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OS PESCADORES

OS PESCADORES

Baseado num "causo" muito conhecido no interior.

 Dois pescadores foram chamados pelo padre de um vilarejo, que lhes deu a incumbência de buscar o corpo de um pescador num local rio acima, chamado Rochedo.
Os dois pecadores, que eram compadres, não perderam tempo e, apesar de estarem cansados, pegaram o barco e foram remando rio acima, ou seja, contra a corrente. O barco ia devagar, ao som das batidas dos remos. Uma sincronia. Os compadres já estavam habituados com esta "dança". Se entendiam perfeitamente, sem necessidade de falar.
E foram várias horas remando até chegar ao local em que se encontrava a choupana do pescador morto.
Já era noite, e os pescadores pegaram o corpo e o levaram até ao barco onde o deitaram e cobriram-no com uma lona.
Ato contínuo, vieram remando rio abaixo com muita vontade
de chegar ao vilarejo e dar por cumprida a missão que lhes fora confiada.
Mas, estavam exaustos e, ao passar por um arraial, ouviram o som da viola e da sanfona - havia uma festa no lugar.
Então um compadre virou-se para o outro e disse: "Ó compadre, o defunto já esta morto mesmo,tanto faz mais uma ou duas horas para a gente chegar ao nosso destino. Vamos parar, descansar um pouco, comer e beber alguma coisa".
O outro compadre concordou de imediato.
Remaram para a margem, desembarcaram e fundearam o barco com segurança.
Ao chegar ao local da festança, participaram ao "coronel", dono do arraial o que os levava até alí, e o coronel os recebeu com muito boa disposição.
Os dois pescadores comeram, beberam e descansaram além dos limites.
Neste ínterim, um dos convidados da festa foi até ao rio para urinar. Quando terminou, viu o barco e, como já estava
completamente embriagado, achou por bem  tirar uma soneca. Entrou no barco, levantou a lona, deitou  e se cobriu. E adormeceu profundamente.
Já de forças restauradas, um compadre disse para o outro: compadre, vamos embora, que não demora e começa a clarear o dia.
Os pescadores agradeceram ao coronel a hospitalidade e foram até o barco, nele adentraram e começaram a remar com toda a disposição rio abaixo.
Quando a aurora ia despontando, um compadre disse para o outro:"Escuta compadre, defunto se mexe?" O outro respondeu:"É claro que não. Defunto não se mexe."
Pois é, disse o primeiro: " Mas este aqui está se mexendo."
O outro compadre tirou o remo de dentro d`água e dise:
" Pois eu vou fazer ele ficar quietinho e, juntando às palavras a ação, sentou uma bordoada com o remo no
" defunto ", que , ao recebê-la soltou um berro de dor.
O susto e a surpresa dos dois pescadores foram tamanhas que pularam no rio e foram nadando com braçadas vigorosas para a margem, apavorados que estavam.
Por sua vez, o bêbado que em parte já se encontrava recuperado, ao receber a pancada, ficou sóbrio de uma vez e, acordando, deparou-se com o seu companheiro de viagem e também levou um grande susto quando viu o defunto ao seu
lado, que também pulou no rio  e foi nadando para a margem, na mesma direção dos pescadores.
Os dois compadres sem nada entender do que ocorria, gritavam: "Nada compadre, nada prá valer, que o defunto ficou zangado e vem atrás de nós."
Só quando os tres chegaram exaustos à margem do rio, é que tudo ficou esclarecido. Mas, o barco, foi foi-se rio abaixo com o defunto, sabe-se lá para onde!
Conclusão:
Este causo bem conhecido no interior nos suscita algumas reflexões:
"Quantas vezes trabalhamos tanto, nos esforçamos em demasia, estudamos dia e noite, nos privamos do laser e da companhia de nossos parentes e amigos para conseguirmos um ideal de vida e, por algum motivo, no final,  deixamos escapar?"
"Quantas vezes estamos prestes a cumprir uma missão que nos
foi designada e, por não observarmos alguns pequenos detalhes, não a cumprimos?"
"Quantas vezes, por medo, por ignorância, falta de perseverança, deixamos de realizar coisas tão importantes para nossa vida?"
E, assim, lá se vão nossos ideais rio abaixo.
Tudo o que fizermos, rigorosamente tudo, temos que, antes de mais nada,  consultar o Senhor, pedir-Lhe discernimento e sabedoria através da oração. Não negligenciar em momento algum; fazer tudo com zelo e disciplina para não deixarmos escapar, no momento final, o cumprimento de nossa missão.

Reflexões em 29.03.2003
OS DIREITOS SE REFEREM TÃO SOMENTE A PARTIR DE "CONCLUSÃO"




FARNEY MARTINS
Enviado por FARNEY MARTINS em 03/04/2006
Reeditado em 06/10/2009
Código do texto: T133292

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Sobre o autor
FARNEY MARTINS
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 77 anos
66 textos (7071 leituras)
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