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(Col.Agro) - A ACIDEZ DO SOLO

ACIDEZ  DO  SOLO:

O grau de acidez de um solo é expresso em termos de pH, que é a concentração do íon H+ na solução do solo. Os valores do pH aumentam a medida que decresce a concentração de H+.
O calcário reduz a acidez do solo porque diminui a concentração de íons H+, aumentando o pH e convertendo uma parte dos íons H+ em água. Outros textos relativos a acidez do solo, calagem, adubação, nutrientes para as plantas, obtenção de fertilizantes nitrogenados e fosfatados podem ser encontrados no meu blog (http://agronomiacomgismonti.blogspot.com).

TIPOS DE ACIDEZ:

1. Acidez ativa:

É a concentração do de H+ na solução do solo e é expressa em pH numa escala que varia de 4,0 a 7,5. A correção deste tipo de acidez é feita pela adição de calcário. Entretanto, outros tipos de acidez se formam como a acidez trocável que tende a manter altos índices de acidez ativa.

2. Acidez trocável:

Também chamada “acidez nociva” é a concentração de Al3+  e  H+ trocáveis e adsorvidos nos colóides. É expressa em cmolc/dm3 ou mmolc/dm³. Pode ser expressa, também,  “Al trocável” visto que os solos minerais apresentam pouco H+ trocável enquanto os orgânicos apresentam altos níveis de H+ trocável.
Portanto, “acidez trocável” e “Al trocável” são equivalentes.
Solos com toxidez de alumínio significa que apresentam altos índices de acidez trocável ou acidez nociva. A calagem tem por objetivo eliminar esta acidez.

3. Acidez não trocável:

É expressa em cmolc/dm3 ou mmolc/dm³. É a quantidade de acidez que ainda permanece no solo com a eliminação da acidez trocável.
Na acidez não trocável, o H+ está em ligação covalente com as frações minerais e orgânicas do solo, difícil de ser rompida. É prejudicial ao desenvolvimento das plantas e as necessidades de calagem são maiores ocorrendo uma neutralização total ou parcial.
A acidez não trocável nos dá uma estimativa das cargas negativas que podem ser liberadas quando o pH do solo for 7,0.

Acidez não trocável   =  Acidez potencial ou total  -  Acidez trocável.

4. Acidez potencial  ou  acidez total:

É expressa, também cmolc/dm3 ou mmolc/dm³. É o total de H+ em ligação covalente mais H+ e Al3+ trocáveis. Fonte: BT No 2 – ANDA

Acidez Trocável  +  Acidez Não Trocável   =  Acidez Potencial

SOMA DE BASES TROCÁVEIS:
É expressa em cmolc/dm3 ou mmolc/dm3.  É a soma (S)  cálcio, magnésio, potássio, algumas vezes o sódio (Na), na forma trocável. A soma de bases trocáveis (S) dá uma indicação do número de cargas negativas do colóide que está coberta por cátions.
É importante pois junto com os valores de Capacidade de Troca de Cátions (CTC) efetiva e Al trocável permite calcular a percentagem de saturação de Al e percentagem de saturação de bases desta CTC. Em comparação com a Capacidade de Troca de Cátions (CTC) a pH 7,0, permite avaliar a Percentagem de Saturação de Bases (V%) desta CTC, importante para o cálculo da calagem.

Cálculo da Soma de Bases Trocáveis (S):

                    S=   Ca2+  +   Mg2+  +  K+  +  (Na+)
   
CAPACIDADE  DE  TROCA  DE  CÁTIONS  EFETIVA (t):
É expressa em cmolc/dm3 ou mmolc/dm3. Indica a capacidade efetiva de troca de cátions do solo. É a capacidade do solo em reter cátions em pH próximo de 7,0.

CTC efetiva  (t)  =  S  +  Al3+

PERCENTAGEM DE SATURAÇÃO DE ALUMÍNIO (m%):
Indica quanto por cento da CTC efetiva estão ocupados por Al trocável ou acidez trocável. Expressa a toxidez do alumínio (Al). Quanto mais ácido é um solo maior é o teor de alumínio trocável e menor os teores de bases, menor a soma de bases e maior a percentagem de saturação de alumínio. Os prejuízos para as plantas, neste caso, são significativos.

        m%  =  100 x  Al3+  dividido por (t)

O valor m% é classificado assim:
muito baixo – “m” menor que 1%;
     baixo –    “m”  entre 1 a 10%;
    médio –    “m” entre 10,1 a 20%;
      alto –     “m” maior que 20%

PERCENTAGEM DE SATURAÇÃO DE BASES DA  CTC  EFETIVA:
   % saturação de bases da CTC efetiva  =  m% - 100
onde m% é o valor da percentagem de saturação de alumínio.

CAPACIDADE DE TROCA DE CÁTIONS  A  pH  7,0  (T):
É expressa em cmolc/dm3 ou mmolc/dm3. Também chamada Capacidade de Troca Potencial do solo, significa a quantidade de cátions adsorvidos a pH 7,0.
É o nível da CTC de um solo que seria atingida quando a calagem for usada para elevar o pH a 7,0. Em outras palavras, o máximo de cargas negativas que seriam liberadas a pH 7,0 e que seriam ocupadas por cátions.
A CTC a pH 7,0 diferencia-se da CTC efetiva porque ela inclui o H+ em ligação covalente com o oxigênio nos colóides do solo.

                         T =    S  +  (H+  +  Al3+)

A CTC a pH 7,0 se divide em :
baixa – valor T igual ou menor que 5,0 cmolc/dm3;
média - quando o valor “T” está entre 5,1 a 15 cmolc/dm3 ;
alta – quando o “T” é maior que 15 cmolc/dm3.
A CTC também é usada para interpretar os valores de K no solo.


PERCENTAGEM DE SATURAÇÃO DE BASES DA CTC A pH  7,0 (V%):
Indica quanto por cento dos pontos de troca de cátions estão ocupados por bases, ou seja, quanto por cento de cargas negativas a pH 7,0 estão ocupadas por Ca2+, Mg2+, K+, (Na+), em comparação com os pontos ocupados por H+ e  Al3+.
Solos com V% maior que 50 são considerados solos férteis. Os solos com V% menor que 50 são solos de baixa fertilidade.
Este índice (V%) serve para o cálculo da calagem para elevar a saturação de bases.


V%  =   (100 x  S) dividido por (T)  =  100 x (Ca+Mg+K+(Na)) dividido
por {Ca+Mg+K+Na+(H+Al)}            

No Rio Grande do Sul, o V% é classificado em quatro níveis:
muito baixo – V menor que 45%;
baixo – V entre 45 a 64%;
médio – V entre 65 a 80%;
alto – valor de V maior que 80%.

No RS, 15% dos solos apresentam pH menor que 5,5 e valor V% maior que 65%. A recomendação de calagem pelo método SMP e pelo V% podem ser diferentes. Quando as diferenças forem grandes pode-se usar a média das quantidades.

PERCENTAGEM DE SATURAÇÃO DE ÁCIDOS DA CTC A pH 7,0 (M%):

                        M (%)  =  100 -  V


A elevação da saturação de bases da CTC a pH 7,0 significa:

• Elevar o pH;

• Diminuir a saturação de Al;

• Gerar mais pontos de troca de cátions dependentes de pH.

Fontes: ANDA - BT N° 2: Manual de adubação e calagem para o RS e SC - 2004

G BRAGA (gismonti)  26/03/2009
http://agronomiacomgismonti.blogspot.com


gismonti
Enviado por gismonti em 26/03/2009
Reeditado em 30/04/2009
Código do texto: T1507322

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Sobre o autor
gismonti
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 72 anos
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