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"ULISSES", DE JAMES JOYCE (continuação da tentativa de resumo: episódios 11, 12 e 13)

              “ULISSES”, DE JAMES JOYCE


   (RESUMO/ Episódios 11, 12 e 13)


                                   Prof. Dr. Sílvio Medeiros



                                           
                EPISÓDIO 11 : SIRENS

       
     Este episódio tem lugar no interior do “Bar Ormond”, às 4 horas, da tarde. O capítulo é essencialmente musical. “Impertxnentx txnentxnentx”; “Bloomquem” ou ainda “Bloomcujo” flanava pelo interior do bar. O sr.Dedalus também ali flanava, acompanhado do filho, o  jovem bardo Stephen Dedalus.
     Um diálogo se estabelece entre Miss Douce e Miss Kennedy sobre um clássico pianista:

“_ Pois não era, Miss Kennedy ? O verdadeiro clássico, o senhor sabe. E ademais cego, o pobrezinho.” (...) (“_ Didn’t he, Miss Kennedy? the real classical, you know. And blind too, poor fellow...”) Fume sereias, a mais fresca baforada de todas ” (“Smoke mermaids, coolest whiff of all”).
       
     No interior do bar, todos, na verdade, flanavam, ao som de notas musicais, árias, harpas, sereias, canções oceânicas... Sereias fumando. O relógio chilrou, e a sereia fumando e baforando, diz:

“ _ Do rochedo de Gibraltar... de todos os modos.
Elas enganchavam-se na profundura da sombra oceânica, ouro perto da bica de cerveja, bronze perto do marasquino, pensavitas as duas, Mina Kennedy, 4, terraço Lismore, Drumcondra, com udolores, uma rainha, Dolores, silenciosa.” (...) Ante o rochedo de ananás de Graham Lemon”. (p.203-205)

(“_ From the rock of Gibraltar ... all the way.
They pined in depth of ocean shadow, gold by the berrpull, bronze by maraschino, thoughtful all two. Mina Kennedy, 4 Lismore terrace. Drumcondra with Idolores, a queen, Dolores, silent. (...) By Graham Lemon’s pineapple rock...”)   (p. 222-223)

     Leopold Bloom, enquanto aprecia uma refeição, ouve uma ária - o concerto do sr. Dedalus - e pergunta:

 “ _ Que ária é essa?  perguntou Leopold Bloom.
  _ Tudo está perdido agora. (...) Tudo é perdido agora. Plangente ele assoviava. Queda, entrega, perda. (...)
  “ _ Uma bela melodia _ disse Bloom perdido Leopold.” ( p.206)

(“_ Which air is that? asked Leopold Bloom.
   _ All is lot now.” (...) All lost now. Mournful he whistled. Fall, surrender, lost. (...)
   _ A beautiful air, said Bloom lost Leopold.”)   (p.224)

     Finda a ária, todos os presentes aplaudem: “Bravo! Plaqueplaque. Óptimo, Simon. Plaquepalcplac. Bis! Placpliqueplac. Soa como um sino ...” (“Bravo! Clapclap. Good man, Simon. Clappyclapclap. Sound as a bell.”)
     Um rapaz cego é um dos freqüentadores do Bar Ormond:

“Tape. Tape. Um rapazola, cego, com uma vareta tapetante, vinha tapetapetapitando perto da vitrina do Daly onde uma sereia, cabeleira toda cascateante (mas ele não podia ver), soprava baforadas de uma sereia (cego não podia), uma sereia da mais fresca baforada dentro todos.
Instrumentos.”(p.218)

( “Tap.Tap. A stripling, blind, with a tapping cane come taptaptapping by Daly’s window where a mermaid hair all streaming ( but he couldn’t see) blew whiffs of a mermaid ( blind coudn’t), mermaid, coolest whiff of all.
Instruments.”)   (p.237)

     Neste trecho do romance, pontua um tema recorrente: o do “Impermeato”: “Quem seria aquele sujeito à beira da cova a parda impermeá. Oh, a puta do beco!” ( “Wonder who was that chap at the grave in the brown macin. O, the whore of the lane!”)



                  EPISÓDIO 12: CYCLOPS

       
     Um diálogo entre dois policiais da Dublin Metropolitan Police inaugura o intróito deste episódio:

“_ EU estava apenas matando o tempo do dia com os velho Troy da P. M.D. lá na esquina de Arbour Hill quando um sacana de um limpa-chaminé veio por ali e quase meteu sua brocha pelo meu olho adentro ”.

(“I was just passing the time of day with old troy of the D.M.P. at the corner of Arbour hill there and he dammed but a bloody sweep came along and he near drove his gear into my eye.”)

     Um vira-latas, Garryowen, e o bandoleiro Geragghty, ambos  investem contra os cidadãos que transitam pelo local: “_ Eu desafio ele - fala ele _ e redesafio ele. Vem pra cá, Geraghty, seu sacana de bandoleiro conhecido em montes e vales!” ;  “ (...)  e aquele  safado de vira-lata sarnento, o Garryowen (... ) comeu os fundilhos  das bragas de um homem da polícia de Santry...” (“I dare him, says he, and I doubledare him. Come out here, Geraghty, you notorious bloody hill and dale robber!”) (“I’m told for a fact he ate a good part of the breeches off a constabulary man in Santry”).
     Em seguida, é feita a descrição de um velho sacaneador gigantesco, concomitante à descrição de um catálogo com nomes de heróis e de heroínas irlandeses, ingleses, além d’ outras nacionalidades.
     Então o velho Garryowen começa a rosnar para Leopold Bloom, que continuava a rondar a porta do bar: “_ Vamos, entre, ele não vai comê-lo - fala o cidadão.” (“Come in, come on, says the citizen. He won’t eat you”). O feroz cão farejava o judeu Leopold Bloom: “...esses judeus tem  mesmo um tipo de cheiro estranho...” (“those jewies does  have a sort of a queer odour...”).
     Em seguida, no bar de Barney Kiernan eclode um conjunto de referências desarticuladas e menções são tecidas - pelos freqüentadores do bar - ao Sinn Fein, aos patriotismos, aos nacionalismos, às competições esportivas e desportos irlandeses, aos jogos de tênis e arremessos de pedra, aos desportos gaélicos associados a elementos da cultura esportista da antiga Grécia. Tem lugar, então, uma sucessão de imagens, na qual surgem lutas, apostas, gladiadores irlandeses, lutadores e nocautes, dentre outras coisas do gênero.
     No bar de Barney Kiernan, um violento nacionalista expulsa Leopold Bloom do local: e um feroz cão sai em seu encalço.
     O tema recorrente sobre religiões reaparecerá no final deste episódio. A seguir, uma bela imagem poético-religiosa é apresentada, colocando a salvo Leopold Bloom das sucessivas e perigosas  perseguições enfrentadas pelo referido personagem no bar de Barney:

“Eis que então desceu sobre eles todos um grande clarão e eles viram o carro em que Ele estava a subir aos céus. E eles o viram no carro revestido na glória desse clarão com vestidura como se do sol, belo como a lua e tão terrível que de medo não ousaram olhar para Ele. E veio uma voz dos céus, que clamou: Elias! Elias! E Ele respondeu num grande grito: Abba! Adonai! E eles O viram bem a Ele bem Bloom Elias, em meio a nuvens de anjos subir para a glória do clarão, num ângulo de quarenta e cinco graus sobre o Donohoe da Ruela Verde, como um jacto de uma pazada.” (p.258)

( “ When, lo, there came about them all a great brightness and they beheld the chariot wherein He stood ascend to heaven. And they beheld Him in the chariot, clothed upon in the glory of the brightness, having raiment as of sun, fair as the moon and terrible that for awe they durst not look upon Him. And there came a voice aout of heaven, calling: Elijah! Elijah! And He answered with a main cry: Abba! Adonai! And they beheld  Him even Him, ben Bloom Elijah, amid clouds of angels ascend to thr glory of thr brightness at an angle of fortyfive degrees over Donohoe’s in Little Green street like a shot off a shovel.”)    (pp.282-283)



                 EPISÓDIO 13 : NAUSICAA

       
     Em seguida, Leopold Bloom busca um descanso na praia, na tarde de verão de 16 de junho de 1904. Lá chegando, Bloom sente-se atraído por uma bela adolescente.
     O intróito deste episódio é o seguinte: “A tarde de Verão começara a envolver o mundo em seu misterioso amplexo.” (“The summer evening had begun to fold the world in its mysterious embrace”).
     Três jovens e duas crianças encontram-se à beira-mar. São elas: Cissy Caffrey (a estouvada), Edy Boardman (a estrábica) e Gerty MacDowell (a virginal).
     Mas, quem é, afinal, Gerty? Trata-se de uma moça frágil, aparentando um profundo sentimento de cansaço. Apesar disso, Gerty é bela, não fosse o infortúnio de ter nascido na pobreza “... poderia facilmente ombrear lado a lado com qualquer grande dama da terra e ver-se requintadamente ataviada com jóias na fronte e requestadores patrícios a seus pés, rivalizando-se entre si por pagarem-lhe seus tributos.” (“... might  easily have held her own beside any lady in the land and have seen herself exquisitely gowned with jewels on her brow and patrician suitors at her feet vying with one another to pay their  devoirs to her.”).
     Com os olhos baixos e tristes, Gerty, perdida em pensamentos,  imagina a felicidade num sonhado-imaginado futuro lar: uma sala de visitas decorada com quadros, gravuras, fotografias de amor e do cão Garryowen, cujo proprietário era o avô. Por outro lado, a imagem do seu homem ideal não é de nenhum príncipe, mas, de um homem viril. Contudo, as “cissicadas” da estouvada Cissy traz Gerty de volta à realidade.  Gerty pensa, então, em sua triste existência: filha de um pai bêbado, que arruinara todos os seus sonhos de infância. Boa filha, Gerty é considerada a segunda mãe no lar; ela é o anjo de guarda da casa. Diariamente, ela fecha o gás no registro - toda noite. Além disso, dia após dia, ela nunca se esquece de controlar as folhas do tradicional calendário do senhor Tunney, que se encontra dependurado numa das paredes de sua casa. Contemplando as imagens do calendário, Gerty pergunta a si mesma:

“ ... o vendeiro, com um quadro dos dias alciónicos em que um jovem cavalheiro em trajes que costumavam  usar então com um chapéu tricórnio oferecia um ramilhete de flores à sua bem-amada com o cavalheirismo de antanho através de uma janela gradeada. Podia-se ver que havia uma história por detrás daquilo (....) o que significava aquilo de dias alciónicos.”  (p.265)

(“... the grocer’s  christmas almanac, the picture of halcyon days where a young gentleman in the costume they used to ewar then with a threecornered hat was offering a bunch of flowers to his ladylove with oldtime chivalry through her lattice window. You could see there was story behind it (...) the halcyon days what they meant.”)    (p.291)

     Dias alciónicos: que é que é? Contudo, repentinamente, Gerty avista na praia o seu tipo ideal, ou melhor, o seu marido ideal. Gerty nota que se trata de um sujeito triste, de olhar melancólico. Ele deambulava pela praia e vinha em sua direção. Dentre outras coisas, Gerty imagina: “ ... fazê-lo esquecer a memória do  passado.” (“... make him forget the memory of the past.”).
     Mas quem é, afinal, o sujeito enlutado que se aproxima da jovem Gerty?
     É Leopold Bloom! Todavia, um breve encontro, uma troca de olhares, e logo a separação. Gerty corre, então, pela praia junto às companheiras. Leopold Bloom acompanha os movimentos da jovem e tece uma mordaz observação: “... sapatos apertados? Não. Ela é coxa! Oh!” (“... tight boots? No. She’s lame! O!”).
     O encerramento do episódio principia mediante um resumo do dia experienciado por Bloom:

“Que dia longo que tive. Martha, o banho, o enterro, casa das chaves, museu com aquelas deusas, canção de Dedalus. Depois aquele berrador no Barney Kiernan. Me pegou desprevinido. Matraqueadores beberrões. O que eu disse do Deus dele deixou ele acuado. Bobagem dar o troco. (...) Vejamos a coisa do ponto de vista dele. (...) Três vivas por Israel. (...) Anáguas de Molly. Tem o que pôr nelas. Que é isso? Pode ser dinheiro? ...” (pp.282-283)

(“ Long day I’ve had. Martha, the bath, funeral, house of Keyes, museum with those goddesses, Dedalus’s song. Then that bawler in Barney Kiernan’s. Got my own back there. Drunken ranters what I said about his God made him wince. Mistake to hit back. (...) Look at it other way round. (...) Three cheers for Israel. (...) Petticoats for Molly. She has something to put him. What’s that? Might be money?...”)  (pp.311-312).



                   BIBLIOGRAFIA

JOYCE, James. “Ulisses”. 8 ed. Tradução de Antônio Houaiss. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1993.

______. “Ulysses”. New York : Vintage Books, 1986.



           PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
                 verão de 2006




SÍLVIO MEDEIROS
Enviado por SÍLVIO MEDEIROS em 07/01/2006
Código do texto: T95634

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Sobre o autor
SÍLVIO MEDEIROS
Campinas - São Paulo - Brasil, 61 anos
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SÍLVIO MEDEIROS