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TROVANDO VII

Como as mulheres, a lua
A cada mês se renova;
Sabe-se bela e dá prova
Mostrando-se toda nua.

****

Se o que você vai dizer
Tem mensagem, brade e fale;
Ouça-se a voz do saber
E a vã palavra se cale.

         ****

O que é que não se escreve
E nem se diz soletrando?
É a palavra saudade,
Que só se escreve chorando.

****

Vamos falar de saudade...
(Confesso, é o que eu sinto agora).
Suave dor que o peito invade
De quem mesmo alegre chora.

           ****

Nas minhas horas de dor
Deus tem pena e me dá prova,
Revela-me o seu amor
E dá-me pronta uma trova.

****

Molha a terra, chuva fina,
Que de molhar não se cansa;
Molha esta Terra em ruína
Até que brote a esperança.

         ****

Rosas azuis, amarelas...
Até tem da cor dos linhos!
Não sei porque, se tão belas,
Ferem tanto seus espinhos.

****

O coração, como o tempo
Que no inverno chora tanto,
Quando está triste derrama
Copiosamente o seu pranto.

           


Raymundo de Salles Brasil
Enviado por Raymundo de Salles Brasil em 26/04/2006
Código do texto: T145799
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Sobre o autor
Raymundo de Salles Brasil
Salvador - Bahia - Brasil, 83 anos
237 textos (6827 leituras)
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Raymundo de Salles Brasil