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Birita para viver a vida

Vivêncio acordou como de costume, esquecendo de viver, abriu a geladeira, ligou a TV, não queria acordar, mas fazer o quê? Pegou o jornal, leu a notícia, era do ano passado, mas condizia com o presente, então não sentiu diferença, o desenho na TV também era diferente, comum e sem sal, sem sal estava o ovo que colocou no pão, então ainda sonolento, não percebeu que adoçou o almeléte e salgou o café. Mordeu o pão, sentiu náusea, bebeu o café como tira gosto, vomitou verde no chão. Encheu a boca de adoçante para tirar o gosto, lembrou que o liquido também tira a potência sexual máscula, cuspiu o que ainda não tinha engolido, olhou para a janela lançou o vidrinho, acertou uma velha. Esta, que com toda razão ficou nervosa, foi sem prosa pra casa e chamou seu neto. Este, tomou as dores da vovó, foi no apartamento para bater sem dó. Não queria conversa, a briga, era desculpa pra bater em alguém, pois perdeu sua namorada pra ninguém, foi chamado de idiota.
Meteu o pé na porta, chutou de bico e se fudeu, machucou o dedão, gritou bostas, decidiu dar três leves toques. Em vez de agredir pediu remédio, foi atendido, quebrando o tédio de Vivencio, agora “médico”, que constatou que seu dedão estava deslocado.
A conversa desenvolveu, o assunto rendeu, a pinga desceu e chegaram a conclusão de que um estava pior que o outro. Começaram a rir, quebraram a casa inteira, penduraram na beira, gritavam, esperneavam, choravam. Cantavam um refrão, improvisado, perguntando quem estava mais desgraçado. Desceram foram na casa da vovó, encheram-na de pinga, o trio pé de cana saiu em direção à casa da solteirona, que também gosta da “manguáça”, e desce mais cachaça. A farra era geral, aos poucos formou um grupo de melancólicos felizes, a cidade parou para ver o inusitado, o grupo seguiu para o supermercado, lá tem mais cana gritou um deles, a bagunça foi geral, tinha “bebum” no freezer, outros comendo biscoito, outros molhando o biscoito, abraçando o gerente, alguns brincavam na esteira do caixa, a velhinha estava comendo um enorme salame acompanhado de amarula no bico, o manco estava amarrando um bife no dedão do pé machucado, sua ex-namorada beijando o bife e pedindo perdão, a polícia chegou, limpou todos, todos foram rindo, sem saber pra onde estavam indo.
O Vivêncio, estava vivendo o melhor de sua vida, descobriu-se na birita. Quando se deu conta, estava na cadeia, ao lado de um monte de gente triste e com ressaca, procurou a TV, procurou o café, sentiu a boca doer, pensou que deveria ser uma pancada de cassetete, viu o novo amigo mechendo no pé, perguntou o que houve, ninguém sabia, mas o guarda Adolbe, contou detalhes e aumentou com mentira, pra ficar mais interessante, o caso era alucinante. Alguns riam, outros choravam e depois de completamente sãos, foram libertados, Vivêncio fez questão de beber de novo, mas desta vez, não foi acompanhado, viveu o resto de sua vida bem, viveu alucinado.
Enzo Pinho
Enviado por Enzo Pinho em 14/07/2006
Reeditado em 19/06/2008
Código do texto: T193754
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Sobre o autor
Enzo Pinho
Nova Era - Minas Gerais - Brasil, 31 anos
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Enzo Pinho