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A Profecia

                                           
Isaías disse:
“Virá o dia da felicidade
e da justiça para todos”.
Pô, mas como custa a chegar, héin!
Maluquice o que falou?
Devemos desacreditar
ou seguir acreditando
que isso possa acontecer?
Ou malhar em ferro frio
até quando anoitecer?
A semente da esperança
ir plantando no terreno
cujo imposto inter-vivos
não pagou o Nazareno.

E por isso a propriedade
foi entregue pelo fisco
ao empresário mais arisco
que um prédio ali botou.

Onde o galo já cantou
só se vê carro importado,
segurança, deputado.

Carro de trabalhador
só está autorizado
a parar do outro lado
da calçada, onde a menina
teima e vende a bananada
antes que o sinal vermelho
fique verde outra vez.

O quê dirão as andorinhas
que perderam as suas árvores
ou perderam a sua vez?
E aquelas criancinhas,
filhas dos peões de obra,
que só comem quando sobra
ou terão o que comer
quando a bela imperatriz
o brioche oferecer?

Essa tal felicidade,
como custa a aparecer!
E quanto a tal da justiça,
talvez o nosso Isaías
tenha algo a nos dizer.


Rio, 16/05/2006
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 21/06/2006
Reeditado em 28/10/2006
Código do texto: T179527

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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