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E os sonhos amanheceram lúdicos, não se viu tristeza na janela. Na angustia ouviram-se pássaros na platéia e não foram armas,mas letras, e 
muito menos fogo das armas, mas versos e acalantos.Deu-se um instante de euforia.E o sonhador viveu retrato, durante aquela noite, um imaginário sem limites porque foi louco para tentar.Sonhou o amor da sua vida, uma 
miragem de mulher que sempre esteve ali, bem perto de se tocar, tão bela quanto poderia ser, dos olhos a alma, se viu dono e escravo, eterno em tudo, onde nada ou quase nada se perdeu. E os anos não foram contados, mas 
estações foram sentidas,invernos, verões, outonos e primaveras, e 
cada uma como deveria ser. Quentes quando do frio, úmidas quando 
da sede, frescas quando da dor,secas quando das lágrimas. Das 
estações surgiram mais vidas, todas desse amor indescritível, desse encantamento de versos repartidos. Foram crianças arrancadas do 
peito, crianças de se amar nos erros por gratidão, do perdão as brigas
sem sentido, do aceitar partir sem saber porquê. De um sonho, se viu 
cansado, durante toda uma vida em um só segundo . E ossonhos 
amanheceram lágrimas, porque chorar foi esperança. E o sonhador 
escreveu memórias, tão belas quanto sinceras, singelas mas tesouro.
Memórias sem saudades, lembranças sem histórias, porque tudo estava presente. E os sonhos amanheceram luz, e não foi somente o sol que 
se fez presente, mas a lua, os mares, as flores e cores, um horizonte 
cercando o rumo. E o sonhador ouviu canção, do próprio ar que 
coabita, da própria terra que germina o mundo. E pode dançar,cantar 
o que escondia no coração, o medo de ser apenas homem. Tudo isso 
apenas dos versos que ousou criar. Durante um tempo pensou ser 
sonho, porque nada se faz eterno na existência que versa a noite. 
Pois que ao gritar essa verdade, não ouviu silêncio que a aceitasse,
nem mesmo apupo de revolta. E na manhã que se viu desperto, 
sozinho estava para o dia. Porque só, é apenas louco. É apenas nada. 
Só, não passa apenas de um sonhador. E nada mudou na vida daquele 
que um dia, durante toda uma noite, brincou, como criança, de acreditar 
que nada é mais racional que sonhar. E assim se fez poeta.
Jose Carlos Cavalcante
Enviado por Jose Carlos Cavalcante em 25/05/2006
Reeditado em 25/05/2006
Código do texto: T162664
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Sobre o autor
Jose Carlos Cavalcante
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
732 textos (54094 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 08:17)
Jose Carlos Cavalcante