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A QUINTA PONTA DA ESTRELA

Nasci em Guará.
Justamente no ano em que Fidel Castro
assumiu o poder em Cuba.
Eu por aqui e ele por lá!

Nascia também, por aqui, a quinta ponta
da estrela que veio
brilhar continuamente.
A estrela era meu pai
e eu,
apenas a quinta ponta...

O povo desejava mudanças
cultura e politicamente.
Os homens que saiam das sombras
diziam, sempre metaforicamente,
tudo o que lhes vinha à mente.
Restava eu:
_ um pequeno anjo das pernas de pau!
Uma esperança!
Talvez um anjo azul originário de Portugal
daqueles que se desfiguram
sob o desenho das nuvens
esfumaceando-se,
mesclando-se,
estatelando-se no infinito,
como o camaleão disfarçando-se de bonito.

Derrepente,
uma carroça e
um cavalo a galope...
Pilotando estava um tal de Sr. Ranquim.
_ levou a notícia aos olhos do povo da região!
(Nasceu o filho do Chico Barbeiro)... dizia.
(Nasceu o filho do Chiquinho)... gritava.
Mas ninguém perguntava nada por mim...

A noite e o dia continuavam vagando e seguindo um ao outro,
 vagarosamente,
sem importar-se com o início ou com o fim.
O Sol a Lua
iluminavam do mesmo jeito
a cidade e o jardim.

O Sr. "Cortador de cabelos" continuava em sua sintonia
cortando os bigodes delineados,
algumas barbas
 e muitos cabelos abrilhantados.
          ¨¨¨*¨¨¨¨
Senhores cidadãos do mundo,
ali estava o ( DCFCF) -Diretório Central dos Faladores de Conversa Fiada.
Como é que pode:
_ Numa  longa conversa mole
e sem fins de direito,
em meio aos diversos amigos,
sérios cidadãos de respeito,
alguém,
surpreendentemente,
sempre transformava-se em prefeito.
Num só instante achava-se todas as soluções
num estalo, consciente, contabilizava-se todas as razões.
(Sem vacilar nem misturar as emocões)...

Assim nasci,
sem rimas e sem poesias,
abandonado pelas autoridades do mundo
numa pequena cidade chamada Guará.
(sob nenhum ponto de vista ela se compararia a Maresias ou Ilha Bela)

Alguém duvidaria se dissessem que nascera algum tipo de enviado de Deus?
Alguém que fora mandado por algum dono universal?

Naquele momento, em algum ponto do mundo,
havia "solamente el Fidel"  e eu
e a fogueira no fogão-de-lenha
e a luz do lampião que clareia
mostrando o caminho a alguma mulher prenha.
Havia também o brilho lúcido da lua cheia.

O canto das aves e o latido dos cães
já anunciavam como seria sete de abril
de mil novecentos e cinquenta e nove:
_o meu primeiro dia!
Ah! Eu deveria também dizer
que meu pai era aquele Barbeiro.
O dono da barbearia!

AVIENLYW - (16/11/2001 )

WILDON LOPES
Enviado por WILDON LOPES em 04/06/2006
Reeditado em 27/07/2006
Código do texto: T168992
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
WILDON LOPES
São Paulo - São Paulo - Brasil, 57 anos
269 textos (14487 leituras)
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