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Guasca Largado

Cusco gordo na corrente
Inveja o guaraxaim
Que, embora magro, al fim
Não terá sido maneado.
Guará de grota, aporreado,
Não nasci prá ser sogueiro.
Nem o sovéu do dinheiro
Me fez bater no alambrado.

Sou dono do meu focinho
Na sombra do meu chapéu.
Visgo, arapuca, mundéu,
Tenência doble que empaca
Como petiço arataca.
O touro na tropa alheia
Ou vira boi ou peleia
Pra não berrar como vaca.

E agradeço ao Patrão Grande
Por toda esta liberdade.
Por não morar na cidade,
Pelos rastros no passado.
Meu Patrão, muito obrigado
Por ter me feito um gaudério.
Por, só temer o teu mistério
E ser um guasca largado.

Iberê Machado
Enviado por Iberê Machado em 18/02/2006
Código do texto: T113319
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Sobre o autor
Iberê Machado
Viamão - Rio Grande do Sul - Brasil
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Iberê Machado