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COISAS DO SHOPPING

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Por ocasião do lançamento do filme Tróia, estava eu no saguão do Cinemark, xeretando os cartazes dos novos filmes, quando ouvi um cidadão, que fazia o mesmo que eu, dizer ao seu colega que, num site pirata, tinha tido acesso a uma nova versão do Cavalo de Tróia, relatada, na época, por um dos espiões de Ulisses. Espichei minhas orelhas para ver se melhor captava aquela interessantíssima conversa que começava a desenvolver-se, mas outras pessoas se aproximaram também dos cartazes, e a sinfonia de vozes deixou-me sem contacto com o “Segredo Grego”. Não tive alternativa senão aproximar-me dos dois e explicar-lhes o meu interesse pela narrativa.

Após as apresentações de praxe notei que a conversa ali em pé e no meio do vozerio não ia fluir bem, sugeri, então, aos novos colegas a tranqüilidade de um “Café” das proximidades que foi de imediato aceito. Devidamente acomodados e ao sabor de um refrescante destilado, meu amigo deu início a sua narrativa: Perante a impotência dos gregos em conquistar Tróia, Ulisses resolveu recorrer a sua astúcia. Assim, foi construído o enorme cavalo de pau e concebido um engenhoso plano de conquista. Sobre este engenhoso plano de Ulisses, discutia-se no mais alto segredo, em voz baixa e só à porta fechada.

Porém, passada uma hora, já um fiel espião se encontrava às portas do palácio de Príamo, o rei troiano, pronto a revelar-lhe a tão secreta informação. O rei foi informado de que um espião tinha importante informação sobre os gregos. Querendo certificar-se mandou que perguntassem ao espião se a mensagem era mesmo secreta.

Coisa mais secreta não pode haver! Verá que não se arrependerá. Transmitiram da parte do espião a Príamo. Então, o rei ordenou que viesse aos seus aposentos. Este lhe comunicou assim e assado, está sendo preparado um estratagema com o qual os gregos vos querem destroçar. Ponham-se alerta!

O rei Príamo agradeceu-lhe a tão valiosa informação e pôs-se a meditar sobre ela. Entretanto, um espião grego, que tinha conseguido penetrar no palácio de Príamo, neste exato momento, comunicava a Ulisses que os troianos já sabiam de seus intentos e, dessa forma, deveria guardar segredo absoluto de seus planos. Não demorou muito para que um grego leal aos troianos relatasse a Príamo de que os gregos já tinham conhecimento de que os troianos já tinham conhecimento dos intentos de Ulisses relacionados a um cavalo.

Vendo que a guerra fria se acirrava, Príamo manda cercar previamente o palácio com pessoas de sua confiança e, em companhia de sua comitiva, pôs-se a analisar a situação então criada. Porém, os troianos ainda não haviam terminado a reunião, já dois de seus homens de maior confiança comunicavam a Ulisses de que os troianos já sabiam que os gregos já sabiam que os troianos já sabiam as informações secretas do tal cavalo.

“Que dera que os troianos trabalhassem tão bem como nosso serviço secreto; alcançamos nosso intento!” — bradou Ulisses e, em seguida baixando a voz, dirigiu-se aos seus mais íntimos guerreiros: “Amanhã tentaremos a nossa sorte! No entanto ninguém, absolutamente ninguém deverá saber. Tenho tanta confiança em vós como em mim próprio!”. Levou pouco tempo para que do outro lado fosse repetido o que foi dito.

“Basta! — vociferou Príamo num acesso de cólera — os gregos conhecem todos os nossos segredos e nós os deles! Como é, assim, possível lutar em situação de confiança total. Isso tudo é obra de Ulisses! Desinformação. Você diz que os gregos amanhã nos preparam uma cilada? Pois eu não acredito! Não acredito mais nessa conversa mole de Ulisses; estou por aqui com ele!”

Assim que chegou aos ouvidos de Ulisses que Príamo tinha reagido daquela maneira, este disse: ”Chegou o momento!”

Os gregos meteram-se nos barcos e navegaram mar a fora, deixando às portas de Tróia o cavalo de pau.Os troianos por seu turno, cantando de contentes com o levantamento do cerco, puxaram para dentro da cidade o cavalo e começaram logo a festejar a efeméride.

Pela noite quando todos dormiam, os guerreiros gregos saíram do cavalo. Tróia estava assim ameaçada de inevitável destruição, caso os guerreiros que estavam dentro do cavalo não fossem secretamente leais aos troianos. É certo que estes também não sabiam que os troianos que dormiam à volta do cavalo não eram troianos, mas sim homens de Ulisses. Por esta razão, quando os gregos (ou seja, os tróianos) se atiraram aos troianos (ou seja, aos gregos), os últimos destroçaram os primeiros, ou talvez ao contrário?

Resumindo e concluindo; a confusão era tanta que ninguém sabia mais quem era troiano ou grego. Ulisses, aproveitando essa bagunça generalizada, irrompeu pela cidade à dentro e, matou a todos, sem dúvida nenhuma.

Por fim, Ulisses tornou-se senhor de Tróia.

— É isso! Exclamou o meu mais novo amigo, encerrando sua narrativa.

Eu fiquei, ainda, por alguns segundos abestado e, depois, como que saindo de um transe, pensei comigo: «preciso descobrir o nome da bebida que esse cara anda tomando».

Voltando a realidade, troquei alguns comentários com os novos amigos, despedi-me e continuei meu passeio pelo shopping. ®Sérgio.

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Se você encontrar erros (inclusive de português), por favor, me informe.

Agradeço a leitura do texto e, antecipadamente, qualquer comentário. Volte Sempre!

Ricardo Sérgio
Enviado por Ricardo Sérgio em 31/01/2006
Reeditado em 08/08/2013
Código do texto: T106325
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Ricardo Sérgio
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 69 anos
1281 textos (21193357 leituras)
7 e-livros (8549 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 04:08)
Ricardo Sérgio