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"ODISSEÍA", DE HOMERO ( continuação: tentativa de resumo dos Cantos IX e X)

               “ODISSÉIA”, DE HOMERO


          (RESUMO/continuação: Cantos IX e X)

                                             
                                                                       

                        Autoria: Prof. Dr. Sílvio Medeiros


                      CANTO IX


“_ Seigneur Alkinoos, l’honneur de tout ce peuple, j’apprécie le bonheur d’écouter un aède, quand il vaut celui-ci: il est tel que sa voix l’égale aux Immortels! et le plus cher objet de mes voeux, je te jure, est cette vie de tout un peuple en bon accord (...) Mais je veux commencer en vous disant  mon nom: que vous le sachiez tous! et, si le jour cruel m ‘épargne, que, pour vous, je sois toujours un hôte, si loin que je demeures!
C ‘est moi qui suis Ulysse, oui, ce fils de Laerte, de qui le monde entier chante toutes les ruses et porte aux nues la gloire.” (p.36)

“_ Ó rei Alcínoo, entre todos ilustre e ornamento do povo!
É delicioso, de fato, podermos ouvir tão sublime
e inolvidável cantos, cuja voz se assemelha à dos deuses.
Sim, digo mesmo que a nada se pode aspirar de mais alto
que ver a paz entre o povo e a alegria no rosto de todos (...)
Pelo meu nome princípio darei, que a saber venhais todos
como me chamo e porque hóspede vosso ainda seja, conquanto
venha da Morte a escapar e por mais que me encontre distante.
Sou de Laertes o filho, Odisseu, conhecido entre os homens
por toda sorte de astúcias; bater foi no céu minha glória.” (P.154)

     Odisseu passa, então, a narrar (1) todas as suas aventuras aos ouvintes da corte dos Feácios. Dá início, relatando as experiências que ele vivera no país dos Cíconos. Narra que na terra dos Cíconos a tropa promoveu um saque por toda a cidade. Uma guerra se estabeleceu entre a frota grega e os Cíconos - armados com dardos de bronze. Os gregos, apesar de algumas vítimas, conseguiram, finalmente, fugir da ilha.
     Prosseguindo viagem, as naus foram levadas pelos ventos até a ilha dos Lotófagos – lugar habitado por seres que comem flores. Aos companheiros de Odisseu foram oferecidas flores de loto, para que eles a apreciassem, sobretudo o sabor: doce como mel ! Contudo, tratava-se de um poderoso fruto! o qual provoca o esquecimento nos homens: esquecimento de regresso à própria Pátria! Odisseu, reconhecendo o poder sedutor da planta, trouxe de volta às naus todos os companheiros que haviam experimentado-a, isto é, a planta, doce como o mel.
     Prosseguindo viagem, a tropa dos gregos chega à terra dos soberbos Ciclopes: monstros de um só olho. Viviam os Ciclopes numa terra totalmente estéril, pois eram monstros que não se preocupavam em cultivar ou produzir alimentos. Em verdade, eram devoradores de seres humanos. Odisseu desceu, precavido, na terra dos Ciclopes, munido de saboroso vinho, visando oferecer a bebida àqueles homens-monstros para, com isso, por meio da embriagues, poder sabotar os Ciclopes - desprezadores das leis e da justiça. Apesar das atitudes preventivas do herói grego, a tropa foi tornada refém de um gigantesco Ciclope chamado Polifemo. Uma vez encurralados na gruta do monstro Polifemo, Odisseu e seus companheiros assistiam horrorizados alguns companheiros da frota grega serem devorados pelo terrível monstro. Odisseu ofereceu a Polifemo uma vasilha cheia de vinho. O monstro apreciou a bebida, passando a solicitar a Odisseu doses cada vez maiores. Assim, Polifemo principia a se embriagar; a razão de Polifemo começa a se alterar... De repente, Polifemo formulou a seguinte questão a Odisseu: “_ Donne encor, sois gentil! et dis-moi maintenant, tou de suite, ton nom ! car je voudrais t’offrir, ô mon hôte, un présent qui va te réjouir...”. (“_ Dá-me outra vez [isto é, outro gole de vinho]; sê bondoso; revela-me logo o teu nome, para que possa ofertar-te um presente que muito te alegre...”). Logo em seguida, o astucioso Odisseu responde, assim, ao monstro:

“_ Tu veux savoir mon nom le plus connu, Cyclope? je m’en vais te le dire; mais tu me donneras le présent annoncé. C’est Personne, mon nom: oui! mon père et ma mère et tous mes compagnons m’ont surnommé Personne”

(“_ Pois bem, Ciclope, perguntas-me  o nome famoso? Dizer-to
vou; mas a ti cumpre dar-me o presente a que há pouco aludiste.
Ei-lo: ‘Ninguém’, é o meu nome; ‘Ninguém’ costumavam chamar-me
não só meus pais, como os mais companheiros que vivem comigo.”)


     Conhecendo Odisseu pelo falso nome, Polifemo anuncia o presente que  reservara a “Ninguém”: seria o último a ser devorado pelo monstro de um só olho: “_ Eh bien! je mangerai Personne le dernier, après tous ses amis; le reste ira devant, et voilà le présent que je te fais, mon hôte!” (“_Pois de ‘Ninguém’ farei o último almoço, depois da companhia; todos os outros primeiro; esse o grande presente aludido.”).
     Após tal ameaça, Odisseu aproveitou-se de um momento de distração de Polifemo, que já se encontrava totalmente embriagado. Então, munido de uma estaca de oliveira de ponta aguçada, e também auxiliado pelos companheiros, Odisseu atirou-a no globo ocular do monstro. Um terrível rugido de dor! Com isso, Polifemo chamou a atenção dos outros ciclopes que habitavam a ilha. Eles correram até a entrada da caverna de Polifemo, para saber o que lá havia, afinal, ocorrido. Perguntaram a Polifemo a razão daquela dor que o oprimia, além dos uivos. Do fundo da caverna, Polifemo rugiu o seguinte: “_ La ruse (2), mes amis!  la ruse! et non la force!... et qui metue? Personne!... (“_ Dolorosamente ‘Ninguém’ quer matar-me; sem uso da força.”). Porém, se ninguém o violentava, desse modo raciocinaram os demais ciclopes, sugeriram, então, a Polifemo, que  chamasse pelo pai poderoso Posido, para salvá-lo de Zeus e, logo em seguida, o abandonaram na caverna.
     Enquanto isso, Odisseu e seus companheiros preparavam-se para a fuga da ilha dos Ciclopes. Dentro do antro, o monstro urrava de dor. Mas como deixar a caverna se a saída estava interrompida pelo gigantesco corpo de Polifemo? Odisseu fez uso, então, de outra artimanha: lançou sobre o seu corpo, e sobre os corpos dos companheiros, peles de carneiros; o monstro, uma vez apalpando-os, tomava-os como animais. O insensato gigante não percebeu o novo ardil de Odisseu, deixando, desse modo, o que restara da tropa grega escapar da escura caverna.
     Odisseu e seus companheiros correram até a praia e embarcaram em suas naus. Ao tomarem uma certa distância da ilha, Odisseu grita para Polifemo:

“_ Cyclope, auprès de toi, si quelqu’un des mortels vient savoir le malheur qui tá privé de l’oeil, dis-lui qui t’aveugla: c’est le fils de Laerte, oui! le pilheur de Troie, l’homme d’Ithaque, Ulysse.”

(“_Ouve Ciclope! Se um dia, qualquer dos mortais inquiririr-te
sobre a razão vergonhosa de estares com o olho vazado,
dize ter sido o potente Odisseu, eversor de cidades,
que de Laertes é filho e que em Ítaca tem a morada.” (p.168)

      Polifemo ergueu, então, um enorme rochedo, lançando-o contra a nau de Odisseu, contudo, sem acertá-la. Dali, a tropa continua a viagem; estavam felizes por ter escapado da morte, porém tristes pelos companheiros que haviam sido devorados pelo temível Ciclope.



                        CANTO X

     Odisseu e os companheiros chegam à ilha de Éolo (deus ou “o guardião dos ventos”):

“Nous reprenons la mer, l’âme navrée, contents d’échapper à la mort, mais pleurant les amis. Nous gagnons Éolie, où le fils d ‘Hippotès, cher aux dieux immortels, Éole, a sa demeure. C’est une île que flotte: (...) Éole en son manoir nourrit ses douze enfants, six filles et six fils qui sont l’âge d’hommes...”  (p.54)

(“Desembarcamos, depois, na ilha eólia; aqui o palácio
de Éolo, de Hípotes filho, dos deuses eternos amigo,
numa ilha móvel, que à volta se encontra cercada por muro
de aço infrangível; para o alto se eleva o rochedo escarpado.
Vindo à luz no palácio, seus filhos, ao todo, eram doze,
De um sexo seis, e seis do outro, já agora no viço da idade.”) (p.172)

     Toda a tripulação foi recepcionada com carinho pelos habitantes (os ventos) da ilha. Quando Odisseu pediu a Éolo que os deixassem partir, o deus dos ventos, solícito, ofereceu-lhe um presente em sinal de amizade:

“Quand, voulant repartir, à mon tour je le prie de me remettre en route, il a même obligeance à me rapatrier. Il écorche un taureau de neuf ans; dans le peau, il coud toutes les aires des vents impétueux, car les fils de Cronos l’en a fait régiseur: à son plaisir, il les excire ou les apaise.” (p.55)

(“ Quando, porém, lhe pedi e exortei que de novo o retorno
nos concedesse, mostrou-se disposto a aprestou-nos a volta.
Um odre deu-me de couro, tirado de um boi de nove anos,
Dentro do qual encerrou o caminho dos ventos uivantes,
Pois guarda ele era dos ventos, que Zeus poderoso o nomeara para
Acalmá-los, ou para excitá-los, conforme entendesse.”) (p.172)
 
     A frota deixou a ilha, porém, desastradamente, um dos navegantes abriu a pequena caixa oferecida como presente a Odisseu, pelo deus dos ventos. No mesmo instante, todos os ventos abandonaram a caixa, provocando um forte vendaval. Com isso, as naus foram reconduzidas à ilha Eólia.
     O deus Éolo quis, então, saber qual era a razão que os traziam de volta à sua ilha. Odisseu narrou, então, o sucedido: o retorno se dera em virtude da indiscrição de um de seus companheiros ter aberto o presente que o deus havia lhe oferecido. Ao ouvir tal relato, o deus ficou furioso, expulsando-os da ilha.
     Durante seis dias e seis noites, toda a tripulação vagou sem destino pelo mar, até que chegaram na ilha dos Lestrigões. Percorreram a ilha para um primeiro reconhecimento do local e, em seguida, rumaram até a mansão local, lugar onde se encontrava a esposa do rei daquela ilha. A caminho da mansão conheceram a filha do lestrigão Antífates. Ficaram pasmos de medo com a figura monstruosa. Descobriram, então, que aqueles seres eram devoradores de homens, fisgando-os como peixes. Novamente, em debandada, toda tripulação partiu, em fuga, da referida ilha. Entretanto, antes da partida, os navegantes perderam alguns amigos, que foram devorados pelos lestrigões.

“Nous reprenons la mer, l’âme navrée, contents d’échapper à la mort, mais pleurant les amis. Nous gagnons Aiaié, une île qu’a choisie pour demeure Circé, la terrible déesse douée de voix humaine, Circé aux belles boucles, une soeur d’aiétès aux perfide pensées: tous deux doivent le jour au Soleil des vivants, qui les eut de Persé, la nymphe océanide.” (p.60)

“Alegremente fugi no meu barco das pedras a pique,
para o mar alto; os demais ali mesmo partidos ficaram.
O coração apertado, vogamos ali para diante,
ledos por termos da Morte escapado, com perda dos sócios.
Fomos, depois, aportar à ilha Eéia, onde tinha morada
Circe, de tranças bem-feitas, canora e terrível deidade,
que era de Eets irmã, feiticeiro de espírito escuro,
pois ambos foram nascidos do Sol que os mortais ilumina,
quando com Persa se unira, que foi pelo Oceano gerada...” (p.175)



     A tripulação chega à ilha da deusa-feiticeira Circe. Os companheiros de Odisseu dirigiram-se até mansão da deusa - versada em drogas infinitas. No palácio, ao som da encantadora voz, Circe tecia. Abrindo a porta da mansão, pediu que os rapazes entrassem.

“Elle les fait entrer; elle les fait asseoir aux sièges et fauteuils; puis, leur ayant battu dans son vin de Pramnos fu fromage, de la farine et du miel vert, elle ajoute au  mélange une drogue funeste, por leur ôter tout souvenir de la patrie (...) De sa baguette, alors,  la déesse les frappe et va  les enfermer sous les tects de ses porcs.” (p.65)

“Ela os levou para dentro e of’receu-lhes cadeiras e tronos,
e misturou-lhes, depois, louro mel, queijo e branca farinha
em vinho Pirâmnio; à bebida, assim feita, em seguida mistura
droga funesta, que logo da pátria os fizesse esquecidos.
Tendo-lhes dado a mistura, e depois que eles todos beberam,
com uma vara os tocou e, sem mais, os meteu na pocilga.
Tinham de porcos, realmente, a cabeça, o grunhido, a figura
e as cerdas grossas, mas inda a consciência anterior conservavam.”) (p.178)

     Euríloco, que logo desconfiara de alguma cilada, presenciando a desdita dos companheiros, retornou à nau para dar as tristes notícias ao restante da tripulação.
     Contudo, Odisseu já recebera a visita do deus Hermes (deus mensageiro do Olimpo); o deus apresenta-lhe uma erva e diz:

“_ Mais je veux de tirer du péril, te sauver. Tiens! c’est l’herbe de vie! avec elle, tu peux entrer em ce manoir, car sa  vertu t’évitera le mauvais jour. Et je vais t’expliquer les desseins de Circé et tous ses maléfices. (...) Ayant ainsi parlé, le dieu aux rayons clairs  tirait su sol une herbe, qu’avant de me donner, il m’apprit à connaître: la racine en est noire, et la fleur, blanc de lait; ‘molu’disent  les dieux; ce n’est pas sans effort que les mortels l’arrachent; mais les dieux peuvent tout... Puis Hermès, regagnant les sommets d’Olympe, disparut dans les bois.” (p.67)

“(“... _ quero, porém, proteger-te e livrar-te do mal iminente.
Toma esta droga de muita eficácia e o palácio de Circe
entra, porque há de livrar-te a cabeça do dia funesto.
Vou revelar-te os ardis perniciosos usados por Circe:
há de bebida of’recer-te e veneno te pôr na comida.
Mas impossível ser-lhe-á enfeitiçar-te, que a droga excelente
Que ora te entrego desfaz esse influxo (...)
Tendo isso dito, arrancou o correio de lúcido aspecto
da terra a planta e ma deu, explicando-me suas virtudes.
Tinha a raiz de cor negra, mas branca era a flor como o leite.
Móli (3) chamavam-lhe os deuses; difícil aos homens seria,
de vida curta, arrancá-la; mas tudo os eternos conseguem.
Hermes, depois de isso feito, partiu para o Olimpo elevado,
pela ilha de árvores cheia; eu, me fui para a casa de Circe.”)  (p.180)
       
     Odisseu dirige-se, então, à mansão da deusa Circe, levando consigo a proteção procedente do Olimpo. Chegando ao palácio da feiticeira Circe, Odisseu foi bem-recepcionado pela deusa; esta já lhe reservara uma porção da terrível droga, capaz de transformar os homens em porcos. Odisseu a bebeu, porém, sobre ele a droga não teve nenhum efeito. A deusa, impressionada com o ocorrido, pedia que Odisseu se identificasse. Apresentou-se, então, como o filho de Laertes. Em seguida, Odisseu pediu à deusa que dotasse, novamente, de forma humana, os seus companheiros, naquele momento todos transformados em porcos. Circe prontamente atendeu o pedido de Odisseu, devolvendo a forma humana aos infelizes.
     Durante um ano, a frota do herói permaneceu na ilha de Circe, desfrutando de todas as delícias do local. Passado todo esse tempo, Odisseu, embora  enamorado da deusa, solicita a Circe que o deixe partir. A resposta foi a seguinte: “_ Fils de Laerte, écoute, ô rejeton des dieux, Ulysse aux mille ruses! Si, dans cette  maison, ce n’est plus de bon coeur que vouz restez, partez!”. (“_Filho de Laertes, de origem divina, Odisseu engenhoso, contra a vontade, por certo, não mais ficareis aqui em casa...”).
     A deusa atendeu o pedido do herói. Porém, antes dos preparativos para a viagem, explicou a Odisseu que ele deveria descer ao reino de Hades, a fim de consultar o adivinho Tirésias, para que conhecesse, assim, todo o percurso do seu retorno a Ítaca.
     Durante os preparativos para a partida da frota, um certo Elpenor - guerreiro grego, não muito notável -, pelo efeito do vinho, despencou do telhado do palácio da ninfa Circe, morrendo após violenta queda: sua alma evolou imediatamente rumo ao Hades. Odisseu avisa, então, os companheiros quanto a viagem que os aguardava rumo ao Hades.



AOS LEITORES: SEGUEM ABAIXO ALGUMAS NOTAS EXPLICATIVAS E/OU PROVOCATIVAS

1. Do ponto de vista do estudioso francês Pierre Vidal-Naquet, toda a “Odisséia”, apesar do registro do maravilhoso, trata-se da narração do retorno da volta do herói Odisseu à normalidade, isto é, trata-se da aceitação, por parte do herói, da condição humana. Nesse sentido, a “Odisséia” representa, em última instância, a despedida do Mito. De outra parte, consoante lições anotadas das aulas ministradas pela Profa. Dra. Jeanne Marie Gagnebin (Cf. o campo “Nota” do resumo anterior): “Odisseu, para sair do plano do Mito, deve passar pelo último e, no Canto IX, da “Odisséia”, o Mito é assumido pelo narrador, na medida que Odisseu, na corte dos Feácios, na qualidade de narrador, se auto-nomeia e passa, assim, a narrar as suas provações a todos os ouvintes.”

. No Canto IX da “Odisséia”, ocorre, na verdade, uma mudança significativa na narrativa poético-homérica, pois o narrador assume o seu lugar; assume, enfim, o Mito (o herói passa por provas, contudo, agora ele narra as suas provações, é-lhe permitido verbalizar as suas provações e, com isso, narrar a sua própria história. A tomada da palavra por parte do herói Odisseu demonstra, pela primeira vez, em se tratando de toda história da literatura, que o narrador sabe contar, narrar; portanto, com relação à narratologia da “Odisséia”, ocorre, pela primeira vez, a mudança do narrador da terceira pessoa para a primeira pessoa. Nesse caso, quanto ao gênero literário, o romance deita raízes nos versos de Homero.

2. Na tradução francesa, a palavra: “ruse” (ruse = métis). Em alguns de meus textos, já disponibilizados no presente site, há várias alusões à Métis, inclusive, um dos referidos textos carrega no título a palavra Métis. Retomando, assim, brevemente, o significado de Métis = inteligência prática; ter argúcia, sagacidade; fingir, ser vigilante... é não deixar escapar o momento oportuno (kairós); homem de métis = homem que não se deixa levar por impulso - daí a distância entre o herói central da “Ilíada”, isto é, Aquiles, o colérico, o irado; e o herói central da “Odisséia”, isto é, Odisseu, cheio de métis, vigilante perpétuo que, numa sociedade agônica, não se deixa burlar pelo adversário, sobretudo pela morte - da qual escapa a todo momento nos milhares de versos da “Odisséia” homérica.

3. Erva mágica, excelente, conhecida pelos deuses do Olimpo, cujo nome é “Móli”... Em se tratando de efeitos intertextuais da “Odisséia” de Homero no “Ulisses” de James Joyce, a infiel mulher do protagonista (ou herói moderno) do último texto, isto é, Leopold Bloom, tem por nome Molly Bloom (a Penélope moderna).
 

BIBLIOGRAFIA

HOMÈRE. L’Odyssée. Texte établi et traduit par Victor Bérard.  Tomes I ( huiteme tirage ) , II ( neuvieme tirage) et III (huiteme tirage). Paris : Les Belles Lettres, 1972 - 1974 - 1987.

HOMERO. Odisséia. Tradução Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.




PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
    verão de 2005

SÍLVIO MEDEIROS
Enviado por SÍLVIO MEDEIROS em 30/12/2005
Reeditado em 30/12/2005
Código do texto: T92082

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Sobre o autor
SÍLVIO MEDEIROS
Campinas - São Paulo - Brasil, 61 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 18:07)
SÍLVIO MEDEIROS