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"ULISSES", DE JAMES JOYCE (continuação da tentativa de resumo dos episódios finais: 16, 17 e 18 - PARTE III)

               “ULISSES”, DE JAMES JOYCE


   
(RESUMO/ Episódios 16, 17 e 18 – Parte III - Final)




                         Autoria: Prof. Dr. Sílvio Medeiros



                  EPISÓDIO 16  - EUMAEUS

      O local é o abrigo de cocheiros de aluguel da cidade de Dublin. É o lugar onde se encontram Bloom e Stephen, após deixarem o prostíbulo (o primeiro encontro entre Stephen Dedalus – o Telêmaco moderno - e Leolpold Bloom – o Odisseu moderno - ocorrera em meio às discussões sobre a natalidade, na Maternidade = episódio 14). Ambos pretendem tomar um cafezinho acompanhado com pão.
     O restaurante é humilde e a atmosfera é fétida. No abrigo dos cocheiros encontra-se, dentre outros marinheiros, Murphy - uma espécie de marinheiro-narrador; na verdade, um contador de mentiras, que não vê a esposa há sete anos:

“_ Murphy é o meu nome - continuou o marinheiro, W. B. Murphy, de Carrigaloe. Sabe onde é?
_ Porto de Queenstown -  replicou Stephen.
_É isso - disse o marinheiro. _ Fort Camden e Fort Carlisle. É de lá que velejo. Minha mulherzinha lá está. Está esperando por mim, que eu sei. Pela Inglaterra, o lar e a beleza. É a muito minha leal mulher que já não vejo por sete anos, navegando por aí.” (p.431)

(“Murphy’s my name, the sailor continued. D. B. Murphy of Carrigaloe. Know where that is?
_ Queenstown haobour, Stephen replied.
_ That’s right, the sailor said. Fort Camden and Fort Carlisle. That’s where I hails from. I belongs there. That’s where I hails from. My little woman’s  dow there. She’s waitin for me, I know. For England, home and beauty. She’s my own true wife I haven’t seen for seven years now, sailing about.”  ) ( p.510).

     Bloom põe-se a apreciar o cenário inscrito num cartão postal apresentado a ambos pelo marinheiro. Leopold Bloom sente desejo de viajar:
 
“... ele tencionava um dia realizar numa quarta-feira ou sábado de viajar para Londres via alto mar para não dizer que jamais houvera viajado extensamente nenhuma grande extensão pois que ele era de coração aventureiro nato....” (p.433)

(... “he meant  to one day realise some Wednesday or Saturday fo travelling to London via long sea not to say that he had ever travelled extensively to any  great extent but he was at heart a born adventurer...”)   (p.512)

    O marinheiro começa, então, a descrever para ambos, Stephen e Bloom, os rochedos que tivera a oportunidade de conhecer durante as suas viagens. Leopold Bloom, cansado de ouvir todas aquelas histórias, passa a contemplar um mapa dependurado numa das paredes do abrigo dos cocheiros:

“Suficiente era dizer que, como um olhar fortuito ao mapa o revelava, cobria amplamente três quartos dele e compreendia amplamente nessa conformidade o que isso significava, dominar os mares.”

(“... suffice it to say that, as a casual glance at the map revealed, it covered fully three fourths of it and he fully realised accordingly what it menat to rule the waves.”)

     Subitamente, o marinheiro-narrador notou que todos observavam seu peito:

“_ Tatuagem -  explicou o exibidor. _ Foi feita quando tivemos uma calmaria ao largo de Odessa  no mar Negro no comando do Capitão Dalton. Um gajo de nome António fez. Este é ele mesmo, um grego.”

(“Tattoo, the exibitor explained. That was done when we were lying becalmed off Odessa in the Black Sea under Captain Dalton. Fellow, the name of Antonio, done that. There he is himself, a Greek.”)

     Leopold Bloom e Stephen Dedalus deixam o abrigo dos cocheiros.


                                       
                  EPISÓDIO 17  - ITHACA

     O duunvirato formado por Leopold Bloom e Stephen Dedalus segue rumo ao endereço da Rua Eccles, n.7, isto é, o lar de Leopold Bloom e de Molly Bloom (a Penélope moderna).
     Ao lar chegando, ambos rumam à cozinha, e uma seqüência de perguntas e respostas - banhadas por temas recorrentes – desnuda, pouco a pouco, as personalidades de Bloom e Dedalus. Primeira pergunta seguida de resposta:

“De que deliberou o duunvirato durante o itinerário?”

Música, literatura, Irlanda, Dublin, Paris, amizade, mulher, prostituição, dieta...”

(“Of what did the duumvirate deliberate during their itinerary?

Music, literature, Ireland, Dublin, Paris, friendship, woman, prostitution, diet...” )

    Um longo elenco de perguntas e respostas sucede-se, ocupando todo o episódio. Outras perguntas:

“Que reflexões concernentes à irregular seqüência de datas de 1884, 1885, 1886, 1888, 1892, 1893, 1904 fez Bloom antes de sua chegada a seu destino? (...)
“Que razão deu Stephen para declinar do oferecimento de Bloom? (...)
“Quem bebeu mais depressa? (...)
“Que relações existiam entre suas idades? (...)
“Acharam eles similares suas formações educacionais? (...)”(pp.466-474)

(“What reflection concerning the irregular sequence of dates 1884, 1885, 1886, 1888, 1892, 1893, 1904 did Bloom make before their arrival at their destination?(...)”
“What reason did Stephen give for declining Bloom’s offer?(...)”
“Who drank more quickly?  (...) “
“What relation existed between their ages? (...) “
“Did they find their educational careers similar?  (...)” (pp. 545-558)

    Diretamente ou não, junto a uma grande diversidade de temas, algumas vezes, outras não, ligada a ambos, o catálogo de perguntas e respostas, em seu conjunto, começa a configurar um quadro contrastante entre Leopold Bloom e Stephen Dedalus. Contudo, esse complexo painel de diferenças ou semelhanças, entremeando as figuras de ambos, não é estático, porque ele se metamorfoseia, progressiva e dialeticamente, até atingir uma imagem unitária, ao fundir os nomes Stephen Dedalus e Leopold Bloom num só. Retomemos uma das perguntas seguida de resposta:

“Acharam eles similares suas formações educacionais?

Substituindo Stephen por Bloom Stoom teria passado sucessivamente por uma escola infantil e colégio secundário. Substituindo Bloom por Stephen Blephen teria passado sucessivamente através do preparatório ...” (p.474)

(“Did they find their educational careers similar?

Substituting Stephen for Bloom Stoom would have passed successively through a dame’s school and the high school. Substituting Bloom for Stephen Blephen would have passed successively throught the preparatory ...”)  (p.558)

     Sigamos em frente. Mais uma pergunta, e agora as dessemelhanças:

“Que dois temperamentos representavam eles individualmente?”
(“What two temperaments did they individually represent?”)
       
     Resposta:

“ ... o científico. O artístico.”
( “... the scientific. The artistic.”)
       
     O catálogo de perguntas e respostas atinge o final somente quando Stephen resolve ir embora. Bloom insiste para que Stephen passe a noite em sua casa. Stephen Dedalus nega-se a atender a solicitação de Leopold Bloom; despede-se, e parte não se sabe para onde...
     Por fim, Leopold Bloom vai para o seu leito, deitando-se ao lado da infiel Molly Bloom.


                 EPISÓDIO 18 -  PENELOPE

     Retomando o final do capítulo 17, Leopold Bloom ruma ao quarto de Molly Bloom. O herói moderno deita-se ao lado da mulher, e dorme.
     O episódio 18 é, então, inaugurado com o romper-rompimento do fluxo de consciência de Molly Bloom:

“SIM porque ele nunca fez uma coisa como essa antes como pedir pra ter seu desjejum na cama com um par de ovos desde o Hotel City Arms quando ele costumava fingir que estava de cama com voz doente fazendo fita para se fazer interessante para aquela velha bisca da senhora Riordan   que ele pensava que tinha ela no bolso...”   (p.518)

(“Yes because he never did a thing like that before as ask to get his breakfast in bed with a couple of eggs since the City Arms hotel when he used to be pretending to be laid up with a sick voice doing  his highness to make himself interesting for that old faggot Mrs Riordan that he thought he had a great leg of and she...”)     (p.608)

     Segue, desse modo, a acelerada narrativa do fluxo da consciência de Molly Bloom, composta por milhares de palavras errantes - sem qualquer pontuação -; tais palavras nos levam a penetrar no labiríntico universo do pensamento feminino:

“... meter isso nele sim e então a gente ia ter uma enfermeira do hospital como próxima história pegando ele lá até terem de jogar ele pra fora ou talvez uma freira como aquela da foto suja que ele tem que é tão freira como eu não sou sim porque eles são tão fraquinhos e choramingas (...) lembra o Menton e quem mais deixa eu pensar aquele cara de bebê que eu vi ele não fazia muito de casado namorando aquela mocinha no Miriorama Pooles e eu virei as costas (...) e na última vez que ele foi no meu traseiro quando é que foi na noite que Boylan deu aquele apertão na minha mão (...) peuuuuuuuuupuoruuuuuur un train  quelque part qui siflle la force qu’elles ont dans le corps ces locomotives comme de grosses géantes et l’eau qui bout partout et qui sort le tous les cotes ça fait comme lê fin de Pour um peau d’amououour les pauvres hommes qui sont dehors toute la nuit loin de leurs femmes et de leurs enfants dans ce rôtissoires c’était étouffant aujord’hui je suis contente d’avoir brûle lá moitié  de ces vieux Hommes Libres et Froufrou (...)  this vale of tears God knows its not much doesnt everybody only they hide it I suppose thats what a woman is supposed to be there for or He wouldnt have made us the way He didi so attractive to men then if he wants to kiss my bottom Ill drag open my drawers and bulge it right out in his face a large as life he can stick his tongue 7 miles up my hole as  the my brown (...) O et la mer écarlate quelquefois comme du feu et les glorieux couchers de soleil et les figuiers dans les jardins de l’Alameda et toutes les ruelles bizarres et les maisons roses et bleues et jaunes et les roseraies et les jamins et les géraniums et les cactus de Gilbratar (...) as a girl where  I was a Flower of the mountain yes when I put the rose in my hair like the Andalusian girls used or shall I wear a red yes and how he kissed me under the Moorish wal and I thougt well as well him as (...) ele tentando fazer de mim uma puta o que ele nunca fará de mim (...)  e como ele me beijou contra a muralha mourisca e eu pensei tão bem a ele como a outro e então eu pedi a ele com os meus olhos para pedir de novo sim e então ele me pediu quereria eu sim dizer sim minha flor da montanha e primeiro eu pus os meus braços em torno dele sim eu puxei ele pra baixo de mim para ele poder sentir meus peitos ... tout parfumés oui et son coeur battait comme fou AND YES I SAID YES I WILL YES.”

Trieste-Zurich-Paris
1914-1921.



                      NOTAS

1. O episódio 18 do romance “Ulisses”, de James Joyce, na edição inglesa, tem início na página 608 e término na página 644;
2. na tradução para o idioma português: página 518 a 551;
3. e francês: página 1057 a 1135.


                  BIBLIOGRAFIA

JOYCE, James. Ulysse. Traduction Auguste Morel, Valery Larbaud, Stuart Gilbert et l’auter. Paris: Éditions Gallimard, 1997.

_____. Ulisses. 8 ed. Tradução de Antônio Houaiss. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1993.

_____. Ulysses. Edited by Hans Walter Gabler. New York : Vintage Books, 1986.


              PROF. DR. SÍLVIO MEDEIROS
                  verão de 2006




SÍLVIO MEDEIROS
Enviado por SÍLVIO MEDEIROS em 12/01/2006
Código do texto: T97687

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Sobre o autor
SÍLVIO MEDEIROS
Campinas - São Paulo - Brasil, 61 anos
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SÍLVIO MEDEIROS