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A CABEÇA AGUENTA

Estou no sol
Chuva e vento
Meu pulso destoa
Meu sangue é areia
Estou no limbo no mofo
Estou que é só osso
No substrato
Zona fantasma
Tudo cinza, roxo
O blue dos becos e das vielas sem cor é meu hino
Estou só na cidade mil
Estou sóbrio na cidade ébria
Estou sem Buda sem Krishna sem deus
Estou só no subsolo
No pó do deserto
No ermo dos sós
No horto do podre onde mora o cão

Não, não desça
Não me acompanhe
Não me fale em iluminação
Não queira rasgar o véu
Deixa assim tudo na névoa
É melhor pra você
Não queira saber da viela
Da miséria
Das almas aflitas
Do grito do pensamento em desacerto
Não venha à sarjeta
Deixe-me com meus nós
Só com meus fios
Que vou reatar as pontas
Refazer as contas
Clamar aos céus
Comer o pão que o diabo rejeitou
Não, não se espante com este canto
É só um jeito de não ficar louco


Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 03/05/2006
Reeditado em 04/05/2006
Código do texto: T149444

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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