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Faxineira incompreendida*

* Da coletânea Brava Gente Brasieira em Terras Estrangeiras, formada or escritores brasileiros que moram fora do Brasil


Mariana era uma jovem tão esforçada! Era faxineira, como a maioria das brasileiras que vivem na Flórida, e fazia de tudo para não desapontar as pessoas com quem trabalhava. Para garantir essa satisfação, nunca chegava atrasada, executava seu trabalho com dedicação e evitava cometer enganos para não perder seu suado emprego. Ela evitava cometer erros como o de uma colega que não falava inglês e sempre fazia o oposto do que as donas de casa pediam, quando tentava adIvinhar pelos gestos. Outro dia a homeowner* falou para sua colega: -Don’t touch over here!*, enquanto apontava para a prateleira de cima de uma estante, onde havia vários artigos de valor pessoal para a cliente. A colega, adivinhado pelo gesto, dedicou um “cuidado especial” àquela última prateleira, limpando tudo que havia por lá, inclusive um vaso chinês, com tampa, que estava cheio de cinzas.
-Nossa, isso nunca foi lavado! - pensou a colega de Mariana, que descobriu mais tarde que realmente fazia tempo que alguém tinha limpado ali. O vaso havia sido limpo uma vez, antes de receber as cinzas da mãe da homeowner, que agora jaziam na estação de tratamento de esgotos da Flórida.
E Mariana não queria cometer erros como esse. Assim, ela, que também não falava inglês, dedicava especial atenção aos gestos e palavras das clientes procurando aprender, no dia a dia, como agradá-las sem “ter inglês suficiente”.
E tudo parecia ir bem. Seu serviço tinha aprovação da dona da companhia de clean para a qual trabalhava, mas parecia nunca agradar à homeowner. Toda semana era a mesma coisa. Quando chegava, a dona da casa olhava seu trabalho e não aprovava. Será que ela não gosta de mim? Questionava-se Mariana. Será que ela tem preconceito contra imigrantes? Porque será que ela nunca está satisfeita?, seguia se perguntando a cada semana.
E continuava sua rotina: na ânsia de agradar, Mariana buscava fazer algo diferente, dar um toque extra na limpeza para tentar ganhar a simpatia da dona da casa, que continuava intransigente. Um dia, cansada de tanta frieza e um pouco revoltada por ter que se submeter a um emprego tão ingrato, ela foi falar com a dona da companhia.
-Olha, não agüento mais! Não vou mais limpar a casa da D. Fulana. Por mais que eu me esforce, ela nunca está satisfeita. É sempre a mesma coisa; ela chega em casa, confere todo o trabalho que eu fiz, e reclama: -Your job is terrific!* Por que ela não gosta de mim?, perguntava a pobre Mariana enquanto a sua chefe se controlava para parar de rir antes de explicar para a pobre moça que terrific não quer dizer “terrível”, como ela imaginava, mas sim maravilhoso.

Homeowner = dona da casa
Don’t touch over here. = Não toque aqui.
Your job is terrific = Seu trabalho é maravilhoso






Vanuza Ramos
Enviado por Vanuza Ramos em 02/05/2006
Reeditado em 02/05/2006
Código do texto: T149203
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Sobre a autora
Vanuza Ramos
Estados Unidos, 43 anos
8 textos (965 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 04:13)
Vanuza Ramos