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Em torno do meu país

na favela
as balas vão
aquelas do coração
e as da guerra

na favela
chora-se em dobro
as lágrimas de pedra
e as do choro

líquidas
as últimas
são mares
em que se afoga
apenas a vida
nada mais

sólidas
as de pedra
são os gritos de quem luta
melhor dizê-las verbos
pela rua suja

na favela
o poema se escreve
com o sangue e a vontade
de quem deve

poema em dobro
retroativo
que teima em ser de pedra
apesar dos sentidos

na favela
a palavra medra
como o milho
semente que não plantada
pergunta que nem se diga


na favela
a morte habita
com intimidade
comedida
parente que nem seja íntima
da vida.
Aurélio Aquino
Enviado por Aurélio Aquino em 21/01/2006
Código do texto: T102060
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Aurélio Aquino
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 64 anos
375 textos (11677 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 01:00)
Aurélio Aquino

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