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Ô-de-casa

Ô-de-casa, meu Rio Grande!
Velha querência campeira.
Quem grita, aqui na porteira,
É o teu filho desgarrado
Que espera ser convidado
Pra se apear no galpão,
Pra tomar um chimarrão,
Desencilhando o tostado.

Senti saudade de ti,
Querido pago do sul.
E, também, do céu azul,
D’água fria, do minuano.
Ainda bem que, este ano,
As coisas correram certo
E eu vim pra te ver de perto,
Querido torrão pampeano.

Botei o pé no teu chão
Numa tarde de domingo.
O caminhão foi o pingo
Que montei nesta volteada.
E aqui estou, querência amada
Que há tanto tempo eu não via,
Trazendo, lá da Bahia,
Muito axé pra gauchada.

E me vou, fazendo versos,
Do litoral à Fronteira.
Das rimas faço a soiteira
Do relho que surra a vida.
Por isso terra querida,
Das missões até a Lagoa,
O meu verso, hoje, ecoa
Como uma prece sentida.

Faz uma tropa de anos
Que me bandeei pro Nordeste.
Não virei cabra da peste
Porque agüentei o repucho.
Sou índio-vago, sem luxo,
Que te ama, velho Rio Grande,
Que, por onde quer que ande,
Se orgulha de ser gaúcho.



Iberê Machado
Enviado por Iberê Machado em 07/02/2006
Código do texto: T109004
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Sobre o autor
Iberê Machado
Viamão - Rio Grande do Sul - Brasil
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Iberê Machado