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QUEM FALA?


Nadir Silveira Dias


Tenho absoluta certeza que a maioria daqueles que lêem este artigo já sofreram a experiência de que sou alvo seguidamente. A nefasta experiência de que somos alvo diariamente, nós que possuímos um aparelho muito importante e que não deveria se prestar para esses e outros despropósitos.

Quem já não ouviu o telefone tocar e o imediato sinal musicado de ligação a cobrar, logo após levantar o fone da base?

Então ocorre sempre uma série interminável de perguntas, céleres, palpitantes, angustiantes até. O que aconteceu com o meu filho? O papai será que teve algum problema no coração? Como estará a Marcinha? O que aconteceu com o Rovoaldo?

O Maurício? A Leninha, o Márcio, a Bruna? O Procópio passou mal? A Lucinha não vem mais? Estará doente? Mamãe está bem? Ou será o tio Armindo, lá em Guadamirim? Passando mal, assim do mesmo jeito em que quase morreu?

Maico, Kátia, Luana, Sérgio, Quétlin, Juvenal, Karine, Ariosto, Cássio, o que será que pode ter acontecido, meus Deus?

Ambrósio, Wellington, Cristóvão, Washington, será que estão bem? E Marinalva, coitada, doente que andava?

Ou será fulano, sicrano, beltrano, que se acidentou? Passou mal? Precisa de ajuda? Ficou sem gasolina na estrada? Estragou o carro?

O que será que quer aquele desgraçado, agora? Perdeu de novo, no jogo? Não vai ter mais nenhum centavo de mim!

As dúvidas, as incertezas, as coisas não-boas, são as brigadas de assalto. São as primeiras a nos fustigar até que possamos racionar e passar a pensar e acreditar (quando dá tempo) nas coisas boas e alegres.

E aí, você escuta: “Quem fala?”

Pô! Fala sério!

Então, quem liga a cobrar não sabe com quem quer falar ou sobre o que quer falar? Ou será possível que não saiba quem é e nem de onde fala? Mas que atitude é essa? Ou será desatitude?

Ou será que acredita que estou (e estamos todos) esperando para levantar o fone e pagar para saber essas coisas que a pessoa que liga é que tem a obrigação de dizer de imediato, até para que eu saiba se devo ou não aceitar a ligação.

E acredite, eu até poderia pagar. Só que não tem o menor sentido. Você não acha?

Creio que as pessoas que ligam a cobrar deveriam ao menos seguir as instruções da própria companhia telefônica. Ela orienta no sentido de dizer-se o nome e de onde se fala. Só isso! E porque as pessoas não fazem isso?

Eu cheguei a uma conclusão: Não vou mais tentar descobrir, pagando para isso. Porque as pessoas não seguem uma simples, lógica e benéfica instrução como essa?

Talvez porque esteja ela, instrução, carregada de bom-senso e de lógica!

Tomara que logo eu venha a estar errado sobre isso!

E não falo dos malfadados trotes, que trazem atrás de si sempre alguém mal intencionado.

Ao menos, mal intencionado!


Escritor e Advogado – nadirsdias@yahoo.com.br

Nadir Silveira Dias
Enviado por Nadir Silveira Dias em 12/12/2005
Código do texto: T84661
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Nadir Silveira Dias
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Nadir Silveira Dias