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Sordade do caboco

    Que farta me faz o buqueirão,
    que sordade do meu sertão,
    as lembrança que tenho daí
    são as causa dos meus ai.

    E pra ispantá essa solidão
    só mesmo o luar do meu sertão
    pois, só fico tranquilo
    se ouço o cantá dos grilo.

    Que sordade daquele tempo,
    que quando me alembro,
    uma dor no peito aparece
    careceno a gente duma prece.

    Que sordade daqueles dia
    em que eu e minha veia
    na rede que nois drumia
    fazia um calangotango.

    E dispois dela agarra neu
    feito jiboia prendeno eu
    e deu grunir que nem cachorrinho
    ficava os dois bem juntinho.
   
    Os dois bem agarradinho
    ispiano o tempo passar
    eu fumano um cigarrinho
    e ela oiano o luar.

    Quando era de manhã
    eu surria que nem criança
    e ela meio que sem graça
    cantava que nem cigarra.

    Tenho farta dos dias que aí vivi
    pois, creio que aqui eu já morri
    e em meio a esse frio disgraçado
    meu coração inté ficô dispedaçado.

    Aqui ocê trabaia que nem doido
    e o coração da gente vivi apertado.
    Penso inté que vou morrer
    se acaso um dia eu num vortá
    pra minha linda terra natá.

                               
Rivelino Matos
Enviado por Rivelino Matos em 11/07/2006
Reeditado em 08/12/2007
Código do texto: T192093

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Sobre o autor
Rivelino Matos
Euclides da Cunha - Bahia - Brasil
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Rivelino Matos