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REVANCHE


® Lílian Maial


Do sangue na calçada,
Esquadrinham-se mágoas.
Não há lágrima que vele o morto,
Só a curiosidade de sua origem,
Das suas relações,
Dos auxílios que recebeu,
Dos bens que acumulou.

A praça é campo de batalha,
Cada lado com suas razões,
Suas mazelas,
Suas versões.
Cada partido, seus motivos,
Cada bala, seu endereço incerto,
Ali, tão perto.

As pedras se enganam e calam,
Até que um único brado lhes seja retumbante,
Até que seu jardim seja pisoteado,
Suas pétalas todas arrancadas,
Seus olhos [sempre vendados] sejam embaçados
Pelas promessas da visão de paraíso.

Cansadas dos sem juízo,
As ruas se cobrem de luto,
Pelas cidades que a natureza permitiu,
Pela traição que sofreu,
Pelo vilipêndio de seu oxigênio,
De suas riquezas gratuitas,
De seus filhos sem apego.

Exaustas da ignorância e das trilhas de presépios,
Vaquinhas se associam em currais de direita,
outras de esquerda,
Num esforço de gado sem eixo,
Onde não percebem que são marcadas ao nascer,
E que não há plástica que lhes arranque a dor do fogo.

Atônito diante das ondas todas,
O mar continua de ressaca,
Invadindo a areia permissiva,
Engalanando com a beleza as reais intenções,
Como o vento das novidades, que refresca,
Embora camufle as erosões.

Nem tudo é prêmio,
Nem tudo é simples,
Muito menos fácil.
Acordar dói a perda do sonho.
Sonhar distancia da realidade,
E mantém a sensação de não vivência do que caberia.

Então a solução é entender.
A resposta está em compreender as perguntas.
A saída, em recomeçar a caminhada,
Nas aléias da Natureza.
Nada acontece sem causa e sem efeito,
E a Grande Mãe nos ensina todos os dias.
E todos já sabem seus sinais,
Que dias muito abafados
Resultarão em chuva,
Que matas depredadas das encostas
Levarão a desabamentos,
Que baixa umidade no ar
Levará a ressecamento até das narinas.

Então por que se insiste em não ver as verdades?
Por que não tapar o buraco de ozônio social,
Para que as ruas enxuguem o sangue das calçadas,
E que se alcance [livre] o final da jornada,
Sem que os meios nos fiquem pela metade?


**************

Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 18/05/2006
Reeditado em 18/05/2006
Código do texto: T158221

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Sobre a autora
Lílian Maial
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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