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Ode eclesial

I

na nave
deus
é barco
de tanger a vida.

o homem
em ondas
é mar que não se teve
e que apenas transita
entre um rasgo de esperança
e aquilo que nem se cogita.

deus e homem
apenas se contemplam
um esculpido em perdas
o outro em paciência

II

em oração
impune e mansamente
o homem constrói andaimes
pela alma das gentes

deus em si
constrói-se e se constata
como um verbo intransitivo
de estranha matemática

e deixa-se mínimo
nessa íntima sintaxe
que lhe conjuga tão incerto
em verbos que nem prolata.


III

na nave
a salvação é uma bandeira
de espalhar pretextos
pela noite brasileira
conforma-se à norma
decretada a priori
de que a paz é apenas um susto
que se reteve na memória.

homem,
deus é tanto
que teima em ser altar
imune à confiança.

na nave, entretanto,
deus e o homem escondem de si
qualquer desesperança.
Aurélio Aquino
Enviado por Aurélio Aquino em 21/01/2006
Código do texto: T102018
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Aurélio Aquino
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 64 anos
375 textos (11647 leituras)
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Aurélio Aquino

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