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Maria Thelma (Conto do Amor Perdido)

           Maria Thelma
     (Conto do amor perdido)

Não me lembro exatamente o dia. Hora desconhecida.
Pois bem, lá estava eu, mais uma vez com minha mente absorta em muitos pensamentos. Perdido sozinho.
Lembro-me, e muito bem, quando um caro conhecido me veio à procura.
Estava tenso e, tenho certeza, muito estranho. Acho que havia medo em seus olhos...Sim, medo!

Querendo na verdade, adiantar o assunto (Ora, àquela hora em que eu estava só era um momento só meu. Geralmente eu me recolhia a um canto e pensava, trabalhava minha mente por assim dizer.) para continuar meus pensamentos, perguntei sem rodeios:
-Meu caro amigo, me diga qual a garota? -Eu sempre fui muito tímido quando tinha que falar com alguma garota de que eu gostasse, mas quando se tratava de falar com uma de quem um amigo gostasse (Geralmente eu fazia isso, sempre acreditei no amor, e sempre que eu podia dava uma ajuda. Não que eu fosse exatamente o rei dos cupidos, mas sempre soube como era terrível o efeito da timidez, por isso ajudava da maneira que eu podia.), essa timidez ia embora. O fato é que acabei pegando-o de surpresa, vi isso quando ele arregalou os olhos. Podia ser também que ele estivesse, em sua mente, me caracterizando como um cara muito do presunçoso. Isso o afetou, mas não o impediu de usar um pouco de malicia e ironia, de modo que falou:
-Você está famoso sabia? Tem uma garota que só pergunta por você cara.
O que era uma pressa incontrolável de minha parte, para ficar só, acabou se tornando uma curiosidade abissal! Então perguntei:
-Como ela se chama cara?
Não obtive resposta, na verdade, o que consegui foi apenas uma breve explicação. Ele me disse que a tal garota o havia proibido de me seu nome e de me mostrar quem era ela. Isso mecheu com meus instintos. Quem era essa garota que nem me conhecia (Ou pelo menos eu achava que não.), e já tocava logo no meu ponto fraco, mistério. Foi quase uma sedução a terceiro grau!
O meu caro conhecido, me advertiu:
-Olha, não sei se você vai gostar dela, ela não é tão bonita assim.
-Não importa meu amigo, ela já ganhou os pontos essenciais. Fazer mistério cara, que gata inteligente ela deve ser, ela sabe das coisas, isto eu lhe digo.
-Bom, de qualquer modo o recado está dado. –Ela não pareceu muito feliz não, ao contrário, disse isso rapidamente e foi embora. Estranho, eu admito, mas não importava, só importava o mistério o doce mistério que se apresentara a mim.

Depois desse dia, não tive chance de falar com meu amigo, ou pelo menos ele não parecia interessado em falar comigo. Certamente para não me falar mais detalhes. Ele, me conhecendo, mesmo que pouco, devia saber que eu arrancaria dele, dados sobre a garota sem ele perceber. O que eu fiz? Investiguei, observei o cara o máximo que eu podia e assim, acabei descobrindo quem era a tal garota misteriosa. Toda vez que ela estava com ele e me via (Ela sempre me via, sempre, parecia que me sentia chegar perto. Isso me atraia, muito mesmo.), se afastava. Desse modo acabei sabendo quem era e meu deus, ela era linda, sim, linda. Tinha um olhar absolutamente fascinante e doce. Mecheu comigo de novo, admito.
Acabou que eu não tive coragem necessária para falar com ela, e meu caro amigo acabou por se mostrar nada mais que um inimigo, e isso diante das vezes em que eu o ajudei com as garotas. Simplesmente não me ajudou.

Mas eu, mesmo desajeitado em se tratando de amor, sempre tive uma mão do destino, ou como eu costumo falar, da “Mãe Terra”. Um acaso, na verdade o sol que estava indo embora à tarde me levou para perto da sala dela. Ela estava saindo e eu, sem nem perceber acabei falando “Oi”, e desse instante, começamos a conversar bastante. Era um diálogo fluído, muito embora, eu tivesse várias vezes que forçar um assunto, pois a garota era muito tímida, e eu também! Ela era ingênua e simples. Doce e meiga, carinhosa e muito sincera. Eu confesso que em minha vida encontrei poucas garotas ou mulheres assim. Fiquei meio receoso, mas por fim, nos beijamos. Até o beijo dela era doce. Mas, no instante em que eu a beijei, desfiz o ato, desfiz o laço que se criou entre nós, e porquê? Sofrimento do passado, má línguas a meu respeito e o medo, sim, o insistente medo que sempre me assola.

Causei-lhe assim, uma terrível dor, vi em seus olhos, eu pude sentir. E desde então, me dói esse ato, me arrependo. Descobri que meu caro amigo ou “inimigo”, gostava dela e fez tudo o que podia para evitar que eu me aproximasse dela. Mas não conseguindo teve minha ajuda, pois o fracasso foi meu. Perdi-me nos meus próprios princípios e medos, e coloquei-os como causa e desculpa para a minha total incapacidade para ser feliz. Meu medo de sofrer. Existe um fato que me faz pensar se eu não agi certo. Ouvi, ela mesma dizer que eu não significava nada para ela, havia já se passado muitos meses quando a ouvi dizer isto. Mas o fato é que, isso foi o ponto em que a odiei, mas que também percebi o meu erro. Real,ente eu feri e acabei recebendo o retorno.
E digo mais, tenho hoje duas coisas apenas, o arrependimento e a solidão, que se tornou minha vida sem ela, e sem o seu amor. Sinto falta, sinto dor, sinto muito tê-la perdido. E como se não bastasse isto, eu mesmo admitir minha própria imaturidade e tarde demais ainda por cima, o destino me preparou com uma facada. Dolorosa, mas esclarecedora.

Nas minhas férias de 2003, fui para o estado do Rio, um lugar muito perto de Antônio de Pádua. Sempre, desde pequeno, eu ia passear por onde tinha árvores e natureza. Acabei por adormecer junto a uma árvore e tive um sonho. Parado na mesma árvore eu conversava com uma mulher, vestida de branco, uma roupa parecida com a que eu vi em uma sacerdotisa em um ritual Wicca, há uns tempos atrás. Ela me falava sobre as árvores, como eram belas e sábias, então me mudou de assunto rapidamente.
-Eu lhe dei a chance meu filho, meu amado. Ela não era tua outra parte, mas tu a poderias ter feito feliz. Causaste a dor meu amado e com a dor eu deixei que te ferissem. Deverias ter enfrentado teus medos, tuas desconfianças, mas te acovardaste. Talvez, nunca mais tu voltes a vê-la, porquê escolhestes errado. Tu, meu filho, meu amado, procuras com tanto afinco o teu amor sagrado, aquela mulher a quem está destinado, que perdes os outros amores, aqueles que te prepararão para o verdadeiro amor. Erraste, mas é a conseqüência de tua forma antes da evolução, erraste, erraste. Mas aprendeste, eu sinto. Ama sempre a quem te ama. Pois ela, a mulher que te completa, virá...E te precisará, e te amará...

Acordei e me lembrei de meu pai me dizendo uma coisa:
-Agente deve gostar de quem gosta da gente.



 

 


 
 

Dan Felix
Enviado por Dan Felix em 17/05/2006
Código do texto: T157961
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Dan Felix
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 31 anos
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Dan Felix