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"ODISSÉIA", DE HOMERO (continuação da tentativa de resumo: Cantos XVIII, XIX e XX)

               “ODISSÉIA”, DE HOMERO


(RESUMO DE LEITURA/ Cantos XVIII, XIX e XX)
                                                                       


                        Autoria: PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS




                   CANTO XVIII


     Existia, sempre a vagar em Ítaca, um mendigo corpulento, de bela aparência, contudo não dotado de coragem. O nome dele era Iro e, por esta ocasião, tornara-se o mensageiro exclusivo dos pretendentes. Iro era muito famoso na cidade, pois era o portador de todos os recados.
     Iro entrou no palácio e tentou expulsar Odisseu da própria morada. Amaldiçoando-o, Odisseu pergunta ao mendigo que mal afinal lhe fizera.
     Entretanto, atento à discussão, Antínoo formula uma maldosa proposta aos dois mendigos: lutariam entre si, e o vencedor da peleja teria um lugar assegurado junto aos pretendentes.
     Os dois mendigos preparam-se para a luta. Entretanto, a platéia que se formou para acompanhar a peleja - notando o forte busto desnudo de Odisseu, que se preparava para a luta – contemplou o mendigo bastante admirada, ficando intrigada com o vigor físico daquele (falso) ancião.
     Os dois adversários lutam e, finalmente, Odisseu é o vencedor. Pouco a pouco, Odisseu - disfarçado de mendigo - passa a ganhar a antipatia dos pretendentes; Anfínomo e Antínoo, ambos passam a dirigir palavras insultuosas ao mendigo vencedor da peleja.
     Então, o herói disfarçado de mendigo toma a palavra, dizendo, em tom de advertência, que Odisseu em breve voltará: “_ Je vois ces prétendants machiner des folies! Ils outragent l’épouse et dévorent les biens d’un héros qui n’est plus éloigné pour longtemps, c’est moi qui te le dis, de sa terre et de siens; ...” (“..._ os pretendentes, agora, aqui vejo mostrarem-se iníquos, a consumirem sem regra a fazenda, e insultando a consorte do homem que julgo, não mais do país de nascença há de achar-se por muito tempo afastado. Está perto...”).
     Enquanto isso, Penélope, fingindo alegria, pede às criadas que a preparem, pois intencionada está a se apresentar aos pretendentes.
     Os deuses devolvem a Penélope a sua antiga beleza, sem qualquer marca de sofrimento. Penélope desce até o salão onde se encontravam os pretendentes, além do (falso) mendigo. Dirige palavras de indignação a Telêmaco, por ter permitido que o mendigo fosse injuriado em seu próprio palácio. Telêmaco responde à mãe que agiu com prudência, afinal de contas o vencedor agora era um hóspede-pretendente.
     O momento torna-se propício para que Penélope ouça, por parte dos pretendentes, maliciosos elogios sobre a sua beleza.
     Penélope, em resposta, a todos diz:

“_ ...ma valeur, ma beauté, mes grands airs (...) les dieux m’ont tout ravi, lorsque, vers Ilion, les Achéens partirent, emmenant avec eux Ulysse, mon époux! Ah! s’il me revenait pour veiller sur ma vie, que mon renom serait et plus grand et plus beau! Je n’ai plus que chagrins, tant le ciel me torment!...” (p.60)

“_ ...a forma do corpo e a beleza,
mas desfizeram os deuses no instante em que os homens de Aquivos
com meu esposo Odisseu para Tróia, em navio, partiram.
Mas, se ele viesse de novo e pudesse amparar-me cuidoso,
muito melhor me seria e mais fama, também, me coubera.
Ora aflições me acabrunham; demônio funesto me oprime.” (pp.312-3)
       
     Em seguida, os pretendentes passam a oferecer presentes à Penélope.
     Após o recolhimento de Penélope aos seus aposentos, Melanto - escrava de Penélope (criada pela última como se filha fosse, além de amante do pretendente Eurímaco) - continua no salão junto aos pretendentes, e começa a insultar Odisseu - disfarçado de mendigo. Odisseu retribui os insultos recebidos de Melanto. O amante de Melanto – Eurímaco -, irritado com tudo aquilo, toma um escabelo e lança contra o mendigo, atingindo-o no ombro direito.
     O jovem Telêmaco, indignado por Eurímaco ter ferido o próprio pai, insulta os pretendentes com muitas palavras, propondo, em seguida, de forma convincente e sensata, que todos fossem dormir, pois o vinho, naquele momento, fervia-lhes na cabeça. Todos aprovaram o discurso de Telêmaco.



                     CANTO XIX


      Odisseu, sempre a premeditar a matança de todos pretendentes, pede mais uma vez a Telêmaco que procure guardar em lugar seguro as armas de guerra.
     Odisseu continua, ainda, a ser insultado pela escrava Melanto. Indignado, Odisseu dirige a ela as seguintes palavras:

“_ Malheureuse, pourquoi me harceler ainsi d’un couer plein de colère? Je suis sale, il est vrai, et n’ai que des haillons, et je vais mendiant par la ville: que faire, quand le besoin nous tient?... c’est le destin de tous les gueux et vagabonds...” (p.71)

“ _ Por que motivo, demônia, embirraste comigo e me ofendes?
Por estar sujo, talvez e vestir estes trapos imundos,
e pechinchar entre o povo? O Destino me força a fazê-lo,
os vagabundos e os pobres têm todos a mesma aparência...” (p.321)

     Neste instante, Penélope estabelece um diálogo junto ao mendigo. Pergunta ao estrangeiro sobre a sua procedência. Odisseu diz algumas palavras (narra uma curta história), fazendo prevalecer, em sua narrativa, que se tratava de uma pessoa bastante infeliz.
     Penélope então narra a sua história para Odisseu. Diz, em tons melancólicos, que, no presente, tudo é diferente do passado. Em seguida, narra para Odisseu a trama que articulara para enganar os pretendentes:

“ _ ... Le seul regret d’Ulysse  me fait fondre le coeur. Ils pressent  cet hymen. Moi, j’entasse les ruses. Un dieu m’avait d’abord inspiré ce moyen. Dressant mon grand métier, je tissais au manoir un immense linon et leur disais parfois: ‘Mes jeunes prétendants, je sais bien qu’il n’est plus, cet Ulysse divin! mais, malgré vos désirs de hâter cet hymen, permettez que j’achève ! tout ce fil resterait inutile et perdu. C’est pour ensevelir notre seigneur Laerte: quand la Parque de mort viendra.... (...)  Sur cette immense toile, je tissais tout le jour; mais, la nuit, je venais, aux torches, la défaire. Trois années, mon secret dupa les Achéens...” (pp.73-74)

“ ... _  O casamento eles todos [os pretendentes] exigem; com dolo me escuso.
Primeiramente, um tear construir inspirou-me um dos deuses.
Tendo estendido no quarto uma tela sutil e assaz grande,
pus-me a tecer, enganando-os, depois, com fingidas palavras:
‘_ Jovens, porque já não vive Odisseu, me quereis como esposa.
mas não instei sobre as núpcias, conquanto vos veja impacientes,
té que termine este pano, não vá tanto fio estragar-se,
para a mortalha de Laertes herói, quando a Moira funesta
da morte assaz dolorosa o colher e fizer extinguir-se.’
Dessa maneira falei, convencendo-lhes o ânimo altivo.
Passo, depois, a tecer nova tela mui grande, de dia;
à luz dos fachos, porém, pela noite desteço o trabalho.
Três anos isso; como dolo consigo embair os Acaios...” (p.323)

     Em seguida, Odisseu retoma sua falsa narrativa, acrescentando novos detalhes. O ancião narra, para Penélope, uma longa história e, no final, diz que havia tido um encontro com o ardiloso herói Odisseu. O mendigo descreve em sua história detalhes das vestes de Odisseu; eles coincidiam com aqueles também conhecidos por Penélope. Tratava-se de sinais evidentes de que aquele mendigo estivera com o seu saudoso marido.
     Penélope então pede, imediatamente, aos escravos, que levem o mendigo dali, e dele cuidem com préstimos. Chama a prudente Euricléia, a sua mais fiel escrava, para dar um banho no infeliz hóspede.
     Contudo, ao banhar o infeliz mendigo, a fiel criada Euricléia reconheceu na perna do ancião a cicatriz que Odisseu adquirira quando criança, devido ao ataque de um feroz javali que o ferira durante uma caçada. Euricléia exclama: “_ Ulysse ! mon enfant! pour toi je  n’ai rien pu! toi que Zeus exécra entre tous les humains, alors que tu servais les dieux d’un coeur fidèle!” (“ _ És Odisseu, caro filho, não tenho mais dúvida: nunca fora possível sabê-lo, sem que em meu senhor eu tocasse...). Após tal revelação, Odisseu pede, então, que Euricléia mantivesse tudo em segredo, a ninguém revelando o seu disfarce, inclusive a Penélope.
     Penélope, um pouco à distância e também desatenta aos murmúrios ocorridos entre o mendigo e a fiel criada, narra ao estrangeiro alguns detalhes do sonho que recentemente tivera: era um presságio do retorno de Odisseu. Penélope diz ao “mendigo” os planos que formulara: promoveria um concurso para medir a força dos pretendentes, e o vencedor seria o seu novo esposo.





                       CANTO XX


     Odisseu, demonstrando impaciência e preocupação quanto ao futuro, roga por presságios ao deus do Olimpo, Zeus. Zeus sábio acatou-lhe o pedido e fez trovejar na mesma hora, escapando do Olimpo um raio brilhante, que pousa sobre o alto das nuvens.
     Enquanto isso, Penélope encontra-se bastante angustiada em seus aposentos, a ponto de rogar aos deuses que lhe tirem a vida. Contudo, dominada pelo sono, adormece.
     O rogo de Odisseu a Zeus foi, então, atendido (como acima já mencionamos, e acrescentamos): primeiro Zeus fez ouvir um forte trovão; em seguida Odisseu, acompanhando o serviço de algumas escravas, ouve as palavras de uma delas que rogava pelo retorno de Odisseu e pela vingança contra os pretendentes que tanto a humilhavam.
     De outra parte, Euricléia, a fiel criada, transmitia ordens às companheiras para que limpassem a casa. Filécio, o guardador de bois e amigo de Eumeu, ao se deparar com o novo hóspede pressente tratar-se de um nobre; pergunta, então, se o ancião era um rei, dando boas vindas ao estrangeiro. Diante disso, Odisseu convida o boieiro e o porqueiro a juntos assistirem a matança dos pretendentes. Enquanto isso, os pretendentes tramam o fim de Telêmaco, embora o pretendente Anfínomo declare, publicamente, a descrença em relação ao êxito deste traiçoeiro plano.
     Festas nos bosques de Apolo eram organizadas pelos pretendentes. Encontrando-se reunidos na sala principal do palácio, Antínoo provoca Telêmaco. Ctesipo, o pretendente que mais assediava Penélope, aproveita o momento para oferecer um presente ao novo hóspede: lança, repentinamente, uma pata de boi sobre o ancião, sem, contudo, atingi-lo. Telêmaco interpela o ousado pretendente, dizendo que caso Ctesipo tivesse atingido o ancião de forma tão covarde, ele próprio, Telêmaco, poria fim na vida do atrevido agressor. Telêmaco tira, então, proveito da oportunidade, para dizer a todos que, após tão longos sofrimentos experimentados no próprio lar, havia adquirido a maturidade suficiente para tudo compreender, distinguindo, desse modo, o bem e o mal. Agelau, pretendente nascido do herói Adamastor, toma a palavra, procurando convencer o divino Telêmaco que o pai não mais regressaria ao lar.
     Entretanto, a deusa Palas Atena - a de olhos glaucos -, que tudo assistia, passa a perturbar a razão dos pretendentes, colocando-os a rir em conjunto, sem qualquer motivo aparente. Os pretendentes riem de forma exagerada; vão às gargalhadas, até atingirem as lágrimas. Então, o divino Teoclímeno profetiza o retorno de Odisseu.
     Os pretendentes ainda induzidos por um falso e incontrolável riso põem-se a banquetear, pois a matança já estava maquinada. Eles usufruiriam os prazeres do último encontro.


                  BIBLIOGRAFIA

HOMÈRE. “L’Odyssée”. Texte établi et traduit par Victor Bérard.  Tomes I ( huiteme tirage ) , II ( neuvieme tirage) et III (huiteme tirage). Paris: Les Belles Lettres, 1972 - 1974 - 1987.

HOMERO. “Odisséia”. Tradução Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.


             PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
                  verão de 2006

SÍLVIO MEDEIROS
Enviado por SÍLVIO MEDEIROS em 09/01/2006
Código do texto: T96260

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Sobre o autor
SÍLVIO MEDEIROS
Campinas - São Paulo - Brasil, 61 anos
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SÍLVIO MEDEIROS