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NÃO SEJAMOS CÍNICOS!


Nadir Silveira Dias


Não sejamos cínicos ou nos enganemos com falácias. O mundo mudou. E mudou porque mudaram pais e mães. Porque mudaram as pessoas que constituem as bases primárias e as vigas de sustentação e de arrebatamento de todas as estruturas familiares e sociais que constroem cada indivíduo – na sua típica condição de homem ou de mulher.

E nesse contexto volto a frisar – sem nenhum medo de errar, ontem, hoje ou amanhã – o mundo se faz de pessoas e as pessoas se fazem a partir da mais tenra idade. Rigorosamente, a partir do próprio útero. Porém, fiquemos, ao menos por ora, somente a partir do nascimento com vida.

Os desmandos e desvalias que hoje nos atacam foram produzidas no ontem e ainda são produzidas no hoje ululante, em tudo descomprometido com o bom e o bem.

E a mais tenra idade ainda não tem competência para gerir-se a si mesma. Ela precisa de pais, mães e responsáveis. E não tem tido, no meu simplório ver, ao menos na extensão necessária, ou não teríamos o quadro social e político que temos hoje.

Enquanto estes estiverem ocupados em fotografar o seu menino, a sua menina, com a desenvolta iniciativa de enviá-las para os jornais para que sejam publicadas as suas imagens, eu continuarei sem resposta para a pergunta: Para que?

Para que uma criança de meses, de um aninho, de dois, de três, cinco ou dez, precisa ser publicada num jornal?

E vou além: Para que (E por quê?) permitem que cada vez haja menos crianças sendo crianças e mais crianças sendo mulheres e homens, ao menos em parte de suas vidas, seja no vetusto e cada dia mais atual “quero porque quero” – muitos ainda com direito a choro e sapateios – ou no vestir-se e pintar-se como mulher ou vestir-se como homem, se ainda não o são?

E sequer se pode saber se serão, porque homens ou mulheres precisam de formação (antes de qualquer outra coisa), para realmente, se constituírem em homens ou mulheres!

Para que se condena o sexo se pais e mães fotografam as suas filhas em poses de gente grande? Se a partir disso, em momento imediatamente anterior ou posterior, produtos e novelas se desenvolvem e criam para estimular o erótico? O que ainda não pode ser tido como coisa típica de criança. Parece-me!

Para que fotografar ou filmar um menino levantando o vestido da menina e isso ser enviado para ser reproduzido em rede nacional?

Como é que se poderá ensinar a um menino que não pode levantar o vestido de uma menina e a uma menina que não pode deixar um menino levantar o seu vestido?

Como ensinar para a própria filha que o batom é para mulher adulta e o vermelho para a adulta mais bem formada, mais capacitada a enfrentar todo e qualquer revés seja de que ordem for? Que a roupa existe para proteger, não para expor?

Isso para referenciar umas poucas, dentre tantas outras coisas.

Ou então, andemos todos nus! Que é mais lógico!

Ou, caso considere que esta última possibilidade não é viável, então repense em todas as possibilidades anteriores. Haverá algo em que você possa crer, certamente!

A sociedade que nós temos é a sociedade que nós produzimos! Pense nisso! Você pode mudar tudo!


Escritor e Jurista – nadirsdias@yahoo.com.br
Nadir Silveira Dias
Enviado por Nadir Silveira Dias em 06/04/2006
Reeditado em 27/05/2006
Código do texto: T134833
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Nadir Silveira Dias
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Nadir Silveira Dias