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ESPAÇO AMARGO TRANSGÊNICO


EU TENHO UM GOSTO AMARGO NA BOCA...
___________________________________

Um gosto amargo
e amanhecido.
_ do sol.
_ do sal do seu corpo suave.
Na boca do sol
tenho um gosto de sal.
Um gosto amargo
e bem conhecido.

Eu tenho um gosto amargo de mim mesmo.
_ dos detentos solítários.
_ dos andarilhos cadafalsos
a quem vivo solidário.
Os que vôam pela vida afora
e num vôo de ave
acabam indo embora...
(sumindo dos meus pensamentos e deixando aquele gosto amargo)
Vôam em busca da liberdade
cismam pela liberdade
lutam pela liberdade
amam a liberdade,
e permanecem a vida toda dentro da cidade!

Eu tenho um gosto amargo na boca!
Um gosto do cheiro dos bêbados adormecidos nas ruelas;
Um gosto do cinza dos farrapos das crianças esquecidas;
Uma saudade do tempo dos meus amigos
que serenemente
caminhavam descalços
cantarolando palavras
que curavam sequelas.
Eu tenho o gosto de uma esperança viva
dentro da minha saliva.
Eu tenho o poder
que eu não tinha
que eu achava que tinha,
dentro do meu coração!
Eu tenho o espaço e a cadeira cativa:
_ sou uma criança que sempre faz quando alguém diz sempre Não!

Eu tenho um gosto amargo na boca,
o gosto do "Bom senso e do Bom gosto",
o sentimento do incenso e do ar tenebroso,
o alívio da passagem do tempo das Diligências
o paladar suave e o aroma dos vinhos de Portugal
dos tempos de Antero de Quental.

Eu tenho um gosto amargo
na tua boca...

Um gosto dos romances [ das prosas e das poesias]
dos velhos intelectuais...
Um gosto perpétuo
mas não esquecido [ dos velhos poetas falecidos]
daqueles tempos em que meus amigos
e eu,
andávamos descalços
pelas ruas e sargetas
rodopiando
em piruetas...
[tentando mudar as regras]

Mudar o gosto!


wildon
22/10/1982

WILDON LOPES
Enviado por WILDON LOPES em 13/06/2006
Código do texto: T174859
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
WILDON LOPES
São Paulo - São Paulo - Brasil, 57 anos
269 textos (14457 leituras)
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