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O príncipe dos mendigos.

   

       É um homem que vaga pelas ruas da cidade. É altivo,

parece orgulhoso. Não carrega seus andrajos. Seu olhar es-

tá sempre à frente, no infinito, parece que é para lá que se

dirige. Não olha os passantes ao seu lado. E um homem que

desperta a atenção de tantos quantos estão interessados em

seres humanos.

        A rua é sua casa. O sol suas lâmpadas. A chuva a á-

gua onde ele se banha, as poças de águas suas cubas de mármo-

re onde ele abaixa-se e se lava com tanta naturalidade e dig-

nidade que se crê, realmente que ali é sua grande mansão.

Levanta-se,passa a mão pelos cabelos e segue seu caminhar.

Parece,às vezes um senhor a examinar suas terras, olhando

cada detalhe,percebendo as mudanças ocorridas ao longo dos

anos.


       Certa ocasião, depois de uma festa ofereceram-lhe um

prato com algumas iguarias que haviam sobrado e ele, então,

comum ar muito sério olhou para a pessoa e disse: dê a quem

precisa, virou as costas e foi embora. Descobri, também que

ele possui uma conta em um banco nas proximidades onde vive.

        Pego-me a pensar onde estará a família desse homem,

será que há filhos a esperá-lo? Esposa? Por que razão esco-

lheu o céu como teto? Divagando muito, deixando o pensamento

voar alto fico a pensar: seria o imenso desejo de ser livre

que o trouxe para as ruas? Quem pode saber o que vai na alma

dessa curiosa criatura que em outro canto do bairro é chamado

de marquês.

        Em alguns momentos penso em quanto a vida pode ser

leve para ele. Não paga aluguel, não paga impostos ao gover-

no, nem condomínio, Iptu, enfim esses impostos todos que são

impingidos a nós pobres mortais. Penso também na sua solidão.

Será que lhe bate às vezes saudade de alguém do seu passado?

Não sei resolver às minhas próprias indagações só sei que é

um homem incomum. Curioso e um tantinho misterioso. Deve ter

tido, em algum momento um emprego que lhe dá esse rendimento

na sua conta bancária. Por alguma razão que só ele conhece

resolveu residir nas praças onde cantam os pássaros, nas cal-

çadas onde caminha e em algum nicho onde adormece à noite.



Marla
Enviado por Marla em 17/05/2006
Código do texto: T157530

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Sobre a autora
Marla
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Marla