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Forca

Enquanto lá fora
Cai uma chuva fina
De molhar bobo

Eu cá entretido
Espano o bolor da memória
E retorno a um canto de Minas

Mais precisamente no lugar
Onde passei meus dias de infante
Na fazenda de nome gramiais

Onde o Estado só se fez chegar
Travestido de tributos exorbitantes
Mas como garantidor de direitos, jamais.

Quando lá chegou o Estado
Com sua corrente de aço inoxidável
Levou à forca a diversidade do Serrado.

Enfeitado de progresso iminente
Engoliu as florestas centenárias
E o resto de esperança daquela gente

À míngua como os leitos dos rios.
Enquanto, enfeitado de luminárias,
Ressequido, o vale se transforma num lugar sombrio.

Cortado por estradas e redes de energia
Que ligam e movimentam o niilismo
O Jequitinhonha definha na perpetuidade da agonia.
Cid Rodrigues Rubelita
Enviado por Cid Rodrigues Rubelita em 30/05/2006
Código do texto: T166098
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Sobre o autor
Cid Rodrigues Rubelita
Curitiba - Paraná - Brasil
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Cid Rodrigues Rubelita