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Coplas desconformes ao redor da vida

no primeiro ato
expulso- me
gelatinoso e um
e quase a pulso

no primeiro ato
não me pertenço
pois sou um eu tão grande
que me esqueço

no primeiro ato
trago o mundo
na ponta dos dedos
e a não compreensão
de vãos segredos

no primeiro ato
não estou sendo
como seria se fosse
já sofrendo

no primeiro ato
divirjo das borboletas
não me tenho em asas
mas em medos

no primeiro ato
lavro meu grito
na certidão única
do que sinto

no primeiro ato
não me caibo
como invólucro pertinaz
do que me acham

no primeiro ato
convoco- me ao mundo
com a percepção
de que só me iludo

no primeiro ato
estou tudo
embora nada me diga
como outro

no primeiro ato
despeço- me avulso
da química eficaz
dos úteros

no primeiro ato
não me minto
verdade que nem seja tanta
e que pressinto

no primeiro ato
não me vivo
apenas me lanço
ao simples infinito
no primeiro ato
ainda nem caço
o tamanho
dos meus passos

no primeiro ato
reservo- me
o direito de ser quase
o que não quero

no primeiro ato
posso o que não devo
e devo não poder
o que mereço

no primeiro ato
nem me meço
minha placenta
ainda é o universo

no primeiro ato
minha carne
é já notícia
de que ardo
no primeiro ato
sobro da mãe
como um susto
em que não caibo

no primeiro ato
minha mãe é tarde
noite que já nem pressinto
na manhã que há de

no primeiro ato
não tenho palavras
mas uma rápida ilusão
de que me agrado

no primeiro ato
finda a dessemelhança
do que ainda é pouco
e que me é muito pelo quarto

no primeiro ato
não me canso
de atravessar o vau
dos rios que alcanço

no primeiro ato
estou íntimo
e último
e quase acho

no primeiro ato
nem me importa
a palidez do mundo
e as cores da revolta

no primeiro ato
estou concluso
remetidos os meus autos
à barriga do mundo

no primeiro ato
nasço
com a quase alegria
em que me ardo

no primeiro ato
desconvoco- me da idade
sou o início e o fim
do que me invade
Aurélio Aquino
Enviado por Aurélio Aquino em 21/01/2006
Código do texto: T102055
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Aurélio Aquino
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 64 anos
375 textos (11645 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 14:39)
Aurélio Aquino

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