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Capitalismo doméstico

A empregada de quem sou patrão,
pessoa humilde, mora na favela.
Às vezes sinto muita pena dela,
às vezes sinto uma decepção.

A empregada de quem sou patrão,
por muito pouco já não passa fome.
Às vezes eu me esqueço do seu nome,
às vezes eu lhe esqueço a condução.

A empregada de quem sou patrão
sente vergonha de sentar-se à mesa.
Às vezes eu lhe dou a sobremesa,
às vezes não lhe dou muita atenção.

A empregada de quem sou patrão
me chama: Seu doutor, seu Herculano.
E neste instante me peguei pensando
porque que, logo eu, fui ser patrão.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 13/04/2006
Reeditado em 13/04/2006
Código do texto: T138776
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Herculano Alencar
São Paulo - São Paulo - Brasil, 62 anos
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Herculano Alencar

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