valores e se preparando para o dia seguinte com humildade igual à flor do campo, apenas juntando o necessário para a batalha seguinte sempre à espera do “Jardineiro” e das mudanças que Ele achar de bom alvitre, sem nunca espezinhar o vizinho ou tomar-lhe o lugar e os bens materiais, exemplo este que nunca receberia da recatada flor!
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O OCASO DA HONRA
Eu nasci entre casarões seculares, em Diamantina/MG. Transitei por calçadas estreitas e ruas de pedras escorregadias. Das treliças das janelas, senhoras de véus na cabeça davam sorrisos escassos. As “topadas” eram constantes nos limos das pedras roliças ocasionadas pelo limalhar das ferraduras dos animais de carga e de tiro, contudo, não havia sorrisos na desventura, respeitava-se às dores alheias! As moças só passeavam com os namorados até às 21:00 horas, retornando, em seguida, com as colegas para às suas residências. Meninos peraltas brincavam pelas ruas também se recolhendo cedo, quando extravasavam nos folguedos, bastava um leve “raspar de gargantas”, inclusive de estranhos, para eles se dispersarem envergonhados. As conversações eram amenas e respeitosas, os ébrios eram levados para seus lares até pela própria polícia, os doentes mentais recebiam comiseração,  e os mendigos só pediam  e recebiam alimentos. Os policiais às vezes eram ríspidos, no entanto, dificilmente eram arbitrários ou praticavam violência considerada desnecessária.
Os padres tinham suas mãos e anéis beijados pelos passantes, as freiras eram recatadas, reservadas e respeitadas. Os médicos eram conhecidos pelas suas vestes brancas e valises negras e pelas visitas domiciliares constantes aos doentes. Uma senhora casada nunca era vista rindo em público, nem mostrava às suas roupas intimas pelos varais. Os crimes contra a vida humana, os costumes e os roubos eram raros. As soluções dos delitos contra os costumes eram resolvidas entre as famílias envolvidas, resultando, quase sempre, em um casamento reparador. Os furtos, na  maioria das vezes, eram pitorescos com o ladrão evitando matar a vítima e fugindo ao primeiro sinal da descoberta do mesmo.
NÃO HAVIA ESQUADRÃO DA MORTE!
A sociedade isolava o crime sem discriminar o criminoso, se o delinqüente vangloriasse do delito praticado, era banido do aceite nas residências familiares da sociedade. O homossexual era raro e, “sapatão”, era mesmo sapato grande. O ar era puro e a água cristalina.
Após a segunda grande guerra mundial e a seqüente inter-relação de costumes estrangeiros aos nossos, o brasileiro, ainda campestre, não estava preparado para a “istória” nem intelectualmente para a mudança. Atirou-se de corpo e alma ao banquete dos novos hábitos, avidamente entregou-se a liberdade não vigiada, as mulheres cortaram os seus cabelos e fumavam, pinturas e roupas extravagantes foi invadindo os “armários da vida simples”, a fome, a miséria e a enfermidade foram grassando e minando a sociedade bucólica e despreparada. Os costumes da época foram sendo dilapidados bizarramente, porém, a lapidação não alcançou as arestas e, sim, o âmago do povo recatado onde não tinha nada a ser secionado! O cinzel da abordagem penetrou no seio da moralidade e da simplicidade, entretanto, não podendo o Mal sobrepujar o Bem acabou por mesclá-lo!
Essa lapidação destruiu a convivência pacífica, a hospitalidade espontânea e a honestidade. Os casarões antigos foram sitiados pelas mansões e, estas, pelos barracos de tábuas, lonas e papelões das favelas. Os cadeados, grades de ferros, vigias e animais ferozes, passaram a ser o termômetro que media e dividia as castas sociais. O sorriso fugaz das senhoras transformara-se em gargalhadas... Até nas ruas! Os namoricos e “flertes” nas praças e coretos mudaram-se para nichos escuros e escusos de bares e restaurantes musicais pela noite à dentro. As brincadeiras das crianças tornaram-se eletrônicas, armadas e perigosas:
O  Pato Donald  transformara-se  em “He-Man” e “Rambo”.
Os padres e as freiras ficaram marginalizados e, para difundirem o evangelho, foram obrigados a adaptarem-se ao meio social desgastado. As conversações amenas passaram a disputas renhidas com gritarias estridentes pela noite e misturadas de palavras de “baixo calão”. Os crimes aumentaram, principalmente os contra a vida humana. Ser criminoso não era mais vergonhoso para quase ninguém: Era a lei do machismo misturando, erradamente, homem com macho.
O ar ficou cada vez mais impuro, em todos os sentidos!
A honra passou a ser uma mera  fechadura em portões de isopor e pilares de vidros, contendo uma avalanche de impropérios e disritmia mental  moldáveis ao ser simplório e indefeso que a invocasse : Se convocada por um cafajeste e salafrário, os reflexos das más ações transpunha o isopor ganhando a liberdade, proliferando. Invocada por dirigentes venais e desonestos, a devassidão estilhaçava o isopor, porém...
Se, convocada por um homem de bem, honesto e cumpridor da ética de seus deveres, a fechadura entrelaçava-se ficando incorporada ao vidro e ao isopor, não dando vazão aos absurdos, entretanto, através da transparência do isopor e do vidro, os corruptos viam o Mal ali contido pela honra, não podendo libertá-lo, passaram a atacar a fechadura considerando o homem honesto como dissidente e  beato,  marginalizando-o do meio social defécto  e mal lapidado:
 “Chegará o dia em que o homem terá vergonha de ser honesto”
Que saudades eu tenho dos tempos idos que não voltarão jamais!.
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NAS TRILHAS DA PENA DE MORTE... PENA!
A violência sempre esteve em simbiose com a docilidade, numa comunhão constante através do conta–gotas volátil dos tempos, desde quando a vida se fez presente em nosso planeta, Por diversas vezes essa conjunção ficou patenteada no “Livro da Vida” de modo sutil e despercebida em seu resultado final, ora, prejudicando alguém pela arbitrariedade truculenta, ora, beneficiando pela amenidade da docilidade. Não é viável a coexistência pacífica e a bondade sem a presença da violência, é necessário a miscelânea delas para  que uma  se destaque  da outra em direção de nossos sentidos, faltando uma delas não há  como projetar ou justificar a oposta:
Nunca haverá o Bem sem o Mal e, vice-versa!
Todo oposto está em proporção igual e direta ao seu desafeto, necessitando-se que haja um equilíbrio no meio racional. O meio termo é a razão de ser de todo empreendimento aceitável em qualquer eventualidade em que o fato seja apresentado, inclusive, no campo espiritual/psicológico. Até o Criador usou do meio termo para punir Adão, Eva e Caím por suas faltas cometidas, expulsando o casal e banindo Caím da família lhe colocando uma tarja negra na face por ele ter cometido o delito mais grave, sem, no entanto, ceifar a vida de nenhum deles por considerar isso um ato extremo.
Duas coisas causam-me espécie repulsiva:
Os extremos e os excessos!  Em quaisquer de suas manifestações e formas. Estando presente (ou latente) o extremo, não há de que falar-se em julgamento justo e ponderável! Os excessos desgastam a fonte e massacram os alvos, qualquer que seja a meta a ser conseguida, tornam aleatórias as linhas de visada e a de mira quer nos campos materiais, espirituais, animais, psicológico e principalmente, humano!  Diversificando, também, as linhas de imaginação e procedimentos. O meio termo e o equilíbrio se completam harmonicamente, enquanto o primeiro dosa a atuação, o segundo completa-o na horizontalidade tal e qual um nível perfeito abrindo e apontando o horizonte para um resultado feliz e ideal.
A bondade e a docilidade são gêmeos fraternos que foram doados, no inicio da criação, por Deus, ao conceder aos homens a vida, alimento e moradia  como fez com Adão e Eva no fabuloso Jardim do Éden. Pouco tempo depois daquele início, apresentou-se a maldade, insinuando-se em Eva e sendo acatada por Adão, àquela maldade transfigurou-se em violência no âmago de Caím aflorando na totalidade no assassinato de Abel! Naqueles tempos, viviam na terra apenas uns quatro seres humanos, pelo que se sabe, o que comprova que a violência e  a  maldade  estavam, já naquele tempo, em simbiose com a “docilidade” e a bondade, em local paradisíaco e onde havia um mínimo de pessoas envolvidas.
As estatísticas atuais alardeiam o aumento da violência num parâmetro insustentável, as quais, não encontram respaldo na verdade, uma vez que, no início da vida humana na terra, as “maldades” e a “violência” já medravam, meio a meio, com a bondade e a docilidade, apenas, ressalta-se, a violência sempre foi fruto do Mal e a Bondade... Doação do Criador! Isso pesa na balança, por que Deus tem tudo e é tudo em todos! Assim sendo, a sua bondade e misericórdia não podem ser medidas pelo aumento da violência, nem pela densidade populacional onde grassa o mal. Essa doação de Bondade para transformar em simbiose com o Mal, tem que haver a receptividade e o merecimento, o Mal se gera por si só por ser uma decadência do próprio ser humano.  Não intervindo Deus no “modus vivendi” de seus filhos, ele não dará a Bondade e a misericórdia para a simbiose a menos que haja o merecimento.
Resta uma solução paliativa e dependente do aval de Deus:
O Homem, em sua essência ditatorial e egoísta, tão logo conheceu o fogo e uma paupérrima sabedoria, galhardeou-se de dono da terra passando a explorar a natureza, principalmente os animais, os vegetais e os minerais não satisfeitos, começaram, há muito tempo, a combater uns com os outros até transformarem-se em predadores da própria espécie. Esses extremos mesclaram-se aos excessos transformando os bons princípios e o respeito, passando a afastar o “meio termo” e o equilíbrio, essa dilatação de pensamento, ação e atitudes, foi diluindo a simbiose entre o Bem e o Mal e isso só poderia levar ao aumento de um dos predicados antagônicos, com realce maior para a violência.
Não tendo o merecimento de receber um reforço da bondade e da misericórdia do Criador, cabe ao homem fazer o equilíbrio sob o olhar atento do Arquiteto dos tempos.                                                    Para tal nível, necessário se faz que os extremos sejam recolhidos ao centro com o recuo permanente das arestas sem que sejam aparadas!, para tal, não contando o homem com o merecimento de Deus, deverá inverter os pólos  numa  ótica humana de doação paulatina e diuturna cedendo aos Maus  algumas das vantagens que dá aos Bons.
Quanto mais o homem normal afastar-se do delinqüente violento, mais e mais o desviado e desajustado irá assimilando a Maldade de seus pares em desfavor dos que se afastaram dele. Numa sociedade perfeita, cada um de seus membros tem sempre que aprender com os demais, porém, para ser perfeito, o aprendizado tem que ser de coisas dóceis e boas. O Mal não ensina docilidade e humildade, portanto, os bandidos nada têm a nos ensinar! Dessa forma, eles perdem não aprendendo e, cada vez mais, o Mal de seus colegas vão se entranhando  neles.
Se os bons e honestos decidirem misturarem-se com os pervertidos, dando a eles sabedoria sem extremos e sem deles receberem a Maldade, as arestas irão sendo assimiladas tal e qual a junção dos átomos na química e, de quando em vez, haverá a transformação dos “menos maus” em “iluminados” sem que os virtuosos percam nada na troca feita sem recebimentos, dessa forma, haverá a separação cadenciada dos violentos, sobrando apenas os  irrecuperáveis. Afastar-se de todos os maus é um erro grave! Julgá-los sem ter em mãos todos os dados é engano maior e, isolá-los em um todo, seria o holocausto!
Por que será que os grupos religiosos, as sociedades de serviços e o próprio governo não tomam as rédeas da situação anômala procurando trazer para os seus meios de circulação e vivência... Os violentos? Se assim o fizessem desinteressados de quaisquer ganhos, inclusive políticos, na plena luz da bondade e da sabedoria, Eles poderiam ser dosados e domados além de instruídos para o bem servir. Se de todo não houver frutos imediatos e fartos, pelo menos, sem que os marginalizados o percebam, muitos deles terão suas arestas irregulares influenciadas pelos bons atos e acabarão por deixarem a vida irregular, o que delimitará os “maus ocasionais” dos “maus pervertidos” que ainda estão a caminho da perdição total...  Caso fiquem juntos! E, com isso...
Só a sociedade ganharia!
Nos campos de futebol, nos circos, nas quadras esportivas, nas  igrejas, nos cinemas, nos clubes e outros lugares de acúmulo de pessoas, a população está presente, muita das vezes, pagando por tal usufruto, todavia, os violentos também lá se encontram ! Contudo, as suas maldades estão retidas e tolhidas pelas ações dos esportistas, atores, representantes religiosos e pela contigüidade dos seus semelhantes de boa índole.
Seria isso um enfraquecimento do Mal? Ou seria o fato do Mal, apesar de presente nas galerias dos assistentes, se encontrar rebaixado a planos inferiores  pela visão e audiência de um ato considerado honesto ?
Acredito ser a última hipótese a mais viável, já que as trevas do mal não têm forças para obscurecer a luz plena das Boas ações!
O que ocorreu então?
Claro está que houve apenas a junção e o equilíbrio dos Maus à áurea dos Bons! Essa simbiose concorreu com o nível necessário para que o Mal fosse mascarado, embora de forma momentânea, provando que o Mau não é constante nem totalmente solidário às más ações, se assim não fosse, eles praticariam o Mal em todos e quaisquer lugares e a todos os momentos.
A pena de morte para o ser humano é infame e boçal, atua claramente oposta a união simbiótica e tolerável entre o Bem e o Mal, além do fato de não ser correto o “Bem”, aqui representado pelos “Bons”, matar outrem em nome da própria bondade, sendo isso um absurdo irrecuperável! O Próprio Deus que era, é e sempre será, Juiz Executor, ao julgar o primeiro crime de sangue, não matou o culpado justamente por não querer macular o Bem lhe dando a força de “matar”!
Tempos depois, num outro julgamento, cobrou dos julgadores os atributos de “jogarem a primeira pedra desde que não tivessem telhados de vidro”! Estaria a Justiça  aqui na terra alicerçada  no  “Bem” para eliminar os semelhantes?
Eliminando qualquer vida, Dom de Deus, praticaríamos o Bem?  Teria alguém da “Justiça”, ou do “Bem”, elementos cósmicos para refazer a vida no caso de um engano?
Teria a nossa Justiça, desde o mais humilde recruta e aprendiz de detetive até o mais douto juiz de direito, passando pelas Instituições e aparelhamentos científicos, todos os condizentes para “salgar” e discriminar os mais ferrenhos e covardes criminosos, os encaminhando para a morte irreversível? Acredito que não! Baseado no fato de que, para retirar qualquer coisa, é preciso tê-la de antemão e, nós, não somos dono da vida!
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O OBSERVADOR
Ele estava às margens de um grande espelho mirando-o de viés e sentindo calafrios toda vez que, inadvertidamente, a sua imagem era capturada naquela superfície lisa e abrangente. Ante a sua visão desfilavam incontáveis personagens dos mais variados tipos e condições sociais. No verso daquele monumental espelho, uma negritude homônima espalhava-se vedando a passagem para o reverso e, pela ordem natural das coisas, também não havia passagem para onde estava o observador.
Os “atores” passavam celeremente naquele imenso palco de cristal na superfície visível para o observador, sem darem conta de que os seus misteres eram gratuitos, apesar de estarem sendo explorados em suas intimidades por Ele, e, também por vários outros estrategicamente estacionados em outros ângulos de visada.
As cenas desenrolavam-se vertiginosamente com vários matizes e situações, ora, mesquinhas e vis, ora majestosamente dadivosas e desinteressadas! Os coadjuvantes eram solidários, todavia, às vezes, eram antagônicos e cruéis. Acontecia de tudo naquela visão: os prosadores, poetas, censores, liberais, escritores e outros análogos, jamais poderiam transcrever em livros, falas ou declamações, por absoluta falta de espaço e de faixa temporal para o registro fiel, mesmo que houvesse tal possibilidade, faltariam os assistentes e a reciprocidade, por que, muitos são os notados e poucos os escolhidos para a silente observação!
Não ocorria a distribuição eqüitativa e qualificativa ainda das posições naquele espelho, enquanto muitos custavam a vencer as nebulosidades opacas e zonais de uma parte do mesmo, outros, em maior número de pessoas e riquezas, desfilavam majestosamente nas planícies claríssimas de uma reduzida parte do espelho, não sentindo nenhum entrave em seus reflexos quando cruzavam com seus semelhantes da penumbra ainda os colocavam mais e mais na obscuridade!
O “Observador” via as peculiaridades e concessão de privilégios bem como a aridez da partilha, sem nada poder fazer por não ter o mínimo controle sobre as circunstâncias e, também, por ser um membro do espelho sendo apenas um observador por estar situado entre as nebulosidades e a claridade sem se deixar influenciar por nenhuma das nuanças, ali se colocara pela experiência, inteligência, perspicácia, desinteresse do bem material e, principalmente, pela bondade!  Continuará em sua função, anônimo entre outros observadores igualmente insólitos.
FORA DO ESPELHO E NO INFINITO, UM OUTRO OBSERVADOR VIGIA E AGUARDA!
Sua observação abrange a todos, inclusive os observadores efêmeros, vê do Trono do Cordeiro, acima das divisões das águas e antes de Adão, Eva e Abraão! Enquanto ELE observa e vigia não há perigo para os que ficam vegetando na superfície lisa do espelho vangloriando dos irmãos na nebulosidade, entretanto, dia virá em que Ele, o Arquiteto do Universo! Pegará o seu cinzel e esponja para fazer remodelações e limpeza no espelho.
Nesse dia... A parte nebulosa tornar-se-á branquicenta em razão da mesclagem com a limpidez privilegiada, porém, o reverso do espelho, que é negro, virá à tona imiscuindo-se com a parte raleada e rarefeita do seu anverso: Ocorrerá o “ranger de dentes” e os acotovelamentos! Os infelizes da periferia e das públeas  nuvens serão vistos no meio dos janotas e beneméritos afortunados, todos em ululantes lamentos !
Vestes se mesclarão em trapos! Os transatlânticos em carroças! Os dentes de ouro juntar-se-ão aos cariados e encurvados! Tudo num só lamento, num só “ai”!
Quanto mais o negrume do fundo vier a tona, mais haverá sofrimento, acontecendo que,  os infelizes deserdados da fortuna fácil, terão mais escopo para tolerarem os desatinos justamente pelo fato de tê-los aturado pela vida toda , todavia, os outros, chafurdar-se-ão mais e mais em direção do fundo e do negrume das costas do espelho carregados com seu ouro do qual recusaram abandonar.
Os justos chegarão à superfície junto com os observadores e serão pescados pelo “Pescador” ou “Arquiteto dos Tempos” e serão colocados em um novo espelho, destarte, livres das impurezas e da nebulosidade e tendo apenas como observador... ELE!
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COSTUMES AMPUTADOS E DESVIADOS
De todos os bons hábitos salutares e grandiosos nos legado pelos antepassados, dois ficaram perdidos nos escaninhos dos tempos, talvez limalhados pelas suas simplicidade e desprendimento passando despercebidos e mascarados por uma série de desculpas, às vezes plausíveis, entretanto discriminatórias: Sendo elas a Solidariedade e a Hospitalidade!
Nos portais dos julgamentos precipitados, a solidariedade ficou mascarada e sucumbiu sem alento por se tratar de um hábito que só tem vitalidade sendo unilateral e de doação espontânea de um ser humano a outro, mesmo que sejam desconhecidos. Nos meandros dos anseios e da ambição moderna e desenfreada, a hospitalidade ficou amputada e está dilacerada pelos interesses pessoais com a mesquinhez dos favorecimentos aos mais necessitados, ou escondidos na face obscura da boa índole, da qual, se alude alguns beneméritos quando hospedam exatamente quem não precisa de seu teto e aconchego, empurrando para a periferia justamente os mais carentes. Quando, eventualmente, dão hospitalidade aos indigentes ou eventuais necessitados, o fazem em proveito próprio ou interessados em fazer média com a sociedade:
Rato passando por morcego só para ter as benesses das asas!
Não sei a quem a maioria da humanidade está tentando enganar, se aos seus membros ou ao próprio Deus!
Aos primeiros, normalmente conseguem, porque, nos tempos modernos, tem havido uma parceria anônima entre os homens para esconderem suas faltas com interesse de continuá-las cometendo, entretanto, a Deus? Isso é impossível! Em razão de ele ser o Todo em Tudo, o Alfa e o Omega, o Princípio e o Fim, dessa forma, nunca seria solidário e hospitaleiro com o Mal, que é intermediário!
Toda corrente só tem a consistência, o equilíbrio e a força exatamente proporcional ao seu elo mais frágil, se esse elo não receber a solidariedade e a hospitalidade necessária, na certa, um dia irá partir em estilhaços irrecuperáveis destruindo também os seus companheiros mais fortes que, sem ele, deixam de ser corrente e coerente no seu todo.
Isso ainda não ocorreu na humanidade por que ainda há uns abnegados que praticam a solidariedade e hospitalidade desinteressada, mesmo sendo eles paupérrimos em relação ao que doaram, às vezes, vemos tais bens sendo distribuídos até entre bandidos. Ainda há tempo de injetarmos tais predicados em quem deles precise, mesmo que ao  fazer  tais  doações possamos vir a arrependermos, devemos acolher e irmanarmos até com os bandidos e ingratos, por que O VALOR ESTÁ NA DOAÇÃO E NÃO EM QUEM A RECEBE, dessa forma, com o esforço de nosso sacrifício, estaremos aprimorando as castas sociais mais ignorantes e desajustadas, sendo melhores do que elas sem jactâncias, e... Mais justos! Dessa forma, passo a passo, os marginais irão se agregando aos fluidos da Bondade, quando, sem nem perceberem, estarão melhorando os seus comportamentos em benefício de Todos.
O que não é justo nem inteligente é sermos solidários e hospitaleiros com quem não precisa, pois, dessa forma, estaremos sendo egoístas e pretensiosos ao imaginarmos estarmos bem com Deus quando, na verdade, o estamos levando de volta ao Calvário  na pessoa de Cristo.
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A MORTE!
Ainda bem que a morte é unitária, não havendo coligações na despedida desta vida para a outra, cada um seguindo o seu destino em trajetória direta aos portais do infinito, a passagem desse umbral só se dará isoladamente e sem nenhuma vantagem que discrimine o ser em extinção.
A vida foi, é e sempre será, um constante acotovelamento num redemoinho voraz de privilégios, por via de conseqüência, de deserdados das distribuições de quiméricos benefícios. No afã do usufruto, beneficiados se confraternizam num banquete genocida em um altar de fartura  entredevorando, utopicamente,  os bens amealhados às custas dos menos favorecidos, dando, de retorno aos dilapidados, apenas as migalhas que lhes fogem das comissuras dos lábios sedentos de ganância e luxo desenfreados, restos esses que só chegam aos párias depois de acirradas disputas entre as camadas elitizadas dominantes, num diuturno beneficamente divisional, só deixam aos infelizes os bagaços do banquete da vida após sugar-lhes toda a seiva nucléica. No constante passar da existência tudo se aproveita e de tudo se beneficia desde que não fique repasto digno aos carentes da sorte e da fartura. Se um indigente da divisão procurar abrir caminho é de imediato colocado numa situação crítica e vexatória pela confraternização dos abastados, como não sabe usar as armas da astúcia, difamação, calúnia, injúria e falsidade, na certa, irá adernando para o fundo do poço de onde viera voltando mais deficiente do que quando iniciara a escalada à procura de uma divisão mais justa.
Se, pelo contrário, procura aprender os conhecimentos abjetos dos dominadores, não terá estrutura, estágio ou interstício somatório à experiência dos demais, acabando por sucumbir inexoravelmente. Nesse declínio de retorno a miséria levará consigo ainda mais para o fundo os seus semelhantes de sofrimentos que o tenham acompanhado. Os conhecimentos parcamente adquiridos não ofenderão aos abastados e, sim, seus próprios iguais que com ele encontraram na tentativa da subida. Essa luta é um rodízio de amarguras e só terá fim no umbral da morte, que a todos nivelará!
Acenos, ofertas, propostas, súplicas e subornos, nada comoverão a “morte” e ela ceifará a todos sem nenhuma distinção de quaisquer espécies, levando-os para o infinito, não lhe importando a condição social, moral ou religiosa do conduzido.
Sendo unilateral, a morte só tem contrato com o ser que vai  levar e nada lhe deve de retorno, apenas...  o leva !
Para onde leva, ela não definirá, como leva, também não! Os abastados não poderão levar o seu ouro nem a sua fortuna já que a morte lhe despojará totalmente no ato da transferência. Os miseráveis também não levarão os seus andrajos nem a sua miséria por que a morte os nivelará aos ricos deixando a miséria no ponto de embarque.
A morte não dará nenhuma informação do destino a ninguém, porém, não deve ser local ruim, porque, logo no início da viagem, ela conduz a todos em igualdade de condições e, todos na primeira classe! o pior que poderia acontecer ao indigente é o reverso da medalha, no entanto, os orgulhosos e abastados será que agüentarão esse reverso das coisas ?
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O ABORTO!
Não macules o teu ventre, santuário de doce harmonia, deixe que no  seu âmago entre a pura alma... Cor do dia!
Não lacres à vida a porta de um ente que não conhece o futuro só a Deus importa, você, só ganhará o que padece.
 Evite sepultar na latrina o fruto de sua concepção, seja antes uma maestrina em regência de devoção!
Não aborta a vida futura sob sua tutela ingente, deixe viver a criatura: seu pedaço inerente!
O mundo está poluído com tanta maldade insana e a cada feto destruído a escolha é menos soberana.
Não é você que vai gerir a vida em seu ventre a nascer, a você cabe apenas... Parir! A Deus, fazê-la crescer!
Se você não podia dispor da vida quando no seio de sua genitora, por que agora, irrefletida! Deseja da morte ser tutora !
A maldade no mundo atual não vem de crianças vadias, mas, do adulto racional, mestre dos vícios e das orgias!
O número de filhos num lar onera a subsistência falida, mas, fazer do útero um lagar, é a morte de sua alma e vida!

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O PREDADOR
A abelha pousa na flor sem o pólen massacrar, o homem massacra o amor sem nem ao menos pousar!  O passarinho faz o ninho sem a natureza incomodar, o homem, que é mesquinho, faz a poluição imperar! A formiga faz o lar em união e equidade, o homem a rapinar: o direito e a igualdade! Até o animal predador, satisfaz-se com a fartura, o homem, em seu rancor, só para na sepultura! O equilíbrio da vida tem por base o amor, sem disputa renhida e sem almejar penhor. Nem Jesus envelheceu neste mundo nefando, veio amar e morreu como se tivesse pecando! Pregou o eterno paraíso longe dos elos terrenos, profetizou o dia do juízo com julgamentos serenos.
Homens insensatos! Copiem dos animais, não sejam ingratos e acatem seus iguais!

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CAMINHOS PARALELOS
Nossos caminhos não cruzam por serem diferentes: enquanto sigo as estrelas você acompanha o tridente!  Piso em espinhos, sofro dores, sou carente de carinhos, vivo com poucos amores. Você pisa em rosas, dores? Você não tem carinhos lhe sobram, amores... Também! Minha vida... É vida! A sua... Prazer! A dor me anima, a você... Faz sofrer! Os prazeres terrenos, acalanto de infelizes, são cantos de meretrizes as quais você faz acenos. Eu vivo do apetecível sem infringir o viável nas espeluncas da vida! Em cabotagem contínua navego nas periferias de incansáveis ambições. Não questiono o revide nem revolvo as mazelas. Sou travesso na decência sem macular os padrões: Sou uma luz mortiça no fundo do calabouço!
Sou uma mera bijuteria em almofadas de lágrimas na joalheira da vida. No revezar dos prêmios sou apenas um vil troféu na prateleira do verdugo. Neste mundo narcisista sou um magistral lacaio servindo a garboso vilão. Em minha capitulação, servil, mas sem queixumes: aplicam-me duras penas! Porém... Nada é imutável! No velejar da nossa vida a caminho do infinito. Quem se julga da Justiça à pálpebra, será, em breve, um simples joanete! Da profunda masmorra a luz do justo ofuscará o pseudo-reino da terra. Carótida em cacoetes secará o sangue do ímpio imolando a sua força vital!
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O SILÊNCIO
Silêncio no promontório das ilusões esquecidas nas passagens da vida sem abrigo das dádivas. É sempre mutante o coração do dependente das quimeras neste labirinto de procura sem o arrimo da esperança.
 Vagueia saltitante a mente no ápice do destino fétido, qual pedra na corredeira sem ter caminho de escolha. Silêncio no fim da vida em vitrine de amarguras das fantasias superadas sem o laurel da fartura. Havendo no fim o silêncio absorvendo os raciocínios, porque ficarmos medrando pelas fendas dos caminhos?
Viva hoje... Com realidade desdenhando o dia seguinte! Porque, amanhã, o hoje será um pretérito eternamente! Porém, viva sem vegetar nos paludes das margens, fluindo na longitudinal pra o âmago do silêncio. Em toda a peregrinação seja honesto e piedoso qual sacro conta-gotas amenizando sofrimentos. Ao terminar a caminhada, já no umbral do infinito, verás o Portal do Céu que o silêncio resguarda!  O silêncio é vácuo de deus que isola do mundo o Céu, excedê-lo? Só com amor nutrido na jornada da fé !
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O VÉU DA NOITE!
O que perdi na madrugada, a matinal aurora encontra. Os tropeços da manhã equilibram-se ao meio-dia. Os deslizes da tarde têm parapeito vespertino.
As falhas do entardecer têm guaridas na noite! Os sonhos da madrugada desvanecem com a aurora. As tramóias do amanhecer se desfalecem ao sol a pino. Os engodos da tarde engravidam o anoitecer: e a noite, camuflante, gera vis traições!
A esperança na madrugada enfraquece com a aurora. As amarguras matutinas são deglutidas no almoço. O fanfarrão do entardecer é tirano ao final do dia: e a noite, reles depósito, armazena desilusões!
O que encontrei na madrugada a aurora matinal ofuscou os acertos do amanhecer decomporam-se ao meio-dia. A idoneidade da tarde não teve respaldo vespertino. A sabedoria do entardecer foi obscurecida pela noite.
A Ilusão da madrugada foi mistificada pela aurora. A ética do amanhecer foi frustrada ao meio-dia. A honestidade da tarde tornou estéril o anoitecer, e: à noite, mistificante: tornou árida a humanidade!
O desânimo da madrugada criou ânimo com a aurora. O otimismo matutino foi saciado no almoço. A humildade ao entardecer trouxe timidez ao fim do dia, e a noite... Liberal! Fez doações de quimeras!
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QUANDO...
Você é como a rosa que projeta perfume e não como a jactância que só alimenta ciúme. Quando a ferrugem chegar aos seus membros senis, segue adiante com ardor não receando a velhice. Quando a sua vida nublar escasseando a projeção, olhe para dentro de você sem mágoas  do passado.
Quando seus órgãos cederem não resistindo a pressão, alimente-os com esperança de um porvir da sepultura. Quando a sua casa esvaziar para formar novos seres, vede a lacuna com o amor no doce seio da parceira. Quando alguém lhe ofender sem você dar-lhe razão plausível, engula as mágoas latentes perenizando os seus sorrisos. Quando você domar as emoções na couraça do seu desprezo, elas escorrerão desvalidas e seu âmago será vencedor. Quando a juventude pedir seus conselhos não seja mesquinho na doação, lembre-se de que, ao nascer, nada lhe dava discernimento nem tinha sabedoria em reserva.
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MNEMÔNICA
 (Diz o dicionário que mnemônica é a arte e a técnica de desenvolver a memória/ Mini-Aurélio)
Como escrevi no início, tentei fazer uma “grafia única” esperando ser entendida como “monografia”, não tenho (ainda) como ficar sabendo se fui (ou não) aceito, porém, de uma coisa eu tenho a certeza, se consegui mantê-los lendo estas  algaravias  é por que consegui servir para algo, mesmo que seja fazer os senhores aplaudirem a “outros”  tomando por fulcro  os meus impropérios improdutíveis.
Sempre quis ser diferente, se não o consegui na vida, foi em razão da minha “honorável” timidez.  Adoro seguir os bons exemplos sem descartar o conhecimento das más ações por entender que só podemos dar valor a algo se conhecermos o seu oponente, só assim, conseguiremos avaliar o que é bom (ou não) para ser seguido.
Detesto copiar os outros apenas pelo simples prazer de acompanhá-los, gosto mesmo é de elaborar os meus pensamentos e descrevê-los no papel. Nunca publiquei nada, porém, tenho material para fazê-lo (18 livros volumosos) e, nunca me interessei, por entender que a fama é orgulhosa, petulante, escravocrata, fugaz e... Volátil!  E, me recusar a efetuar parceria financeira com as editoras, me onerando antecipadamente.
Neste meu trabalho, intencionalmente, coloquei algumas “pedras de tropeços” por entender que, para haver uma harmonia de “Convívio entre as gerações resultando em alternativas para uma sociedade que fica idosa junta” mister se faz que os neófitos tomem conhecimento das mazelas da humanidade que, a todo o momento, lhes são apresentadas, através de todos os meios de comunicações, como algo que só acontece com os outros, quando, na verdade, elas estão se agrupando e, a qualquer momento, poderá  haver  um afogadilho agressivo que na certa alcançará aos menos avisados, descuidados ou, pior! ... Desinteressados!
Apesar “de esta vida ser uma pomada com maciez de veludo  e eu já não sofrer de nada de tanto sofrer de tudo” peço aos senhores que não se enganem achando que sou um revoltado, grosseiro e infeliz, pelo contrário, acredito no meu Deus, tive boa educação, “a de berço”, e, sou adepto  fervoroso da franqueza.
Finalizando, devo dizer-lhes que: “Trace os rumos com carinho, pondo firmeza nos traços; que a retidão do caminho, dará segurança aos seus passos. Se o desespero lhe atordoa, confia à prece o seu grito; que à prece em silêncio voa, e vai gritar no infinito“.
Tenho três corações, um, mostro a todos, outro os amigos conhecem e, o terceiro, que era secreto,  apresento-lhes  agora !
(aa.)Sebastião Antônio BARACHO
conanbaracho@uol.com.br
Coronel Fabriciano-MG.
Ps. : Desculpem-me a prolixidade, entretanto, para mim, ela é necessária para evitar o estresse, ao me ocupar a mente não dando lugar para o arquivo ou a percepção de tantos desatinos praticados pelos meus irmãos de jornada a caminho do píer da délivrance do espírito (ou alma).
O autor.
Sebastião Antônio Baracho Baracho
Enviado por Sebastião Antônio Baracho Baracho em 29/11/2006
Código do texto: T304817
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Sobre o autor
Sebastião Antônio Baracho Baracho
Coronel Fabriciano - Minas Gerais - Brasil, 79 anos
421 textos (19438 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 23:02)
Sebastião Antônio Baracho Baracho