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Até o sol raiar

Quem ama se estranha,
vira alguém sem vergonha,
que felicidade mais bisonha,
fugindo na lágrima risonha,
não vive, unicamente sonha,
até o sol raiar!
e a doce volúpia acalmar
o louco coração a disparar!

Quem ama tem graça,
retrocede sendo criança
avoada na esperança
de viver sua bonança,
até o dia raiar
e desenhar beijos no ar,
perfumando o meigo luar!

Quem ama diz, não medita,
u’ma conversa mole e sedenta,
coisas que tão pouco acredita,
implora me arranha e me bata,
depois me lambuza, aperta,
arrebata e lambe sua gata,
até o sol raiar,
chama sedução a brincar
e ruboriza só de imaginar!

Quem ama esquece a razão,
diz-se morta sem atenção,
enciuma ouvindo a canção,
ansiedade rasga seu coração,
até o sol raiar,
sua vida, um eterno namorar
até as estrelas deitadas no mar!

Quem ama vive como alucinado,
quem não ama chama-o de doido,
mas o devaneio alheio invejando,
pois o sorriso que ganha o mundo
é do felizardo mais apaixonado,
que ama antes e após o sol raiar!

Santos-SP-10/03/2006

Inês Marucci
Enviado por Inês Marucci em 10/03/2006
Código do texto: T121177
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Sobre a autora
Inês Marucci
Santos - São Paulo - Brasil, 54 anos
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Inês Marucci