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Carta ao Porvir

Desregrado em devaneio, sentado ao léu das lembranças de sentimentos sem memória, sigo apreciando o porvir da história justa a ser contada.

Sem narrativa fugaz ou autor capaz de dar-lhe forma ou margem; completamente amorfas, aprecio o porvir dos tempos.

Sentado ao monte das léguas enxergo este porvir quedante e alquebrante de tempos imemoriais que se estalam em desatino no povaréu de quedas claudicantes do além-mar fremido de meu coração.

Sigo sem rumo ou rumor de estória escrita e não dita, seguindo caminhos que jamais vi ou verei algum dia. Sigo com a certeza de que o tempo é curto e sem memória, que outrora se chamava fugaz, sem o topor angustiante e desafiador que nos leva às loucuras de nossas paixões.

É verdade. Da loucura provém a sanidade, como simbiose que não se pode existir entre a dualidade água/fogo, amor/ódio, sede/paixão.

Dos arrebóis de cada manhã vem o prelúdio; chamado algoz à realidade que desperta o sono pueril da criança e que dá ao bento apaixonado sua frugalidade senil.

Sim! Sigo no devaneio destas letras em meio à lascívia causada pela ausência da norma culta, corroborada pelo frenesi de linhas que se querem libertar da mansarda vil da ponta da caneta.

Abram-se os pombais e vejam como são aladas estas letras e revoadas estas linhas que se aglutinam no cabedal jamais visto por aqueles que buscam a loucura à razão.

São sinônimos vivazes de memórias sem lembrança que se esvoaçam em frases sem sentido, mas que traduzem o espírito calmo do poeta e de sua arte; que pretensamente diz ao mistral: estarei lá!

Não vos do-lho tal certeza ainda, dado ao léu de incertezas do futuro. São alcatifas de sonhos que se estendem na esperança de solução para o desejo contido, acorrentado ao fundo do ser intimo preso à norma da língua, mas que se exibe como desejo profano e ardente no coração alheio.

Não vos digo que o desejo ainda existe, mas sua brasa ainda perene é viva e está pronta para ser desperta.

Assim, encerro mais esta intempérie, sem saber ao certo aonde ir, como chegar e como ficar; sem procurar estabelecer causas ou conseqüências algumas de um desejo simples de um jovem que se diz poeta.
Alexandre Casimiro
Enviado por Alexandre Casimiro em 21/01/2006
Reeditado em 10/02/2006
Código do texto: T102116
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Sobre o autor
Alexandre Casimiro
Casimiro de Abreu - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
67 textos (14586 leituras)
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Alexandre Casimiro