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Lisboa estremece ainda.

os olhos estremunhados do dia

húmidos de maresia

reabrem só um nadinha

em cada pedra lavrada

calçada entretecida

de calcário e basalto

como se possível fora

espreguiçar a modorra

descendo a nua ladeira.

lá em baixo o Tejo brilha

qual estrela matutina

que se fizesse nua água.
já muitgos andam na faina

das gaivotas às varinas

e  às vendedeiras de frutas

as floristas, em braçadas,

levam cravos e gladíolos
para florir o Rocio.

na rua o passo tranquilo

a pouco e pouco se apressa

é o Metro, é o combóio,

o autocarro indisposto

 discute com o Eléctrico

ó pá, vê se sais do trilho!
e ri-se o seguro amarelo!

 zomba o pirralho alçado no estribo

com a mochila a tiracolo!
um polícia meio morto

puxa pelo assobio

mas já sai tarde o apito...

Lisboa corre entretanto

fica a magia em suspenso

até ser hora de almoço

ficam os olhos absortos

a contar contos e contos
que nunca hão-de ser nossos

nosso é o vazio cá dentro
esperando a hora de almoço

uma sandes e um copo de tinto

mas ai...olhos postos no imenso

rio a embalar os barcos

que trazem cores doutros mundos

e levam os nossos sonhos!




Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 10/03/2006
Reeditado em 29/03/2008
Código do texto: T121355
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Petronilho
Almada - Setúbal - Portugal, 64 anos
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